Como reduzir dívidas bancárias em até 90% sem cair em golpes de refinanciamento

Alexandre Sandim, advogado bancário e especialista em superendividamento, mostra por que a estrutura da dívida pesa mais do que a renda e explica como usar a Lei do Superendividamento e a negociação estratégica para recuperar a saúde financeira.

Por TALITA WODTKE
4 11 Min

Como reduzir dívidas bancárias em até 90% sem cair em golpes de refinanciamento
Divulgação
A inadimplência bancária no Brasil chegou a um ponto em que deixou de ser apenas um problema de algumas pessoas. Hoje, dívidas com bancos fazem parte da rotina de famílias inteiras, profissionais liberais, servidores públicos e pequenas empresas. Quem está endividado não sofre apenas com boletos. Sofre com ansiedade, medo de perder o nome limpo, vergonha de pedir ajuda e sensação de estar sempre um passo atrás.
Para Alexandre Sandim, advogado bancário e sócio da Sandim Advogados, responsável pelo perfil @alexandre.sandim.adv, o maior erro é acreditar que o problema está só na renda. Ele vê todos os dias clientes que ganham relativamente bem, mas vivem sufocados por contratos mal explicados, juros que crescem em silêncio e refinanciamentos que prometem alívio e entregam mais dor de cabeça. Na visão do especialista, não é apenas “quanto você ganha” que define sua situação. É “como a sua dívida foi montada”.


O que é superendividamento e por que ele cresce tanto
Superendividamento é o nome dado à situação em que a pessoa já não consegue pagar todas as suas dívidas sem sacrificar o básico da vida. É quando as parcelas e cobranças tomam tanta parte da renda que não sobra dinheiro para moradia, alimentação, remédios, transporte, luz e água. Não é apenas estar “apertado” no fim do mês. É viver em um estado permanente de sufoco financeiro.
A Lei do Superendividamento surgiu exatamente para enfrentar esse cenário. Ela permite que o consumidor reúna todas as dívidas de consumo, sente à frente dos credores e apresente um plano de pagamento que respeite o que se chama de mínimo existencial. Em linguagem simples, significa garantir que a pessoa não seja obrigada a escolher entre pagar a parcela do banco ou comprar comida. A lei funciona como uma espécie de recuperação judicial da pessoa física, mas exige boa fé, transparência e uso responsável do crédito.
Na prática, quando um caso chega ao escritório, Alexandre e sua equipe avaliam se o cliente se encaixa no conceito de superendividado. Eles analisam se há várias dívidas de consumo ao mesmo tempo, se o orçamento mensal já não comporta todas as parcelas e se não existe solução imediata apenas com uma renegociação simples. Somente depois dessa triagem é que a Lei do Superendividamento entra em cena como ferramenta estratégica.


Por que a maioria das dívidas não começa por falta de dinheiro
Existe uma ideia muito repetida de que “quem se endivida é porque não sabe ganhar dinheiro”. A experiência de Alexandre Sandim mostra o contrário. Ele atende clientes que perderam o emprego, sim, mas também atende empresários, servidores e profissionais que, em algum momento, tinham renda estável e mesmo assim se viram presos em dívidas que não paravam de crescer.
O padrão que se repete é outro. Em geral, a dívida começa quando alguém toma um crédito sem entender a fundo os juros e as condições. Depois vem outro contrato, mais um cartão, o limite do cheque especial, um refinanciamento que alonga o prazo e diminui a parcela, porém aumenta o total pago. A pessoa olha cada dívida isoladamente, sem perceber que, somadas, elas ocupam quase toda a renda.
Quando Alexandre compara o valor originalmente contratado com o saldo atual, muitos clientes se chocam. Descobrem que já pagaram o principal mais de uma vez e continuam devendo praticamente o mesmo. É nesse ponto que o trabalho técnico do advogado bancário se torna essencial. Em vez de “apagar incêndios” com novos empréstimos, a função é reorganizar a fotografia completa da vida financeira, mostrar o custo real de cada dívida e construir um plano que tenha começo, meio e fim.


Golpes de refinanciamento que prometem alívio e entregam mais sufoco
Com o avanço dos aplicativos bancários, ficou muito fácil renegociar dívidas com apenas um clique. O problema é que muitas dessas renegociações são vendidas como solução milagrosa. O cliente recebe uma mensagem dizendo que pode reduzir a parcela ou obter um bom desconto. Pressionado pelo medo, aceita, sem perceber que está criando um novo contrato, com novos juros e novo prazo.
Esse é um dos pontos em que Alexandre Sandim é mais enfático. Segundo ele, boa parte das pessoas que o procuram já passou por pelo menos um refinanciamento mal explicado. A parcela ficou menor, porém o valor total da dívida aumentou. Em alguns casos, a pessoa passa anos pagando e nunca vê o saldo cair de verdade.
Para fugir dessa armadilha, Alexandre recomenda três atitudes simples, mas poderosas. Primeiro, nunca aceitar uma proposta automática sem pedir um demonstrativo completo. É preciso comparar o valor total que seria pago pelo contrato atual com o valor total do novo acordo. Segundo, desconfiar de soluções que parecem mágicas e não explicam claramente taxas, prazos e encargos. Terceiro, entender que descontos muito altos costumam aparecer quando existe chance de quitação, ou ao menos de pagamento em poucas parcelas, e não quando se alonga o contrato por muitos anos.
Nesse ponto, a lógica muda. Em vez de pensar apenas em “quanto fica a parcela”, o consumidor precisa pensar em “quanto vai custar essa dívida do começo ao fim”. Esse tipo de mudança de mentalidade, incentivada pelos conteúdos de Alexandre nas redes, é o que abre espaço para decisões mais inteligentes.

