O sentimento de isolamento não é apenas um aperto no peito que passa com o tempo; ele é um sinal de alerta para a nossa saúde. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a solidão crônica pode ser tão prejudicial quanto fumar 15 cigarros por dia, aumentando as chances de problemas graves no coração e até na imunidade. Em um país como o Brasil, que já lidera os índices de ansiedade e depressão, essa dificuldade de se conectar de verdade com o outro tem levado cada vez mais gente aos consultórios, carregando um vazio que parece não ter fim.
O médico psiquiatra Alexandre Pereira, que lida diariamente com psiquiatria geral, psicoterapia e dependências químicas, percebe esse sofrimento camuflado na correria do dia a dia. Ele explica que estar em uma sala cheia de gente ou passar o dia respondendo mensagens no celular não protege ninguém dessa dor. "Muitos pacientes chegam ao consultório com a agenda cheia e a vida social ativa, mas se sentem profundamente sozinhos e incompreendidos. A verdade é que a conexão real vai muito além de estar fisicamente perto ou de interagir por telas", afirma.
Quando esse sentimento de estar isolado se estende por muito tempo, o corpo começa a cobrar a conta de forma silenciosa. A falta de laços reais faz com que o organismo viva em um estado de alerta constante, disparando os hormônios do estresse. "Nosso cérebro entende a solidão prolongada como um perigo real. Isso desregula a química cerebral e abre caminho para que a depressão e as crises de ansiedade se instalem ou fiquem ainda mais fortes", explica o especialista.
Para piorar, a dor do isolamento muitas vezes empurra a pessoa para armadilhas perigosas na tentativa de anestesiar o que sente. Sem alguém com quem contar ou sem saber como lidar com esse vazio, o risco de buscar rotas de fuga perigosas aumenta. "Para tentar aliviar esse desamparo, não é raro que a pessoa comece a beber mais ou a usar substâncias como uma válvula de escape. O problema é que isso cria um ciclo de dependência muito difícil de quebrar sem uma ajuda especializada", alerta o psiquiatra.
Entender que a solidão persistente é um problema de saúde e não uma frescura ou apenas um jeito de ser é o primeiro passo para mudar essa história. O tratamento passa por entender de onde vem esse distanciamento e ajudar o paciente a se abrir novamente para o mundo. "Tratar a solidão não é só passar um remédio para aliviar a angústia. É apoiar a pessoa para que ela consiga reconstruir suas pontes com o mundo e volte a criar laços que realmente façam sentido para ela", conclui Alexandre Pereira.
Acompanhe a Psiquiatria BH nas redes sociais: @psiquiatriabh
Fonte: Dr. Alexandre Pereira | Médico Psiquiatra – Com atuação em Psiquiatria Geral, Psicoterapia e Dependências Químicas.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
[email protected]