Geadas e baixas temperaturas: como proteger o paisagismo residencial dos impactos do inverno

Com a ocorrência de ondas de frio e eventos climáticos cada vez mais intensos, paisagista e biólogo Júlio Sousa explica como preservar jardins e evitar perdas durante o inverno

Por THAMIRIS DE SOUZA
2 4 Min

Magnific

As ondas de frio intenso e as geadas têm se tornado mais frequentes em diferentes regiões do Brasil, trazendo desafios também para quem cultiva jardins residenciais. As baixas temperaturas podem causar queimaduras nas folhas, interromper o crescimento das plantas e, em casos mais severos, levar à morte de espécies sensíveis. No entanto, com planejamento e alguns cuidados preventivos, é possível reduzir significativamente os danos.

 

De acordo com o paisagista e biólogo Júlio Sousa, o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos reforça a necessidade de pensar o paisagismo de forma mais resiliente. "Hoje, o projeto paisagístico precisa considerar não apenas a estética, mas também a adaptação às mudanças climáticas. Escolher espécies adequadas e adotar práticas preventivas faz toda a diferença para manter o jardim saudável durante o inverno", afirma.

 

Entre as principais medidas de proteção está a cobertura das plantas mais sensíveis durante as noites de previsão de geada. Tecidos específicos para jardinagem, mantas térmicas ou até TNT agrícola ajudam a criar uma barreira contra o frio intenso, desde que permitam a circulação de ar. A cobertura deve ser retirada durante o dia para que as plantas recebam luz e ventilação.

 

A irrigação também merece atenção. Embora muitas pessoas reduzam completamente as regas no inverno, o manejo inadequado pode comprometer a resistência das plantas. O solo deve permanecer levemente úmido, evitando tanto o ressecamento quanto o encharcamento, que favorece o aparecimento de fungos e o apodrecimento das raízes. "Uma planta bem hidratada tende a suportar melhor os períodos de frio. O importante é ajustar a frequência das regas conforme a necessidade de cada espécie e as condições climáticas, sempre observando a umidade do solo", explica Júlio Sousa.

 

Outro fator determinante é a escolha das espécies. Em regiões sujeitas a baixas temperaturas, plantas naturalmente adaptadas ao frio apresentam maior resistência e exigem menos intervenções ao longo do ano. Árvores, arbustos e forrações adequados ao clima local também reduzem custos de manutenção e aumentam a longevidade do projeto paisagístico.

 

O especialista destaca ainda que a adubação deve ser planejada com cautela durante o inverno. Fertilizantes ricos em nitrogênio, que estimulam brotações, podem deixar a planta mais vulnerável às geadas quando aplicados em períodos de frio intenso. "Não existe uma solução única para todos os jardins. Cada projeto possui características específicas de clima, insolação e espécies. Por isso, o acompanhamento técnico e o manejo adequado são fundamentais para que o paisagismo continue bonito e saudável mesmo diante das variações climáticas", ressalta.

 

Além das medidas preventivas, Júlio recomenda evitar podas logo antes da chegada de frentes frias, pois os cortes recentes deixam os tecidos mais expostos às baixas temperaturas. Após episódios de geada, também é importante aguardar alguns dias antes de remover folhas queimadas, permitindo identificar com maior precisão quais partes da planta realmente foram comprometidas. "Proteger um jardim é investir na sua longevidade. Com pequenas adaptações no manejo e escolhas mais conscientes desde o planejamento, é possível enfrentar o inverno com muito mais segurança e preservar a beleza da paisagem durante todas as estações", conclui Júlio Sousa.

 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): THAMIRIS DE SOUZA
thamiris@textoimagem.com.br