O recente episódio que envolveu o meio-campista dinamarquês Christian Eriksen voltou a colocar a saúde cardiovascular dos atletas em evidência. No início deste mês, durante um amistoso entre Dinamarca e Ucrânia, o jogador passou mal em campo após receber uma descarga do cardiodesfibrilador implantável (CDI) que utiliza desde a parada cardíaca sofrida durante a Eurocopa de 2021.
O atleta foi prontamente atendido, recebeu alta médica e informou que o dispositivo funcionou conforme o esperado, protegendo-o de uma alteração potencialmente grave do ritmo cardíaco.
O caso Eriksen segue como uma das maiores referências quando o assunto é saúde cardiovascular no esporte de alto rendimento. Para especialistas, a trajetória do atleta reforça a importância da identificação precoce de fatores de risco e da adoção de protocolos rigorosos de acompanhamento médico.
Segundo o Dr Daniel Marañon Terrivel, Cardiologista, Diretor Social do Trasmontano Saúde e Gerente Médico das Unidades Ambulatoriais do Grupo Trasmontano, a evolução dos exames diagnósticos e das tecnologias de monitoramento tem ampliado a capacidade de identificar alterações cardíacas antes que elas se transformem em situações críticas. Para ele, embora eventos cardiovasculares graves em atletas sejam considerados raros, eles exigem atenção constante devido ao potencial impacto sobre a vida dos esportistas.
“O caso de Eriksen evidencia como a cardiologia esportiva evoluiu nos últimos anos. Hoje contamos com recursos capazes de detectar alterações estruturais e elétricas do coração de forma cada vez mais precisa, permitindo intervenções preventivas e acompanhamento individualizado”, explica.
Atualmente, avaliações como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste cardiopulmonar e exames complementares fazem parte da rotina de atletas profissionais. Esses procedimentos auxiliam na identificação de arritmias, cardiopatias hereditárias e outras condições que podem aumentar o risco de complicações durante a prática esportiva.
“Os exames periódicos são fundamentais para determinar se o atleta está apto para treinar e competir. Dependendo do histórico clínico e dos resultados encontrados, o acompanhamento pode ser intensificado para garantir maior segurança”, afirma o especialista.
Além da prevenção, os protocolos de resposta rápida em emergências cardiovasculares também desempenham papel decisivo. A presença de equipes treinadas e de equipamentos como o desfibrilador externo automático (DEA) nos estádios e centros esportivos tem contribuído significativamente para aumentar as chances de sobrevivência em situações críticas.
“O atendimento precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para um desfecho favorável. Cada minuto faz diferença quando ocorre uma parada cardíaca, por isso a preparação das equipes e a disponibilidade dos equipamentos são essenciais”, ressalta Dr. Daniel.
Outro avanço importante está no uso crescente de tecnologias de monitoramento. Relógios inteligentes, pulseiras esportivas e outros dispositivos vestíveis permitem acompanhar indicadores como frequência cardíaca, recuperação física e sinais de possíveis alterações fisiológicas. Em ambientes profissionais, esses dados são frequentemente integrados ao trabalho das equipes médicas para auxiliar na tomada de decisões relacionadas à carga de treinamento e ao desempenho dos atletas.
“Embora muitas dessas tecnologias estejam associadas ao esporte de alto rendimento, seus benefícios também podem alcançar praticantes amadores. Qualquer pessoa que pretenda iniciar ou intensificar a prática de atividades físicas deve realizar uma avaliação médica prévia”, orienta.
“Muitas doenças cardiovasculares podem permanecer assintomáticas por anos. A avaliação médica ajuda a identificar fatores de risco, orientar a prática esportiva de forma segura e reduzir a probabilidade de eventos graves”, explica.
Para o especialista, o principal legado de casos como o de Eriksen é demonstrar que prevenção, diagnóstico precoce e acesso à tecnologia podem fazer a diferença. “A medicina esportiva avançou significativamente nas últimas décadas. Hoje temos mais conhecimento, mais recursos e mais capacidade de monitoramento. Isso permite que atletas e praticantes de atividade física desenvolvam seu potencial com mais segurança e qualidade de vida”, finaliza Dr. Daniel Terrível.
Sobre a Rede IGESP
A primeira unidade foi fundada em 1955 – o Hospital IGESP Paulista. É uma rede de hospitais de máxima eficiência e perfil cirúrgico, com conceito atestado em sua competente equipe de profissionais da saúde, mobilizada para cuidar dos pacientes de forma global. O corpo clínico é composto por especialistas renomados, que estão em constante processo de atualização e aprimoramento de novas técnicas em busca de garantir a eficácia da assistência e o bem-estar dos pacientes. A rede IGESP conta com o hospital geral IGESP Paulista, o Hospital IGESP Santana (pronto atendimento) e a Unidade Ambulatorial IGESP-Praia Grande, além do mais completo hospital da Baixada Santista, o recém-inaugurado IGESP Litoral, que é especializado em procedimentos de alta complexidade e possui tecnologia de ponta em diversas especialidades médicas para oferecer atendimento adulto, pediátrico e, em breve, também obstétrico.
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GEOVANNA VEIGA CABRAL JARDIM
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