Descarte correto também é uma questão de saúde pública

Por LUIZ VALLOTO
2 4 Min

Descarte correto também é uma questão de saúde pública
Reciclus
Quando falamos sobre saúde pública, normalmente pensamos em hospitais, atendimento médico, vacinação e prevenção de doenças, mas existe um fator que muitas vezes passa despercebido e que também faz parte dessa equação, que é a forma como lidamos com os resíduos do dia a dia.
O descarte correto de resíduos tende a ser associado, popularmente, à separação do “lixo reciclável” do “lixo comum”. No entanto, ele vai além! Promove o reaproveitamento de materiais, reduzindo a extração de recursos naturais, e evita a contaminação ambiental. Dessa forma, podemos relacioná-lo à preservação ambiental, sendo um meio de proteção de recursos naturais, da fauna e flora, dos ecossistemas e da biodiversidade, contribuindo diretamente para o equilíbrio do meio ambiente, a qualidade de vida de todos os seres vivos e a saúde pública coletiva.  Esse olhar se torna ainda mais importante quando pensamos em produtos que, ao final da vida útil, demandam sistemas próprios de recolhimento e destinação. É o caso das lâmpadas que contêm mercúrio, presentes em residências, comércios e empresas, elas fazem parte da rotina de milhões de brasileiros e exigem um cuidado que começa justamente quando deixam de funcionar.
O descarte adequado  integra uma política pública estruturada conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que consolidou no Brasil o princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.Essa premissa reconhece que fabricantes, importadores, comerciantes, poder público e consumidores possuem responsabilidades complementares na destinação ambientalmente adequada dos resíduos.

A dimensão desse desafio pode ser observada nos dados mais recentes do setor. De acordo com a Associação Brasileira para a Gestão da Logística Reversa de Produtos de Iluminação (Reciclus), mais de 56 milhões de lâmpadas já foram coletadas e destinadas de forma ambientalmente adequada, desde 2017. Neste ano, a entidade coletou mais de 2 milhões de lâmpadas até o momento. Mais do que evidenciar a importância de sistemas de gestão de logística reversa, esse cenário reforça a necessidade de fortalecer o acesso à educação ambiental e estimular hábitos de descarte adequado como parte de uma agenda que também contribui para a saúde pública.
Mais do que depender exclusivamente de escolhas individuais, a consolidação de práticas adequadas de destinação de resíduos exige ações contínuas também do poder público em informação, educação ambiental e sensibilização da sociedade. Os avanços observados nos últimos anos mostram que esse caminho produz resultados concretos.
Cuidar da saúde pública também significa prestar atenção ao que acontece depois que um produto deixa de cumprir sua função. O destino que damos aos resíduos impacta os espaços em que vivemos, fortalece a conscientização coletiva e demonstra que pequenas decisões cotidianas também fazem parte da construção de cidades mais saudáveis.
*João Pedro Gomes dos Santos é Engenheiro Ambiental da Reciclus.
 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
LUIZ FERNANDO VALLOTO
[email protected]


Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://revistakdea360.com.br/.