O mito do líder nato: Por que a liderança é uma habilidade treinável e não um traço de personalidade

Saiba como a decisão e a organização transformam qualquer empresária técnica em uma líder de alto impacto

Por Bendita Letra
5 4 Min

O mito do líder nato: Por que a liderança é uma habilidade treinável e não um traço de personalidade
Alessandra Freitas

 

Uma pesquisa da HSM aponta que 71% dos executivos brasileiros não reconhecem boas lideranças dentro das suas próprias organizações,um dado que expõe, com precisão cirúrgica, o preço cobrado pela crença de que se nasce líder ou não se é líder. Para as donas de pequenas e médias empresas, esse equívoco tem consequências ainda mais concretas: ele paralisa o desenvolvimento, mantém a empresária presa na operação e compromete o crescimento do negócio.

Alessandra Freitas, CEO da Anima Impacto Consultoria e especialista em liderança feminina aplicada aos negócios, é direta ao rebater esse pensamento. "A liderança não é um dom reservado para poucos. É uma competência. E como toda competência, ela se aprecia, se pratica e se consolida com método. A empresária que ainda acredita que não tem perfil de líder está, na verdade, sem acesso às ferramentas certas", afirma.

O ponto de partida da discussão, segundo ela, está no perfil mais comum entre as empreendedoras de pequeno e médio porte: a especialista técnica que abriu o próprio negócio. Contadora, arquiteta, nutricionista, advogada, são mulheres que dominam profundamente o que fazem, mas que nunca foram preparadas formalmente para gerir pessoas, tomar decisões estratégicas sob pressão ou comunicar uma visão de futuro para uma equipe. "Ser boa no que faz é o ponto de partida. Mas o negócio cresce quando essa profissional para de ser a melhor executora da sala e passa a ser a líder que multiplica outras pessoas capazes de executar com ela", explica Alessandra.

A consultora identifica dois pilares que, quando desenvolvidos, transformam a trajetória de qualquer empresária: decisão e organização. Não se trata de personalidade extrovertida, carisma ou presença imponente. "Liderança de alto impacto começa quando a empresária decide com clareza onde quer chegar, organiza o caminho com intencionalidade e passa a se comunicar a partir dessa visão e não mais a partir do susto do dia. Isso não é dom. É postura treinada, semana a semana", pontua ela.

Para a especialista , um dos maiores obstáculos que impedem essa transição é o que ela chama de armadilha da operação: a empresária que responde a tudo, decide tudo e centraliza tudo porque ainda não aprendeu a confiar num processo estruturado. "Quando a dona do negócio está no operacional 100% do tempo, ela não está liderando. Está sobrevivendo. E nenhuma empresa cresce com uma líder no modo sobrevivência permanente", avalia a especialista, que trabalha diretamente com mulheres à frente de seus próprios negócios.

O recado que a consultora deixa às empresárias vai na contramão do discurso motivacional genérico. Liderança, para ela, é resultado de escolhas cotidianas, hábitos conscientes e estrutura, não de inspiração ou de um talento misterioso que se tem ou não se tem. "A mulher que decide crescer o seu negócio precisa entender que crescer exige que ela cresça primeiro como gestora de si mesma. Não existe empresa organizada com líder desorganizada. Não existe equipe alinhada com comunicação confusa. São habilidades. São treináveis. E o momento de começar é agora", conclui Alessandra Freitas.

 

Fonte: Alessandra Freitas - CEO Anima Impacto Consultoria

 

 

 

 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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