O fim da guerra fiscal redesenha a logística no Brasil e acelera a volta dos CDs aos grandes centros

Reforma tributária estimula empresas a aproximarem operações do consumidor final e Inventa acompanha movimento com expansão no Sudeste

Por SAMANTHA DI KHALI
17 6 Min

O fim da guerra fiscal redesenha a logística no Brasil e acelera a volta dos CDs aos grandes centros
Divulgação
A reforma tributária brasileira começa a provocar mudanças estruturais na logística do país ao enfraquecer a guerra fiscal entre estados e estimular a reaproximação dos centros de distribuição dos grandes mercados consumidores. Com a tributação passando a incidir no destino do consumo, empresas tendem a rever a localização de suas operações, priorizando a proximidade com os seus consumidores.

A mudança altera uma lógica que, por décadas, incentivou a instalação de centros de distribuição em estados vizinhos, motivada principalmente por benefícios fiscais. Com a unificação de tributos como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI num modelo baseado no valor agregado, decisões logísticas passam a ser guiadas por critérios operacionais e econômicos, como proximidade do consumidor, infraestrutura e eficiência de distribuição.


O impacto é especialmente significativo na Região Sudeste, que concentra a maior fatia da atividade econômica nacional. Segundo dados do IBGE, São Paulo responde por cerca de 31% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, enquanto Minas Gerais representa aproximadamente até 9,5%, formando, junto com o Rio de Janeiro (10,5%), o principal eixo de consumo, indústria e serviços do Brasil. Nesse contexto, estar próximo desses mercados se torna um diferencial estratégico cada vez mais relevante.

Segundo Lucilene Prado, advogada tributarista e pesquisadora de reformas tributárias, a reforma corrige distorções históricas na tomada de decisão das empresas. “Com a tributação no destino, a escolha sobre onde instalar um centro de distribuição deixa de ser fiscal e passa a ser essencialmente econômica e operacional. Isso aproxima as empresas dos mercados consumidores, dos pólos industriais e das principais infra estruturas logísticas do país”, afirma.

Esse movimento já começa a se refletir na prática. Empresas que mantinham centros de distribuição em estados vizinhos passam a reavaliar suas estruturas, com tendência de recentralização dos CDs em regiões metropolitanas e corredores industriais, como a Grande São Paulo e o eixo São Paulo–Minas Gerais.

Empresas já antecipam movimento

Inventa, plataforma full service que integra indústria, tecnologia e varejo, está entre as companhias que se antecipam a essa nova dinâmica. A empresa já opera com um centro de distribuição em São Paulo e planeja a abertura de uma segunda unidade em Minas Gerais, ampliando sua presença no Sudeste e fortalecendo sua estratégia logística.

Para Omar Jarouche, CRO da Inventa, a decisão está alinhada às mudanças trazidas pela reforma tributária. “Atualmente temos um centro de distribuição em São Paulo e já planejamos a implantação de uma segunda unidade em Minas Gerais. Essa estratégia busca maior eficiência logística, redução de prazos de entrega e maior proximidade com fornecedores, indústrias e o consumidor final, em um cenário de crescente exigência por agilidade e previsibilidade”, destaca o executivo.

Do ponto de vista jurídico, a expectativa é que esse reposicionamento se intensifique ao longo do período de transição da reforma, previsto até 2033. “À medida que os benefícios fiscais estaduais perdem relevância e o novo sistema ganha previsibilidade, as empresas tendem a revisar suas estruturas logísticas de forma mais profunda”, explica Prado.

Impacto viário e alta no custo dos aluguéis preocupam 

Apesar dos ganhos operacionais, a concentração de centros de distribuição em grandes regiões metropolitanas também traz desafios. O aumento da demanda por galpões logísticos tende a pressionar os custos de aluguel em áreas estratégicas, além de gerar impactos no trânsito urbano, com maior circulação de caminhões e veículos de carga. O cenário exige planejamento integrado entre empresas e poder público para mitigar gargalos de infraestrutura e mobilidade.

Com a implementação gradual da reforma tributária até 2033, a reorganização da logística nacional deve ganhar força nos próximos anos. Empresas que conseguirem equilibrar eficiência operacional, custos imobiliários e impactos urbanos estarão mais bem posicionadas em um mercado cada vez mais competitivo.

Sobre a Inventa

A Inventa é uma empresa de tecnologia e infraestrutura comercial que conecta diretamente a indústria ao varejo. Após deixar o modelo tradicional de marketplace, a companhia reposicionou seu negócio para atuar como um elo estratégico da cadeia de abastecimento, assumindo todo o fluxo operacional entre fabricantes e lojistas. Seu modelo inclui gestão integrada de pedidos, análise de crédito, roteirização logística, acompanhamento de entrega e garantia de pagamento às indústrias — um diferencial raro no mercado B2B. Essa estrutura permite que as empresas tenham acesso facilitado a produtos, condições de compra e reposições mais rápidas, enquanto os fabricantes ganham previsibilidade, escala e segurança operacional. Com foco em eficiência, redução de fricções e fortalecimento do varejo independente, a Inventa se consolida como uma das principais plataformas de infraestrutura do país, ajudando milhares de negócios a crescerem de forma sustentável.

 

Mais informações: www.inventa.com.br

 


 

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