Menopausa sem tabu: como tratar o ressecamento e a dor íntima sem depender exclusivamente de hormônios

Entenda como a fisioterapia pélvica melhora a vascularização e a elasticidade da região vaginal na maturidade, oferecendo uma alternativa científica e humanizada para mulheres que sofrem com o desconforto silencioso.

Por Bendita Letra
2 4 Min

Menopausa sem tabu: como tratar o ressecamento e a dor íntima sem depender exclusivamente de hormônios
Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
 

Existe um capítulo da menopausa que a maioria das mulheres prefere não abrir, nem para o próprio médico. O ressecamento vaginal e a dor durante o sexo, sintomas da chamada síndrome geniturinária da menopausa, atingem entre 36% e quase 90% das mulheres no período peri e pós-menopausa, segundo estimativas médicas. O dado mais alarmante, porém, é outro: cerca de 70% dessas mulheres nunca relatam o problema a um profissional de saúde, convivendo em silêncio com um desconforto que tem tratamento.

Esse silêncio tem explicação. Por décadas, a queda na libido, o ressecamento e a dor na relação foram tratados como parte "natural e inevitável" do envelhecimento, algo que a mulher deveria simplesmente aceitar. A fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira vê esse tabu de perto todos os dias em seu consultório. "A maioria das pacientes chega dizendo que demorou anos para falar sobre isso, porque achava que era feio, que era coisa de velha ou que não tinha jeito. É uma tristeza silenciosa que afeta a autoestima, o relacionamento e a qualidade de vida, e que na maioria das vezes tem solução", afirma.

Do ponto de vista biológico, a explicação está na queda do estrogênio, hormônio que mantém a espessura, a lubrificação e a elasticidade dos tecidos vaginais. Sem esse estímulo, a mucosa fica mais fina, seca e frágil, reduzindo também a vascularização da região, ou seja, o fluxo de sangue que mantém aquele tecido nutrido e saudável. É esse conjunto de fatores que transforma o sexo, antes prazeroso, em uma experiência dolorosa para muitas mulheres.

Embora a reposição hormonal seja uma opção eficaz e seguida por diversas pacientes, ela não é a única alternativa, e muitas mulheres, por contraindicações médicas ou escolha pessoal, buscam caminhos não hormonais. É nesse cenário que a fisioterapia pélvica ganha espaço como uma ferramenta científica capaz de devolver conforto e função à região íntima sem depender exclusivamente dos hormônios.

"O trabalho da fisioterapia pélvica na menopausa vai muito além de fortalecer músculos. Utilizamos técnicas manuais e recursos que estimulam a circulação sanguínea local, melhorando a nutrição dos tecidos e contribuindo para melhora do trofismo vaginal. Com isso, a mucosa recupera parte da elasticidade e da lubrificação que perdeu, e a dor na relação diminui de forma consistente", explica Flaviana.

Além do trabalho estrutural, a especialista destaca a importância do acolhimento nesse tipo de atendimento. Muitas mulheres chegam ao consultório carregando anos de vergonha e de relações abaladas por conta da dor, e o processo de tratamento passa também por devolver a elas a confiança de falar abertamente sobre o próprio corpo.

"Meu papel não é só tratar o tecido, é também abrir espaço para que essa mulher entenda que o que ela sente tem nome, tem causa e, principalmente, tem tratamento. Ninguém deveria abrir mão do prazer e do conforto simplesmente por ter atravessado a menopausa. A ciência e o cuidado humanizado caminham juntos para devolver a essa mulher o direito de viver essa fase sem dor e sem tabu", conclui.

 

Acompanhe o trabalho da Dra. Flaviana Teixeira nas redes sociais: @flavianateixeirafisiopelvica | flavianafisiopelvica.com.br

Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante



 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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