Como usar a Lei do Superendividamento a favor do consumidor
Quando a situação foge completamente ao controle, a Lei do Superendividamento entra como aliada. O processo começa com um levantamento detalhado de todas as dívidas de consumo: cartões de crédito, empréstimos pessoais, consignados, crediários, contratos de serviços. A equipe de Alexandre organiza esses dados em planilhas, calcula a renda, verifica despesas básicas e identifica quanto é possível reservar mensalmente para um plano de pagamento sem destruir a vida da família.
Com essas informações, o consumidor pode pedir ao Judiciário uma audiência de conciliação coletiva. Nela, todos os credores são chamados para negociar ao mesmo tempo. Em vez de acordos pontuais com um banco de cada vez, constrói-se um plano global, com prazo definido, parcelas proporcionais à renda e metas claras de quitação. O juiz pode suspender cobranças enquanto as partes discutem, impedir novas práticas abusivas e homologar um plano que devolva previsibilidade ao orçamento.
Alexandre destaca que a lei não serve para premiar quem gasta de forma irresponsável. Ela foi criada para proteger quem, em algum momento, perdeu o controle apesar de agir com boa fé. Por isso, o trabalho de diagnóstico é tão importante. É preciso separar dívidas que podem entrar na repactuação de outras que exigem caminhos diferentes, como contratos imobiliários, dívidas empresariais e impostos.

A estratégia de negociação que funciona com bancos
Antes de ir à Justiça, muitos casos podem ser resolvidos com negociação bem feita. Para Alexandre, negociar com banco não é enfrentar um inimigo, e sim sentar com uma instituição que também tem interesse em receber e encerrar contratos problemáticos. Porém essa conversa só funciona quando o cliente chega preparado.
O primeiro passo é montar um mapa completo das dívidas. Nada de confiar apenas na memória ou em boletos soltos. É preciso reunir contratos, extratos, faturas, comprovantes de pagamento e correspondências. Com isso, calcula-se quanto foi contratado e quanto foi efetivamente pago, além do saldo atual.
O segundo passo é definir a capacidade real de pagamento. Isso significa colocar no papel todas as despesas básicas, aquilo que garante uma vida minimamente digna, e ver quanto sobra. A partir daí, desenha-se um valor máximo mensal que pode ser destinado ao plano de quitação, sem que a pessoa volte a se sufocar.
Só depois vem o terceiro passo, que é a negociação em si. O ideal é iniciar pelo caminho administrativo, usando canais oficiais de atendimento, ouvidorias e mutirões de renegociação, sempre apresentando propostas claras e justificadas. Quando as propostas do banco permanecem incompatíveis com a realidade do cliente, entra o quarto passo, que é a atuação jurídica mais firme, com ações de revisão, limitação de descontos e, se necessário, uso da Lei do Superendividamento.

Quando a ação judicial é necessária
Há situações em que negociar diretamente não basta. Juros muito acima do razoável, cobrança de valores que nem sequer constam do contrato, negativação sem aviso e pressão desmedida sobre o consumidor são exemplos de casos em que a via judicial se torna praticamente inevitável. Nessas ocasiões, Alexandre busca não só reduzir a dívida, mas também responsabilizar o banco por abusos cometidos.
Em processos desse tipo, a prova documental ganha força. Protocolos, e-mails, mensagens, prints de tela, extratos e gravações de ligações ajudam a mostrar ao juiz que o consumidor tentou resolver a situação por meios normais e foi ignorado ou mal orientado. A partir daí, o Judiciário pode reconhecer práticas abusivas, ajustar contratos, limitar cobranças e, em casos extremos, determinar indenizações.

Sair da dívida como ato de cidadania
Ao falar de dívidas, Alexandre Sandim raramente se limita aos números. Ele insiste que recuperar a saúde financeira é também um gesto de cidadania. Um consumidor bem informado exige contratos mais claros, questiona ofertas enganosas e recusa propostas que o mantêm preso a juros injustos. Isso, aos poucos, pressiona o sistema a oferecer crédito mais responsável para todos.
Sair das dívidas não significa nunca mais usar crédito. Significa aprender a usar crédito como instrumento de crescimento, e não como corrente que prende o futuro. Para quem se sente completamente perdido, o advogado deixa um recado direto. O primeiro passo é parar de contratar novos empréstimos sem análise técnica. O segundo é descobrir quanto realmente deve. O terceiro é buscar ajuda profissional para transformar um grande problema em um plano possível.
É exatamente nessa etapa que o trabalho de Alexandre Sandim, no escritório e nas redes, se destaca. Ele traduz a linguagem jurídica para termos que qualquer pessoa entende, conecta lei e prática diária e mostra que é possível negociar com bancos de forma firme, sem perder respeito próprio. Para quem acompanha seu conteúdo ou procura atendimento, a mensagem central é simples. Sua dívida não define seu futuro. O que define seu futuro é o que você decide fazer com ela a partir de hoje.


Instagram: @alexandre.sandim.adv
Site: www.sandimadvogados.com.br
 

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