Unifesp e moradores do Jardim Novo Horizonte elaboram plano comunitário de redução de riscos e adaptação climática
Trabalho prevê mapeamentos participativos, formação comunitária e definição de estratégias de monitoramento e ações de prevenção de riscos de desastres e adaptação climática
Divulgação UNIFESP
Moradores do Jardim Novo Horizonte, bairro popular inserido na bacia hidrográfica do Rio Aricanduva e vizinho ao Instituto das Cidades (IC/Unifesp) - Campus Zona Leste, e pesquisadores da Universidade começam a elaborar um Plano Comunitário de Redução de Riscos e Adaptação Climática (PCRA). O trabalho será desenvolvido pelo Observatório de Lutas Urbanas e Políticas Públicas (OLUPP), vinculado ao IC/Unifesp, em diálogo com a população que vive no território. O Jardim Novo Horizonte surgiu de uma ocupação iniciada na década de 1990. Segundo informações reunidas pela equipe responsável pelo projeto, a maior parte do bairro está classificada pela Prefeitura de São Paulo como área de risco médio, denominado R2, enquanto duas porções menores apresentam risco alto, classificado como R3. O sistema municipal organiza os setores de risco geológico em quatro níveis: baixo, médio, alto e muito alto, correspondentes às categorias R1, R2, R3 e R4. A elaboração do plano combinará os conhecimentos técnicos da equipe da Universidade com os saberes populares e a experiência cotidiana dos moradores. Estão previstas as elaborações das leituras técnicas e comunitárias do território e riscos de deslizamento de terra, inundações e enxurradas, dentre outros. Uma leitura complementa a outra. As leituras técnicas serão realizadas a partir de levantamentos de campo, análises de dados secundários, análises de documentos como o Plano Municipal de Redução de Riscos de São Paulo, imagens aéreas obtidas por meio de drones e demais fontes de dados e informações. As leituras comunitárias serão realizadas a partir de diversas atividades participativas como caminhadas coletivas, rodas de conversa sobre a formação do bairro, entrevistas sobre como se percebe os diferentes tipos de riscos existentes, oficinas comunitárias para a produção conjunta de mapas desses riscos, bem como das características territoriais do bairro, dos seus lugares afetivos, de memória e de encontros. O objetivo é identificar os principais problemas, potencialidades e riscos existentes no Jardim Novo Horizonte para definir estratégias de monitoramento de riscos e, assim, não ser pego de surpresa por algum desastre. Pretende-se também propor ações antecipatórias de desastres para saber o que fazer e como agir em caso de emergência, além de formular medidas estruturais e não estruturais para reduzir e/ou eliminar os riscos existentes no bairro. Essas medidas serão discutidas em oficinas sociotécnicas com a participação da assessoria técnica e de membros da comunidade, bem como de representantes da Secretaria Nacional das Periferias. Entre os resultados possíveis estão a elaboração de planos de contingência, a identificação de rotas de fuga e espaços seguros, a formação de agentes comunitários e a proposição de intervenções locais de prevenção e adaptação climática. As ações podem incluir desde a recuperação do córrego que passa pelo bairro e contenção de encostas até a organização comunitária para situações de emergência e intervenções de menor complexidade, como jardins de chuva, melhoria do escoamento das águas pluviais, implantação de corrimãos e escadarias de circulação e de drenagem e adequação de espaços públicos para períodos de calor intenso, dentre outras. As medidas serão discutidas e definidas a partir das necessidades identificadas pelos próprios moradores durante a elaboração do plano. A mitigação e eliminação de riscos no Jardim Novo Horizonte será fundamental para destravar a tão almejada regularização fundiária das suas moradias. Diferentemente de planos realizados apenas por equipes técnicas externas, os PCRAs colocam a comunidade no centro do processo. Além da equipe de assessoria técnica, composta por membros do OLUPP, o PCRA do Jardim Novo Horizonte está sendo elaborado também pela coordenadora territorial e dez agentes territoriais que são moradores do bairro e conhecem bem a realidade local. A coordenadora territorial Adriana Aparecida de Oliveira Dias é também presidente da Associação de Moradores que já conquistou uma linha de ônibus que atende o bairro ligando-o à estação Dom Bosco da CPTM e ao centro de Itaquera. A comunidade do Campus Zona Leste da Unifesp também usa essa linha. O PCRA do Jardim Novo Horizonte integra uma iniciativa desenvolvida no âmbito do Programa Periferia Viva, da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades. A frente nacional prevê a elaboração de planos em cem comunidades localizadas em cidades de diferentes regiões brasileiras. Prevê também a formação de agentes populares e a realização de oficinas para implementação de ações de adaptação climática. O projeto envolve a Fundação Oswaldo Cruz e recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça. A atuação no Jardim Novo Horizonte aproxima a produção de conhecimentos desenvolvidos na Universidade sobre os problemas enfrentados no território onde o Campus Zona Leste está inserido. Coordenado pelo professor do IC/Unifesp Anderson Kazuo Nakano, a equipe do OLUPP, composta por Antonio Marcos de Miranda Reis, Elton Vicente Escobar Silva, Tazio Guilherme Leme Cavalheiro Viadana e Thiago Andrade Gonçalves, já desenvolve estudos sobre vulnerabilidades urbanas e climáticas e sobre a distribuição desigual dos riscos nas cidades brasileiras. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. 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LIGIA CARLA GABRIELLI BERTO
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