Os transtornos mentais já representam uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, o maior número já registrado no país. Diante desse cenário, especialistas alertam que muitas empresas continuam monitorando apenas indicadores financeiros e operacionais, sem avaliar os riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.
Embora produtividade, faturamento e desempenho sejam indicadores essenciais para qualquer organização, eles não revelam, sozinhos, as condições que sustentam esses resultados. Fatores como excesso de carga de trabalho, comunicação ineficiente, insegurança psicológica, conflitos entre equipes e modelos inadequados de liderança podem comprometer o desempenho dos colaboradores antes mesmo que os reflexos apareçam nos números.
A discussão ganha ainda mais relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a identificação, avaliação e o gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho. A medida amplia a responsabilidade das organizações na prevenção de fatores que podem contribuir para o adoecimento mental dos trabalhadores.
Para a psicóloga, doutora em Administração e especialista em Gestão de Saúde Corporativa, Renata Livramento, acompanhar apenas indicadores de resultado significa olhar para as consequências sem investigar suas causas.
"Os indicadores financeiros mostram o que está acontecendo com a empresa, mas não explicam por que aquilo está acontecendo. Quando riscos psicossociais deixam de ser monitorados, problemas relacionados ao clima organizacional, à liderança e à saúde mental podem evoluir silenciosamente até afetarem a produtividade e o desempenho das equipes", explica.
Segundo a especialista, sinais como aumento do absenteísmo, alta rotatividade, conflitos frequentes, queda no engajamento e crescimento das licenças médicas muitas vezes refletem questões organizacionais que poderiam ser identificadas preventivamente por meio de uma gestão mais estruturada dos fatores psicossociais.
A avaliação desses riscos também permite que as empresas desenvolvam estratégias mais eficazes para fortalecer a segurança psicológica, melhorar as relações de trabalho e preparar lideranças para lidar com equipes de forma mais saudável. Para Renata, essa mudança representa uma evolução na forma de compreender o desempenho organizacional.
"Resultados sustentáveis dependem de ambientes saudáveis. Empresas que passam a acompanhar também os riscos psicossociais conseguem tomar decisões mais estratégicas, prevenir adoecimentos e construir equipes mais engajadas, resilientes e produtivas", destaca.
Em um contexto em que saúde mental e desempenho caminham cada vez mais juntos, especialistas defendem que incluir os riscos psicossociais na gestão deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a representar um diferencial para organizações que buscam crescimento sustentável e relações de trabalho mais equilibradas.
Saiba mais sobre o trabalho da Renata Livramento: renatalivramento.com.br | @renata.livramento
Fonte: Renata Livramento — Psicóloga | Doutora em Administração | Especialista em Gestão de Saúde Corporativa.
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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