Sem sintomas, mas em risco: por que o teste para hepatites virais não deve esperar

Infecções podem permanecer silenciosas por décadas e muitos casos são descobertos apenas em fases avançadas da doença

Por OS2 COMUNICAÇÃO
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É comum associar doenças graves a sintomas evidentes. No caso das hepatites virais, porém, essa lógica pode ser um risco. Muitas pessoas convivem durante anos com a infecção sem apresentar qualquer sinal, enquanto o vírus continua causando danos ao fígado de forma silenciosa. Por isso, o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, reforça a importância de um cuidado simples, mas decisivo: fazer o teste.

"As hepatites B e C, especialmente a hepatite C, podem permanecer por décadas sem provocar sintomas. Quando a pessoa finalmente procura atendimento, muitas vezes o fígado já sofreu lesões importantes, como cirrose ou até câncer", explica o infectologista Fernando Ruiz, do Hospital Evangélico de Sorocaba.

Embora muita gente acredite que o exame seja necessário apenas para quem apresenta sintomas ou pertence a grupos específicos, a recomendação atual é mais ampla. Segundo o especialista, todo adulto que nunca realizou a testagem deve considerar fazer o exame, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A recomendação é ainda mais importante para pessoas que receberam transfusão de sangue ou transplante antes de 1993, fizeram tatuagens, piercings ou procedimentos estéticos sem garantia de esterilização adequada, compartilharam objetos perfurocortantes, tiveram relações sexuais desprotegidas, utilizaram drogas injetáveis ou estão gestantes.

Sintomas que costumam passar despercebidos

Quando aparecem, os sinais das hepatites virais costumam ser inespecíficos e facilmente confundidos com outras condições. "Cansaço persistente, fraqueza, febre baixa, náuseas, dores musculares e um desconforto leve no lado direito do abdômen são sintomas que muitas pessoas atribuem ao estresse ou a uma virose comum", afirma Dr. Fernando.

Essa característica contribui para que o diagnóstico seja adiado, permitindo que a doença evolua silenciosamente.

O maior mito sobre as hepatites

Para o infectologista, a principal barreira ao diagnóstico precoce ainda é uma crença bastante difundida. "O maior mito é pensar: 'se eu não tenho sintomas, então não tenho hepatite'. Esse é justamente o principal motivo pelo qual muitos casos são descobertos apenas em fases avançadas da doença", explica.

Por isso, mesmo quem nunca apresentou qualquer sinal deve procurar uma unidade de saúde para realizar a testagem. Além de identificar precocemente uma infecção, o exame permite iniciar o tratamento antes que ocorram danos irreversíveis ao fígado.

"A hepatite C, por exemplo, apresenta índices de cura superiores a 95% quando tratada adequadamente", destaca o médico. Outro benefício da testagem é reduzir a transmissão da doença para parceiros e familiares e verificar se a pessoa está protegida pelas vacinas disponíveis contra as hepatites A e B ou se precisa completar o esquema vacinal.

Prevenção continua sendo a melhor estratégia

Além da vacinação contra as hepatites A e B, outras medidas ajudam a prevenir a infecção, como utilizar preservativo nas relações sexuais, evitar o compartilhamento de objetos perfurocortantes, como lâminas, agulhas, alicates de unha e canudos, e procurar estabelecimentos que adotem protocolos rigorosos de esterilização para tatuagens, piercings e procedimentos estéticos.

"O diagnóstico precoce salva vidas. Fazer o teste é um gesto simples que pode evitar complicações graves e interromper a cadeia de transmissão das hepatites virais", conclui o infectologista.


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