Personalização começa a definir alimentação nas escolas

Mudança reflete na transição de cardápios padronizados para modelos mais alinhados à identidade das instituições e à experiência dos estudantes

Por BETINI COMUNICAçãO
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A alimentação nas escolas tem deixado de ser orientada por cardápios padronizados, incorporando práticas de personalização alinhadas à identidade institucional, aos hábitos dos estudantes e ao projeto pedagógico de cada instituição. Para Ryung Hee Cho, diretora de novos negócios da Sanutrin, empresa especializada em refeições para estudantes e na promoção de hábitos alimentares saudáveis em toda a comunidade escolar, essa transição reflete uma transformação estrutural na forma como a alimentação é compreendida dentro do ambiente escolar.

Segundo ela, durante anos prevaleceu uma lógica de replicação, marcada por cardápios pouco flexíveis, processos rígidos e baixa adaptação às especificidades de cada instituição. Esse modelo começa a perder espaço à medida que escolas reforçam suas propostas pedagógicas e as famílias passam a demandar mais qualidade, transparência e atenção à experiência alimentar dos estudantes. “A expansão da Sanutrin é exemplo e resultado de um crescimento planejado e orientado por propósito. Nosso foco sempre foi atender escolas privadas de referência que compartilham dos mesmos valores que os nossos, como compromisso com a qualidade, com a saúde dos estudantes e com a excelência na experiência oferecida às famílias”, ressalta.

Nesse contexto, os critérios de atuação passam a considerar o perfil pedagógico e cultural da instituição, o alinhamento com a proposta gastronômica e nutricional e o potencial de construção de uma parceria de longo prazo. Atualmente, a empresa atende mais de 50 escolas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, servindo mais de 370 mil refeições por mês.

A mudança parte do reconhecimento de que a relação com a comida é construída em contextos diversos, atravessada por hábitos familiares, cultura local, restrições alimentares e pela própria proposta educacional. Ignorar essas variáveis afeta não apenas a aceitação das refeições, mas também a experiência dos estudantes no ambiente escolar. Nesse cenário, a personalização deixa de ser um diferencial e passa a orientar decisões operacionais.

Na Sanutrin, esse direcionamento se traduz na busca por equilíbrio entre padrão e flexibilidade. “Temos um padrão de qualidade inegociável que se aplica a todas as nossas unidades, em processos, higiene, formação de equipe e proposta nutricional. Mas dentro desse padrão, há espaço para personalização”, comenta Ryung, ressaltando que cada escola possui uma identidade própria, um perfil de alunos e uma cultura alimentar. “Isso pode se refletir em adaptações no cardápio e nas iniciativas de educação alimentar desenvolvidas em conjunto com a equipe pedagógica. A escuta ativa é parte essencial da nossa operação”, completa.

Necessidade de estrutura

Ao mesmo tempo em que avança, a personalização exige estrutura para se sustentar em escala. O crescimento da operação é acompanhado por investimentos em pessoas, com programas de desenvolvimento de lideranças, integração e capacitação contínua, além da atuação de equipes regionais dedicadas. Ferramentas de gestão permitem monitorar indicadores de desempenho, qualidade e satisfação em tempo real, garantindo consistência mesmo com a expansão.

Outro desdobramento desse modelo está na integração entre alimentação e aprendizado. “Desenvolvemos iniciativas que conectam o momento da refeição ao processo educativo, tornando as crianças e jovens protagonistas de escolhas mais conscientes e saudáveis”, diz. As ações incluem conteúdos adaptados por faixa etária, comunicação com as famílias e experiências conduzidas por um chef instrutor dentro das escolas.

Ryung conclui que, hoje, o desafio das instituições de ensino vai além de oferecer um serviço eficiente, mas de construir uma proposta coerente com sua identidade.


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