Julho das Pretas: desconhecimento de direitos básicos mantém mulheres negras em situação de vulnerabilidade, aponta Instituto C

O Instituto C descobriu que, antes de discutir emprego ou empreendedorismo, muitas mulheres negras precisam descobrir que têm direito à moradia, benefícios sociais, proteção contra a violência, atendimento de saúde e apoio para seus filhos. Quando esse acesso acontece, a transformação começa.

Por ADVICE COMUNICAçãO CORPORATIVA
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Julho das Pretas: desconhecimento de direitos básicos mantém mulheres negras em situação de vulnerabilidade,
Instituto C
No mês em que o Brasil discute os direitos das mulheres negras, especialistas do Instituto C chamam atenção para uma realidade pouco visível: muitas mulheres em situação de vulnerabilidade sequer conhecem direitos básicos garantidos por lei. Moradia, benefícios sociais, proteção contra a violência, acesso à saúde e políticas públicas voltadas às crianças deixam de ser acessados pela falta de informação e ausência de uma rede de apoio capaz de orientar essas famílias.

Em 2025, sete em cada dez famílias em situação de vulnerabilidade social atendidas pelo Instituto C eram autodeclaradas pretas ou pardas. O dado revela como o racismo estrutural, a desigualdade de gênero e a pobreza continuam concentrando seus efeitos sobre as mulheres negras, que frequentemente acumulam a responsabilidade pelo cuidado da família, enfrentam maior vulnerabilidade econômica e têm menos conhecimento de direitos básicos. A experiência da organização mostra, porém, que esse cenário pode ser transformado: após o acompanhamento multidisciplinar, 95% das famílias ampliaram o conhecimento de seus direitos e o acesso à rede de proteção social, reforçando que informação, acolhimento e suporte para o acesso às políticas públicas são ferramentas concretas para romper ciclos de vulnerabilidade.


Principais desafios encontrados:
  1. Moradia e proteção: entre as demandas mais frequentes está o direito à moradia. Muitas mulheres vítimas de violência doméstica desconhecem benefícios previstos em políticas públicas, como o auxílio-aluguel previsto na Lei Maria da Penha como medida preventiva, permanecendo em situações de risco por falta de informação e orientação.
  2. Direitos das crianças acabam vindo antes dos próprios direitos: grande parte das famílias busca apoio para garantir atendimento na UBS, acesso ao CRAS, benefícios sociais, educação e documentação dos filhos. As necessidades das crianças se tornam prioridade absoluta e, nesse processo, as próprias mulheres acabam adiando ou abandonando seus direitos, inclusive de lazer, cultura e autocuidado, ampliando o isolamento social.
  3. Violência que nem sempre deixa marcas físicas: os atendimentos também revelam situações recorrentes de adoecimento emocional, psicológico, violência patrimonial e psicológica, além da violência física, comprometendo a autonomia financeira e dificultando o rompimento das relações abusivas.
  4. Sobrecarga do cuidado em famílias atípicas: entre mães de crianças com deficiência ou neurodivergentes, a jornada de cuidados costuma ser ainda mais intensa, reduzindo as possibilidades de trabalho, renda e convivência social.

A experiência do Instituto C mostra que a pobreza está imersa em um ciclo que envolve fragilidade emocional, sobrecarga de cuidados, desinformação e baixa autoestima.

Sem uma rede de apoio, muitas mulheres chegam emocionalmente exaustas e sem saber como acessar os serviços públicos. A sobrecarga, especialmente entre mães solo e mães de crianças atípicas, reduz o tempo disponível para estudar, trabalhar ou buscar oportunidades de geração de renda. Soma-se a isso uma autoestima fragilizada: muitas não reconhecem suas capacidades nem o valor do trabalho de cuidado que realizam diariamente, o que limita a construção de projetos de autonomia.

A experiência do Instituto C mostra que romper o ciclo da vulnerabilidade demanda tempo e exige vínculo para conseguir fortalecer a autoestima, ampliar o acesso à informação e construir uma rede de proteção capaz de devolver autonomia às mulheres. Por isso é tão importante o acompanhamento das famílias no longo prazo. Os resultados deste trabalho aparecem nos indicadores da organização: 42% das famílias aumentaram sua renda, com crescimento médio de 105%; 82% avançaram em autonomia; 95% ampliaram o acesso a direitos e serviços públicos; 78% fortaleceram a autoestima; 81% desenvolveram hábitos alimentares mais saudáveis; 87% ampliaram os vínculos comunitários; e 66% passaram a participar mais da vida escolar das crianças e adolescentes.

Sobre o Instituto C
O Instituto C é uma organização social sem fins lucrativos, que promove o cuidado integral de famílias com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Seu trabalho é voltado ao fortalecimento de vínculos e garantia de direitos para construção da autonomia, por meio de atendimento multidisciplinar, acolhimento qualificado e articulação com a rede intersetorial de políticas públicas.
 

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FERNANDA DE FELIPPE DABORI
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