Viral com Brad Pitt e Edward Norton na Copa do Mundo reacende dúvida: falar sozinho é normal?

Especialista dá dicas de quando o comportamento costuma ser comum e aponta os sinais que podem indicar um transtorno

Por JOãO PEDRO
2 4 Min

Viral com Brad Pitt e Edward Norton na Copa do Mundo reacende dúvida: falar sozinho é normal?
Divulgação
Um encontro entre Brad Pitt e Edward Norton durante uma partida da Copa do Mundo foi suficiente para reacender um dos memes mais conhecidos do cinema. Ao aparecerem juntos na arquibancada, os atores de Clube da Luta (1999) inspiraram uma onda de comentários nas redes sociais dizendo que Norton estaria “falando sozinho”, referência ao desfecho do filme, em que seu personagem descobre que Tyler Durden, interpretado por Pitt, é fruto de sua própria mente.

A brincadeira, no entanto, levanta uma dúvida que vai muito além da ficção: afinal, falar sozinho é normal?


Segundo o neurologista Dr. Renato Gama, médico e professor da pós-graduação em Neurologia da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, sim. Conversar consigo mesmo é um comportamento bastante comum e, na maioria das vezes, não representa qualquer problema de saúde.

“O diálogo consigo mesmo faz parte do funcionamento normal do cérebro. Muitas pessoas verbalizam pensamentos para organizar ideias, planejar ações, melhorar a concentração ou lidar com emoções. Esse comportamento, por si só, não deve ser confundido com doenças neurológicas ou transtornos psiquiátricos”, explica o especialista.

Um estudo publicado na revista The Quarterly Journal of Experimental Psychology, conduzido pelo pesquisador Gary Lupyan, da Universidade de Wisconsin-Madison, mostrou que verbalizar em voz alta o nome de um objeto durante uma busca visual pode aumentar a eficiência da tarefa, sugerindo que a linguagem ajuda a direcionar a atenção.

Quando falar sozinho é considerado normal?

O neurologista aponta 4 sinais de quando o comportamento tende a ser considerado saudável:
1) Ter consciência de que se está falando consigo mesmo;
2) Usa a fala para se organizar, estudar, lembrar tarefas ou tomar decisões;
3) Consegue interromper o comportamento quando deseja;
4) Não apresenta prejuízo no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou na rotina.

E quando pode se tornar patológico?

Segundo o Dr. Rafael Matias, psiquiatra e professor da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, a recomendação é procurar avaliação com um médico psiquiatra quando a fala vier acompanhada de alucinações, ou seja, ouvir vozes que outras pessoas não ouvem; delírios ou crenças desconectadas da realidade; desorientação; perda do contato com a realidade e prejuízo significativo na vida social, profissional ou familiar.

“O principal critério é o contexto. É diferente conversar consigo mesmo de acreditar que está dialogando com alguém que não existe ou apresentar perda do senso de realidade. Nesses casos, a avaliação médica é importante para investigar possíveis causas neurológicas ou psiquiátricas”, afirma o Dr. Rafael Matias.

O tema ganha relevância em um momento em que os transtornos mentais seguem em alta no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,1 bilhão de pessoas, quase uma em cada sete, viviam com algum transtorno mental em 2021. A entidade também destaca que os casos de ansiedade e depressão aumentaram significativamente após a pandemia de Covid-19, reforçando a importância de diferenciar comportamentos cotidianos de sinais que realmente exigem investigação médica.



 

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JOãO PEDRO URBANO DOS SANTOS
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