Dia Mundial do Cérebro: cuidar da saúde cerebral vai além da prevenção

Neurocirurgião e especialista em dor destaca como o cérebro comanda desde o metabolismo até o controle da dor, e explica o papel de terapias modernas como a neuromodulação.

Por SALATIEL ARAúJO
2 6 Min

Dia Mundial do Cérebro: cuidar da saúde cerebral vai além da prevenção
Imagem Ilustrativa
Neurocirurgião e especialista em dor destaca como o cérebro comanda desde o metabolismo até o controle da dor, e explica o papel de terapias modernas como a neuromodulação.

Quando o assunto é saúde cerebral, o senso comum tende a restringir o tema à prevenção de doenças neurodegenerativas na terceira idade, como o Alzheimer e outras demências. No entanto, a neurociência moderna demonstra que a atuação do cérebro é infinitamente mais ampla, dinâmica e transversal para o funcionamento de todo o organismo humano.


O cérebro não é apenas o guardião da memória; ele é o centro de comando supremo responsável por regular o sono, modular a percepção da dor, gerenciar as emoções, governar o metabolismo e ditar a capacidade de concentração e foco.

Dr. Luiz Severo médico neurocirurgião, professor, escritor, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), reconhecido como uma das jovens lideranças médicas pela Academia Nacional de Medicina explicou como patologias aparentemente distantes compartilham a mesma raiz neurológica e detalhar os pilares para fortalecer a mente ao longo da vida.

O centro de comando: muito além da cognição

Condições clínicas de alta prevalência na população atual — como quadros crônicos de ansiedade, depressão, fibromialgia, enxaqueca refratária, insônia primária, fadiga mental crônica, TDAH e até mesmo determinados subtipos de obesidade — não são falhas isoladas de órgãos periféricos. Elas estão diretamente ligadas a disfunções na modulação e na plasticidade do sistema nervoso central.

Quando o cérebro sofre com sobrecarga de estresse, inflamação sistêmica ou déficits metabólicos, sua capacidade de processar estímulos sensoriais e emocionais entra em colapso. É por essa razão que a dor crônica, por exemplo, deixa de ser um mero sintoma de lesão tecidual e passa a ser compreendida como uma doença do próprio sistema nervoso, exigindo um olhar especializado e integrativo.

Como fortalecer o cérebro ao longo da vida?

A boa notícia trazida pela neuroplasticidade é que o cérebro possui a capacidade contínua de se reorganizar, criar novas sinapses e se fortalecer em qualquer fase da existência. A preservação da autonomia e da qualidade de vida depende da adoção de hábitos diários que funcionam como um verdadeiro escudo neuroprotetor:
  • Atividade física regular: O movimento libera fatores tróficos (como o BDNF) que estimulam o crescimento de novos neurônios e melhoram a circulação cerebral.
  • Sono de qualidade: É durante o sono profundo que o sistema glinofático realiza a "limpeza" de toxinas e resíduos metabólicos acumulados nos tecidos cerebrais ao longo do dia.
  • Aprendizado contínuo e leitura: Desafiar o cérebro com novos conhecimentos aumenta a reserva cognitiva, retardando o declínio mental.
  • Gerenciamento do estresse e conexões sociais: O isolamento social e o excesso de cortisol inflamam o tecido cerebral, prejudicando a memória e o humor.
Tratamentos modernos: o papel da neuromodulação

Para pacientes que já enfrentam condições incapacitantes, como dores neuropáticas severas ou enxaqueca crônica que não respondem aos tratamentos farmacológicos convencionais, a medicina intervencionista oferece recursos altamente avançados.

Entre eles destaca-se a neuromodulação, uma técnica moderna que utiliza estímulos elétricos ou magnéticos precisos para modular a atividade de circuitos neurais hiperativos ou disfuncionais, devolvendo o alívio e a funcionalidade ao paciente sem a necessidade de cirurgias invasivas de grande porte.

Perguntas frequentes sobre saúde cerebral (FAQ)

De que maneira a falta de sono adequado prejudica o funcionamento do cérebro?
Dormir mal afeta diretamente o córtex pré-frontal, área responsável pelo planejamento, tomada de decisões e controle emocional. Além disso, noites mal dormidas reduzem a capacidade do cérebro de consolidar memórias e aumentam a sensibilidade à dor, elevando os níveis de inflamação sistêmica.

O que é o conceito de neuroplasticidade mencionado pela ciência?
A neuroplasticidadade é a habilidade extraordinária que o sistema nervoso possui de se modificar, adaptar e reestruturar em resposta ao aprendizado, a novas experiências ou após lesões neurológicas. Isso prova que o cérebro nunca é um órgão estático.

Por que a fibromialgia é considerada uma disfunção do sistema nervoso central?
Hoje a ciência comprova que pacientes com fibromialgia apresentam um processamento central da dor alterado (uma facilitação na transmissão dos estímulos dolorosos e uma falha nos mecanismos inibitórios descendentes do cérebro), fazendo com que o corpo sinta dor de forma amplificada.

Como a espiritualidade e os bons relacionamentos impactam a saúde mental?
Manter vínculos sociais saudáveis e práticas de espiritualidade ou meditação reduz os níveis de citocinas inflamatórias no sangue, diminui a pressão arterial e estimula a liberação de ocitocina e dopamina, promovendo resiliência emocional e proteção contra o declínio cognitivo.

Fonte:

Dr. Luiz Severo – Neurocirurgião

CRM-PE: 24210 | RQE: 10983 — CRM-PB: 12554 | RQE: 7100

Médico neurocirurgião, professor e escritor. Reconhecido como jovem liderança médica pela Academia Nacional de Medicina. Membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). Criador do programa "Nossa jornada contra a sua dor" e autor do livro "Você não precisa sentir dor".
 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
Salatiel Medeiros de Araújo
[email protected]


Notícias Relacionadas »