A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou na quinta-feira (11/6) a formação do El Niño, fenômeno climático que ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Segundo a agência, as condições do El Niño já estão presentes e devem se intensificar ao longo do inverno de 2026 e 2027 no Hemisfério Norte. O boletim aponta 63% de probabilidade de o evento se tornar muito forte, com potencial para entrar no grupo dos maiores já registrados desde 1950.
A confirmação encerra meses de espera. A discussão deixou de ser se o fenômeno vai ocorrer e passou a ser qual será sua intensidade. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: mais chuva no Sul, com risco maior de temporais e cheias, redução de chuvas e seca no Norte e em parte do Nordeste, e mais ondas de calor no Sudeste e no Centro-Oeste. O pico previsto é entre novembro e janeiro.
No país, a movimentação já começou. A Defesa Civil Nacional reuniu órgãos federais para alinhar ações de prevenção, mitigação e resposta, e a nota técnica conjunta de INPE, INMET, Funceme, Cemaden e Censipam aponta tendência de chuvas acima da média no centro-sul, com o Rio Grande do Sul como o estado potencialmente mais impactado, e seca severa no Norte e Nordeste, com risco de incêndios florestais e ondas de calor a partir de agosto e setembro.
Para Pedro Curcio Jr., CEO da iNeeds, o anúncio precisa ser tratado como cronograma, não como manchete.
"A confirmação da NOAA não é uma surpresa, é um aviso com data marcada. O El Niño já está estabelecido e a pergunta deixou de ser se ele chega e passou a ser o tamanho do estrago que vamos permitir. Cidade preparada trata isso como planejamento, não como notícia de última hora."
O executivo, que atua na interseção entre crise climática e cidades inteligentes, defende que a prevenção hoje é, antes de tudo, uma questão de informação em tempo real.
"Prevenção hoje é dado vivo. Sensor de chuva, mapeamento de áreas de risco, alerta integrado entre Defesa Civil e população, tudo isso custa uma fração do que custa reconstruir um bairro inundado. Smart city não é luxo tecnológico, é gestão de risco climático aplicada ao dia a dia da cidade."
Curcio reforça que existe uma janela de ação clara até o pico do fenômeno, e que ela define quem atravessa o evento com perdas controladas.
"Temos uma janela de meses até o auge, entre novembro e janeiro, e é nela que se ganha ou se perde. Quem investir agora em monitoramento, drenagem, plano de contingência e comunicação de risco vai atravessar o El Niño. Quem esperar a primeira enchente para reagir vai pagar caro, em dinheiro e em vidas."
Um El Niño forte pode afetar a agricultura, os reservatórios de água, a geração de energia, a ocorrência de queimadas e até o preço dos alimentos. O fenômeno não causa o aquecimento global sozinho, mas, quando ocorre em um planeta já mais quente, reforça extremos de calor, seca e chuva intensa. Por isso, segundo a iNeeds, o foco não deve estar apenas na resposta ao desastre, e sim na redução do risco antes que ele se transforme em crise.
A empresa organiza a prevenção em três frentes complementares.
Gestão pública e municípios
Empresas e setor produtivo
Cidadãos
A mensagem central da iNeeds é direta: reagir depois da crise instalada custa muito mais, em recurso e em vida, do que investir em prevenção enquanto ainda há tempo. Os próximos meses, até o pico entre novembro e janeiro, são a janela para essa decisão.
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MARCELLA FERNANDES IZZO
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