Estudo aponta que 74% das empresas enfrentam custos inesperados com IA e identifica a governança como fator crítico para escalar a tecnologia

Levantamento realizado pela Sensedia e Squadra em parceria com a MIT Sloan Management Review Brasil indica que o diferencial competitivo deixa de ser a adoção da IA e passa a ser sua integração e governança em escala

Por JULIANA TANCLER
7 7 Min

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A Inteligência Artificial (IA) consolidou-se como prioridade estratégica para as empresas brasileiras, mas sua adoção ainda encontra barreiras para alcançar escala. É o que revela estudo realizado pela Sensedia e pela Squadra, em parceria com a MIT Sloan Management Review Brasil: embora 66,2% dos executivos apontem a IA como prioridade para o negócio, apenas 7,4% das organizações conseguiram integrá-la de forma ampla aos processos corporativos. 

 

O descompasso evidencia que o desafio deixou de ser experimentar IA e passou a ser operacionalizá-la em escala. Como consequência, 74% das organizações já enfrentam custos inesperados, redundâncias técnicas e riscos de conformidade decorrentes do uso descentralizado e pouco governado de ferramentas de IA. 

 

O levantamento combina uma pesquisa de maturidade realizada durante o APIX 2026, evento dedicado ao ecossistema de APIs e integrações promovido pela Sensedia, com entrevistas realizadas junto a lideranças de empresas como Bradesco, MAPFRE, Inter, Hcor, Sensedia, Squadra e Klabin, além de análises produzidas pela MIT Sloan Management Review e consultorias como Bain & Company, Gartner, McKinsey e Deloitte. 

 

Os dados apontam que ganhos em produtividade, automação e redução do tempo de resposta nem sempre se traduzem em crescimento proporcional ou vantagem competitiva. O diferencial passa menos pela adoção da IA em si e mais pela capacidade de integrá-la à arquitetura e aos processos centrais do negócio. 

 

Escala depende de dados e governança 

 

Os dados também revelam limitações na infraestrutura de informação das empresas. Para 54,4% dos profissionais de tecnologia, o acesso aos dados corporativos necessários para aplicações de IA ainda não ocorre de forma estruturada. Entre eles, 31,6% dependem da inserção manual de contexto nos prompts, enquanto 22,8% utilizam ferramentas sem acesso aos dados corporativos. 

 

A ausência de mecanismos estruturados de governança reforça esse cenário. Segundo o estudo, 41,4% dos profissionais técnicos trabalham sem processos consolidados de gestão de riscos, enquanto apenas 4,8% dos executivos afirmam contar com modelos completos de governança apoiados por plataformas dedicadas. 

 

Além disso, 80% das organizações ainda não possuem arquiteturas agênticas estruturadas e 68% não adotaram o protocolo MCP (Model Context Protocol) em ambientes de produção, elementos considerados fundamentais para a próxima geração de aplicações baseadas em agentes inteligentes. 

 

"Adotar IA já não é o principal desafio das empresas. À medida que agentes inteligentes passam a executar processos críticos, cresce a necessidade de uma arquitetura capaz de conectar dados, sistemas e modelos sob uma camada única de governança. Sem essa base, aumentam os custos, os riscos operacionais e a dificuldade para escalar a tecnologia", afirma Kleber Bacili, cofundador e CEO da Sensedia. 

 

Da adoção à escala 

 

O estudo indica que as empresas entram em uma nova etapa de maturidade. Após a expansão de copilotos e automações pontuais, o foco migra para operações escaláveis, integradas aos processos críticos e orientadas por resultados de negócio.

 

Nesse cenário, arquitetura corporativa, integração e governança passam a ser diferenciais competitivos. Empresas que mantêm iniciativas isoladas tendem a capturar apenas ganhos incrementais de eficiência, enquanto organizações que conectam IA aos processos centrais conseguem transformar a tecnologia em vantagem competitiva sustentável.

 

A pesquisa aponta ainda a evolução para ecossistemas de IA agêntica e arquiteturas multiagentes, nos quais aplicações deixam de atuar apenas como assistentes e passam a executar tarefas, tomar decisões e interagir autonomamente com sistemas corporativos. Para suportar esse novo modelo, será necessário evoluir para arquiteturas "agent-ready", capazes de fornecer acesso seguro, contextualizado e escalável a APIs, serviços e dados. 

 

APIs tornam-se infraestrutura da IA corporativa 

 

Com agentes inteligentes cada vez mais integrados aos fluxos operacionais, APIs e plataformas de integração assumem um papel estratégico na arquitetura corporativa.

O estudo conclui que as APIs deixam de atuar apenas como mecanismos de integração entre sistemas e passam a compor a infraestrutura responsável por fornecer contexto, rastreabilidade, segurança e governança para aplicações de IA.

 

"As APIs passam a ser a camada que conecta inteligência, processos e decisões. Em um ambiente orientado por agentes, tornam-se fundamentais para garantir governança, observabilidade, controle de custos e escalabilidade", afirma Marcílio Oliveira, cofundador da Sensedia.

 

Casos indicam o caminho para escalar a IA 

 

Os casos analisados mostram que organizações mais maduras compartilham uma característica comum: iniciativas de IA apoiadas em arquiteturas robustas de integração, dados e governança.

 

No Bradesco, mais de 600 aplicações de IA em produção geram cerca de R$ 250 milhões anuais em valor estimado. No Inter, mais de 500 modelos apoiam decisões críticas de crédito, fraude e personalização.

 

A MAPFRE utiliza agentes inteligentes em jornadas de atendimento e sinistros. O Hcor avança em arquitetura de interoperabilidade de dados e suporte clínico baseado em IA. Já a Klabin adota uma plataforma multiagente com governança centralizada e controle unificado.

 

Competitividade passa pela orquestração da IA 

 

De acordo com a pesquisa, até 2028, a maior parte das organizações deverá substituir experiências assistivas isoladas por fluxos inteligentes de automação ponta a ponta. Além disso, projeções do Gartner indicam que empresas que adicionarem IA a arquiteturas legadas, sem modernização estrutural, poderão enfrentar pressão significativa sobre suas margens.

 

"Nos próximos anos, a vantagem competitiva não será determinada pelo número de modelos de IA em operação, mas pela capacidade de orquestrar agentes, dados, APIs e sistemas dentro de uma arquitetura segura e governada. É essa infraestrutura que permitirá transformar experimentação em inteligência operacional em escala", conclui Bacili.

 

Para Rômulo Cioffi, Chief and Innovation Officer na Squadra, a IA generativa já começou a comoditizar parte significativa da engenharia de software, migrando o diferencial competitivo da execução para a arquitetura de decisão. “As empresas que vão liderar são aquelas capazes de integrar inteligência diretamente no fluxo operacional, com agentes inteligentes que são capazes de observar, interpretar, decidir, agir e aprender continuamente. O software deixa de ser o centro e a decisão vira infraestrutura”, afirma.

 

O estudo completo está disponível no link.


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