Muitas pessoas chegam aos 40 anos acreditando que o ganho de peso é consequência inevitável de um metabolismo "lento". A explicação parece simples e costuma ser repetida com frequência, mas a ciência mostra que essa não é toda a história. Embora existam mudanças fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, especialistas afirmam que o principal responsável pelo aumento do peso nessa fase da vida está no conjunto de hábitos que mudam ao longo dos anos, como a redução da atividade física, a perda de massa muscular, noites mal dormidas e alterações hormonais.
Um estudo publicado na revista Science mostrou que o gasto energético diário permanece relativamente estável entre os 20 e os 60 anos de idade, contrariando a ideia de que o metabolismo sofre uma queda brusca logo após os 40. Isso significa que, para a maioria das pessoas, o ganho de peso está muito mais relacionado às mudanças no estilo de vida do que a uma desaceleração metabólica significativa.
Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Matos, um dos fatores mais importantes é a perda gradual de massa muscular, processo conhecido como sarcopenia, que se intensifica com o passar dos anos quando não há estímulo adequado por meio da alimentação e da prática de exercícios físicos.
"O músculo é um tecido metabolicamente ativo. Quanto maior a quantidade de massa muscular, maior tende a ser o gasto energético do organismo. Quando a pessoa envelhece, se torna mais sedentária e não consome proteína suficiente, essa perda acontece naturalmente e acaba reduzindo o gasto calórico diário, mas isso é consequência dos hábitos, não apenas da idade", explica.
Outro fator frequentemente negligenciado é a qualidade do sono. Dormir pouco ou mal interfere na produção de hormônios relacionados ao controle da fome e da saciedade, favorecendo o aumento do apetite e a preferência por alimentos ricos em açúcar e gordura. Além disso, o estresse crônico e os níveis elevados de cortisol também podem contribuir para o acúmulo de gordura corporal, especialmente na região abdominal.
Nas mulheres, a chegada da menopausa também exerce influência importante. A redução dos níveis de estrogênio favorece alterações na distribuição da gordura corporal e pode aumentar a dificuldade para manter a massa muscular. Já nos homens, a diminuição gradual da testosterona também pode favorecer mudanças na composição corporal quando associada ao sedentarismo e à alimentação inadequada.
"As alterações hormonais existem e precisam ser consideradas, mas elas não explicam tudo. Muitas pessoas usam o metabolismo como justificativa para o ganho de peso quando, na verdade, houve uma redução importante da atividade física, piora da alimentação, aumento do estresse e diminuição da qualidade do sono. É o conjunto desses fatores que faz diferença", afirma Ana Paula.
Para a nutricionista, o maior erro é tentar compensar essas mudanças com dietas extremamente restritivas. Em vez de preservar a massa muscular, esse tipo de estratégia pode agravar o problema e tornar ainda mais difícil manter o peso a longo prazo. A recomendação é priorizar uma alimentação rica em proteínas, fibras, vegetais e gorduras de boa qualidade, além da prática regular de exercícios, especialmente os de força.
"Envelhecer não significa engordar obrigatoriamente. O que determina a saúde metabólica depois dos 40 são os hábitos que construímos ao longo da vida. Quando cuidamos da alimentação, preservamos a massa muscular, dormimos bem e mantemos uma rotina ativa, é possível atravessar essa fase com mais disposição, qualidade de vida e controle do peso", conclui.
Fonte: Ana Paula Matos – nutricionista funcional.
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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