Por Dr. Pedro Porto*
Existe um momento na vida da mulher que raramente é reconhecido, nem por ela, nem muitas vezes pela própria medicina. Não é a menopausa.
É o que vem antes!
A perimenopausa é uma fase de transição que pode começar anos antes da última menstruação, marcada por flutuações hormonais e redução progressiva do estrogênio. Mas, na prática, o que se vê é outra realidade: mulheres convivendo por um longo período com sintomas que não são identificados como parte desse processo.
Cansaço persistente; alterações no sono; irritabilidade; queda de rendimento físico; dificuldade de concentração, nada disso costuma ser imediatamente associado à perimenopausa, e são sintomas que podem parecer inespecíficos e sem importância para os olhos não treinados na abordagem multidisciplinar da saúde feminina. E isso é um problema.
Durante muito tempo, a saúde da mulher foi estruturada em fases muito marcadas: ciclo reprodutivo, gestação, menopausa. E o que acontece entre esses momentos, especialmente na transição, acaba sendo subestimado.
A perimenopausa não começa com um “marco”. Ela começa com sinais. E são justamente esses sinais que costumam ser ignorados.
A queda e a oscilação do estrogênio não afetam apenas o ciclo menstrual. Esse hormônio tem atuação sistêmica. Ele influencia o sono, o humor, a massa muscular, o metabolismo e até a resposta ao exercício.
Por isso, muitas mulheres começam a sentir que “algo mudou”, mesmo sem alterações claras nos exames iniciais. Dormem pior. Treinam igual e respondem menos. Sentem o corpo diferente, mas não encontram uma explicação objetiva.
E, muitas vezes, são orientadas a normalizar, a ir levando. O impacto disso vai além do desconforto.
Quando não reconhecida, a perimenopausa pode levar a uma perda progressiva de qualidade de vida, com reflexos na saúde mental, na composição corporal e até na saúde óssea ao longo do tempo.
Identificar essa fase precocemente muda o curso dessa história. Permite ajustar rotina, treino, sono e alimentação de forma mais estratégica, além de trazer um olhar para sintomas com contexto, e não de forma isolada, evitando, sobretudo, anos de sofrimento desnecessário.
Outro ponto importante é entender que não existe uma experiência única!
Para algumas mulheres, os sintomas são sutis. Para outras, impactam diretamente o dia a dia. Mas em nenhum dos casos a resposta deveria ser o silêncio ou a normalização.
Hoje, existem abordagens para manejo dos sintomas, que vão desde mudanças no estilo de vida, até estratégias individualizadas de tratamento, dependendo do perfil e das necessidades de cada mulher.
Mas, o mais importante é mudar a lógica.
A perimenopausa não deve ser percebida apenas quando a menopausa chega. Ela precisa ser reconhecida antes. Porque o cuidado com a saúde feminina não começa quando o ciclo termina. Ele começa quando o corpo começa a mudar. E isso, muitas vezes, acontece bem antes do que se imagina.
*Pedro Porto é graduado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), com residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e especialização em Ginecologia do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
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DANILO FERNANDES RAMOS
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