Espetáculo de dança 3ª aborda as marcas da guerra sobre o corpo

Nova criação do Grupo Corpo Molde traz à cena dez bailarinos e grades metálicas que se reconfiguram ao longo da obra em apresentações gratuitas no Teatro João Caetano

Por NOSSA SENHORA DA PAUTA ASSESSORIA DE COMUNICAçãO
5 5 Min

Crédito Tati Santos

Em um momento em que conflitos armados, deslocamentos forçados, disputas territoriais e o avanço da intolerância voltam a ocupar o centro do debate mundial, o espetáculo de dança propõe um olhar sobre a história e seus desdobramentos no presente. Com direção artística e coreografia de Renan Marangoni e direção técnica de Tati Santos, a nova obra do Grupo Corpo Molde estreia no Teatro João Caetano, com apresentações entre os dias 23 e 26 de julho, quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h.
Contemplado pela 38ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo, o espetáculo integra o projeto 3ª – A História no Tempo Presente e conclui a pesquisa dramatúrgica e coreográfica iniciada em Sapiens (2022) e aprofundada em Djovenski (2024), obras que investigam as questões humanitárias sob diferentes perspectivas.
No palco, dez bailarinos dividem o espaço com dez grades metálicas, criadas pelo cenógrafo Rager Luan, que deixam de ser apenas objetos cênicos para se tornarem elementos vivos da dramaturgia. Ao longo de sete cenas, elas assumem diferentes configurações, criando paisagens, fronteiras, abrigos, prisões e territórios em constante transformação. A cenografia se modifica continuamente, acompanhando um percurso que revela um corpo em permanente estado de tensão, silêncio, vazio e sobrevivência.
constrói uma experiência física e imagética em que o movimento investiga as marcas deixadas pelos conflitos do passado e seus reflexos no presente. A coreografia observa o corpo como um arquivo vivo da história, capaz de carregar memórias individuais e coletivas, revelando estados de guerra, vulnerabilidade, pertencimento e resistência.
Coreografia a partir da literatura
O ponto de partida conceitual da criação está nas reflexões propostas pelos livros A Terra Dá, A Terra Quer, de Antônio Bispo dos Santos, e Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak. A partir dessas leituras, o espetáculo amplia sua investigação sobre as formas de coexistência humana, os direitos coletivos e a urgência de preservar modos de vida diante de um cenário atravessado pela ruptura dos pactos sociais.
"Vivemos um tempo em que as guerras se encontram um parâmetro simultâneo, elas não acontecem apenas nos campos de batalha, mas também nas profundas disparidades sociais, na perda de direitos e no afastamento da nossa própria condição humana. O espetáculo nasce dessa inquietação e procura refletir sobre esse distanciamento da vida e da coexistência diante da possibilidade de uma guerra contemporânea. Mais do que apontar caminhos, queremos provocar uma pergunta: o que aprendemos com a história e como estamos escrevendo o futuro agora?", afirma o diretor artístico Renan Marangoni.
Sons e roupas de um mundo em conflito
Ao transformar a dança em espaço de memória, resistência e reflexão, faz do corpo um território político e poético, capaz de lembrar, resistir e imaginar outras possibilidades de existência.
A atmosfera da obra é ampliada pela trilha sonora, criada em parceria com a produtora Com.uns, que entrelaça sons de guerra a composições originais. Entre as vozes presentes na criação está a cantora moçambicana Lenna Bahule, cuja presença sonora amplia a dimensão sensorial da montagem e dialoga com a potência dos corpos em cena.
Os figurinos acompanham essa pesquisa estética ao flertarem com a alfaiataria, incorporando uma linguagem contemporânea construída com a reutilização de tecidos pelo figurinista Guilherme Silva (Pimzera). As peças evocam um possível estado de guerra sem recorrer à representação literal, reforçando a ideia de um conflito que também se manifesta na vida cotidiana.
Serviço:

Com o Grupo Corpo Molde
23 a 26 de julho, quinta-feira a sábado, 20h e domingo, 19h.
Teatro João Caetano – Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Mariana, São Paulo.
16 anos | 40 minutos | Gratuito.  

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): FREDERICO PAULA JUNIOR
imprensa@nossasenhoradapauta.com.br