Quando se fala em doenças da tireoide, a maioria das pessoas associa o problema apenas a alterações hormonais, ganho ou perda de peso e mudanças no metabolismo. O que pouca gente sabe é que algumas dessas doenças também podem afetar diretamente os olhos. A orbitopatia tireoidiana, condição frequentemente relacionada à Doença de Graves, é uma enfermidade inflamatória que compromete os tecidos ao redor do globo ocular e, nos casos mais graves, pode colocar a visão em risco.
Embora nem todos os pacientes com alterações da tireoide desenvolvam a doença ocular, estima-se que cerca de 25% a 50% das pessoas com Doença de Graves apresentem algum grau de comprometimento dos olhos. Em uma parcela menor, os sintomas podem evoluir para quadros moderados ou graves, exigindo tratamento especializado para evitar complicações permanentes.
Os primeiros sinais costumam surgir de forma gradual e muitas vezes passam despercebidos. Sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento excessivo, sensibilidade à luz e inchaço das pálpebras podem ser confundidos com alergias ou ressecamento ocular. À medida que a inflamação evolui, podem aparecer olhos mais projetados para frente, visão dupla, dor ao movimentar os olhos e dificuldade para fechar completamente as pálpebras.
Segundo a oftalmologista Dra. Mariana Rezende, especialista em plástica ocular, essas alterações acontecem porque a resposta inflamatória faz com que músculos e tecidos localizados dentro da órbita aumentem de volume. "A inflamação ocupa um espaço que é limitado pelos ossos da órbita. Como não há para onde expandir, o globo ocular acaba sendo empurrado para frente, provocando o aspecto de olhos saltados, além de outros sintomas que comprometem o conforto e a visão do paciente", explica.
Além do impacto funcional, a doença costuma provocar mudanças importantes na aparência facial, afetando diretamente a autoestima. Muitos pacientes relatam que deixam de se reconhecer diante do espelho, passam a evitar fotografias ou sentem constrangimento em situações sociais por causa da alteração no posicionamento dos olhos.
Outro ponto de atenção é que a intensidade dos sintomas nem sempre acompanha o controle da tireoide. Mesmo pacientes que já normalizaram os níveis hormonais podem desenvolver ou manter a inflamação ocular ativa, motivo pelo qual o acompanhamento conjunto entre endocrinologista e oftalmologista torna-se fundamental.
"O tratamento depende da fase da doença e da gravidade de cada caso. Em alguns pacientes, medidas clínicas conseguem controlar a inflamação. Em outros, quando permanecem sequelas como olhos muito projetados, retração das pálpebras ou compressão do nervo óptico, pode ser necessário realizar procedimentos cirúrgicos para proteger a visão e devolver mais conforto e qualidade de vida", destaca a especialista.
O tabagismo é considerado um dos principais fatores que aumentam o risco de desenvolvimento e agravamento da orbitopatia tireoidiana. Estudos mostram que fumantes apresentam maior chance de desenvolver formas mais severas da doença e respondem pior aos tratamentos, tornando a interrupção do cigarro uma das recomendações mais importantes durante o acompanhamento.
Para a Dra. Mariana, reconhecer os sintomas precocemente faz toda a diferença no prognóstico. "Olhos vermelhos, saltados, dor, visão dupla ou dificuldade para fechar as pálpebras nunca devem ser encarados como algo normal em quem tem doença da tireoide. Quanto mais cedo iniciamos a avaliação e o tratamento, maiores são as chances de controlar a inflamação, preservar a visão e evitar sequelas permanentes", conclui.
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Fonte: Dra. Mariana Rezende — Oftalmologista | Especialista em Plástica Ocular.
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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