Estudo da Unifesp investiga relação entre condições meteo-oceanográficas e encalhes de baleia-de-Bryde no litoral sudeste-sul do Brasil
Pesquisa analisou 27 registros de encalhes de indivíduos mortos entre 2015 e 2024 e identificou os fatores que influenciam
Divulgação UNIFESP
Um estudo desenvolvido no Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp) - Campus Baixada Santista investigou como as condições meteorológicas e oceanográficas podem influenciar a aproximação de carcaças de baleia-de-Bryde às praias do sudeste-sul do Brasil. A pesquisa foi conduzida pela estudante Beatriz de Oliveira Salas, como parte de seu Trabalho de Conclusão de Curso do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia do Mar, e teve orientação de Gyrlene Aparecida Mendes da Silva, coorientação de Rodrigo Silvestre Martins e colaboração de Wandrey de Bortoli Watanabe, todos docentes do IMar/Unifesp.
Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Geografia Física, na Edição Especial: Pesquisa de Excelência em Meio Ambiente.
A baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) é considerada uma das espécies menos conhecidas entre os balaenopterídeos e, apesar de ter hábitos costeiros, ainda existem poucas informações sistematizadas sobre os fatores associados aos encalhes desses animais na costa brasileira.
27 encalhes analisados em quase uma década
A pesquisa reuniu registros históricos de encalhes de indivíduos mortos obtidos nos programas Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) e das Bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES), conduzidos no âmbito do licenciamento ambiental de atividades offshore da Petrobras.
Foram identificados 27 indivíduos mortos entre agosto de 2015 e 23 de outubro de 2024, ao longo da faixa costeira entre 19°S e 29°S, ao longo de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
A maior concentração de registros ocorreu em São Paulo: 51,9% dos casos, depois Santa Catarina: 25,9% e em terceiro no Paraná: 11,1%. Já Rio de Janeiro e Espírito Santo houve menor número de ocorrências, com 7,4% e 3,7% dos casos, respectivamente. Em termos temporais, os encalhes apresentaram maior frequência nos meses da primavera austral, com destaque para outubro (25,9%) e novembro (18,5%).
Para compreender possíveis fatores ambientais relacionados aos eventos, a estudante analisou variáveis como direção e velocidade dos ventos em superfície e cobertura de nuvens obtidas de reanálises do ECMWF e temperatura da superfície do mar da NASA.
A análise indicou que os encalhes ocorreram, em média, em períodos caracterizados por:
Papel da ressurgência costeira
Os resultados também apontam a influência do fenômeno de ressurgência costeira, processo em que águas mais frias e ricas em nutrientes sobem das camadas mais profundas para a superfície.
Segundo a pesquisadora Gyrlene Aparecida Mendes da Silva, o estudo identificou que a ressurgência costeira foi influenciada pelo Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) que manteve os ventos em superfície mais paralelos à costa do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Já a interação do ASAS com fenômenos de deslocamento mais rápido, chamados de transientes, fez com que os ventos superficiais ficassem mais perpendiculares nas regiões costeiras de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Com a persistência dessas características, a nebulosidade aumentou, possivelmente, devido à convergência de umidade de origem oceânica junto à costa. O movimento ascendente característico da ressurgência pode ter contribuído para elevar carcaças submersas à superfície, que posteriormente seriam transportadas em direção à costa por correntes superficiais e pela ação dos ventos.
“Embora a pesquisa não tenha determinado as causas da morte dos animais, os resultados indicam que variáveis meteorológicas e oceanográficas podem influenciar a chegada das carcaças às praias, contribuindo para a compreensão dos padrões de encalhe”, avalia.
Os autores destacam que estudos desse tipo são importantes para ampliar o conhecimento sobre a ecologia da baleia-de-Bryde no Brasil, espécie cuja população ainda não possui estimativas consolidadas no Brasil e que permanece relativamente pouco estudada entre os cetáceos.
A pesquisa pode ser acessada no link: https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/266679/51514.
Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Geografia Física, na Edição Especial: Pesquisa de Excelência em Meio Ambiente.
A baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) é considerada uma das espécies menos conhecidas entre os balaenopterídeos e, apesar de ter hábitos costeiros, ainda existem poucas informações sistematizadas sobre os fatores associados aos encalhes desses animais na costa brasileira.
27 encalhes analisados em quase uma década
A pesquisa reuniu registros históricos de encalhes de indivíduos mortos obtidos nos programas Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) e das Bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES), conduzidos no âmbito do licenciamento ambiental de atividades offshore da Petrobras.
Foram identificados 27 indivíduos mortos entre agosto de 2015 e 23 de outubro de 2024, ao longo da faixa costeira entre 19°S e 29°S, ao longo de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
A maior concentração de registros ocorreu em São Paulo: 51,9% dos casos, depois Santa Catarina: 25,9% e em terceiro no Paraná: 11,1%. Já Rio de Janeiro e Espírito Santo houve menor número de ocorrências, com 7,4% e 3,7% dos casos, respectivamente. Em termos temporais, os encalhes apresentaram maior frequência nos meses da primavera austral, com destaque para outubro (25,9%) e novembro (18,5%).
Para compreender possíveis fatores ambientais relacionados aos eventos, a estudante analisou variáveis como direção e velocidade dos ventos em superfície e cobertura de nuvens obtidas de reanálises do ECMWF e temperatura da superfície do mar da NASA.
A análise indicou que os encalhes ocorreram, em média, em períodos caracterizados por:
- ventos persistentes fracos a moderados vindos do oceano,
- aumento da nebulosidade,
- águas costeiras ligeiramente mais frias em comparação ao entorno.
Papel da ressurgência costeira
Os resultados também apontam a influência do fenômeno de ressurgência costeira, processo em que águas mais frias e ricas em nutrientes sobem das camadas mais profundas para a superfície.
Segundo a pesquisadora Gyrlene Aparecida Mendes da Silva, o estudo identificou que a ressurgência costeira foi influenciada pelo Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) que manteve os ventos em superfície mais paralelos à costa do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Já a interação do ASAS com fenômenos de deslocamento mais rápido, chamados de transientes, fez com que os ventos superficiais ficassem mais perpendiculares nas regiões costeiras de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Com a persistência dessas características, a nebulosidade aumentou, possivelmente, devido à convergência de umidade de origem oceânica junto à costa. O movimento ascendente característico da ressurgência pode ter contribuído para elevar carcaças submersas à superfície, que posteriormente seriam transportadas em direção à costa por correntes superficiais e pela ação dos ventos.
“Embora a pesquisa não tenha determinado as causas da morte dos animais, os resultados indicam que variáveis meteorológicas e oceanográficas podem influenciar a chegada das carcaças às praias, contribuindo para a compreensão dos padrões de encalhe”, avalia.
Os autores destacam que estudos desse tipo são importantes para ampliar o conhecimento sobre a ecologia da baleia-de-Bryde no Brasil, espécie cuja população ainda não possui estimativas consolidadas no Brasil e que permanece relativamente pouco estudada entre os cetáceos.
A pesquisa pode ser acessada no link: https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/266679/51514.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): LIGIA CARLA GABRIELLI BERTO
contato@aiscomunicacao.com.br