O celular se tornou uma extensão da vida moderna. Seja para trabalhar, estudar, se informar ou manter contato com amigos e familiares, os dispositivos móveis ocupam um espaço cada vez maior na rotina das pessoas. No entanto, especialistas alertam que o uso excessivo da tecnologia pode trazer consequências importantes para a saúde mental e para a qualidade de vida.
Dados do relatório Digital 2025, produzido pela DataReportal, mostram que os brasileiros passam, em média, mais de 9 horas por dia conectados à internet, colocando o país entre os mais conectados do mundo. Nesse cenário, cresce também a preocupação com os impactos do uso constante de celulares e redes sociais sobre o bem-estar emocional e psicológico.
Para o psiquiatra Oswaldo Norbim, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela passa a ocupar um espaço excessivo na vida das pessoas.
“A tecnologia trouxe inúmeros benefícios e facilitou diversos aspectos da vida moderna. A questão é quando ela deixa de ser uma ferramenta e passa a dominar a rotina, interferindo na capacidade de concentração, no sono, nos relacionamentos e até na forma como lidamos com emoções difíceis”, explica.
Segundo o especialista, um dos principais sinais de alerta é a necessidade constante de verificar notificações, mensagens ou redes sociais, mesmo sem uma demanda real. A sensação de ansiedade ao ficar longe do aparelho, a dificuldade de permanecer desconectado por períodos curtos e a perda de interesse por atividades presenciais também podem indicar uma relação pouco saudável com a tecnologia.
O impacto é ainda mais significativo quando o uso excessivo das telas afeta hábitos fundamentais para a saúde mental. A exposição prolongada a conteúdos digitais, especialmente durante a noite, pode comprometer a qualidade do sono, aumentar os níveis de ansiedade e prejudicar a capacidade de atenção e memória.
“Recebo com frequência pacientes que relatam dificuldade para dormir sem o celular por perto, que acordam durante a madrugada para checar mensagens ou que sentem desconforto quando estão desconectados. Muitas vezes, esses comportamentos já estão causando prejuízos importantes no funcionamento diário”, afirma Oswaldo.
Além dos impactos emocionais e cognitivos, a dependência tecnológica pode afetar relacionamentos familiares, profissionais e afetivos. Situações como interromper conversas para verificar o celular, reduzir momentos de convivência presencial ou sentir necessidade de registrar e compartilhar constantemente experiências são comportamentos cada vez mais comuns.
Para o psiquiatra, o primeiro passo é desenvolver uma relação mais consciente com a tecnologia, estabelecendo limites e observando o impacto que ela exerce na rotina.
“Nem todo uso intenso representa uma dependência. O que precisamos avaliar é se existe sofrimento, perda de controle ou prejuízo em áreas importantes da vida. Quando isso acontece, vale a pena buscar orientação profissional e repensar a forma como estamos nos relacionando com as ferramentas digitais”, conclui.
Fonte: Dr. Oswaldo Norbim, médico psiquiatra.
Conheça o trabalho em @psiquiatraoswaldonorbim
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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