Sofás impecáveis, almofadas perfeitamente alinhadas, objetos decorativos milimetricamente posicionados e um ambiente digno de revista. Apesar da aparência sofisticada, muitas salas de estar acabam exercendo apenas uma função: serem admiradas. Na prática, esses espaços permanecem vazios durante grande parte do tempo, enquanto a família se reúne na cozinha, nos quartos ou até mesmo em frente às telas. O excesso de preocupação com a estética pode transformar um dos principais ambientes da casa em um verdadeiro showroom.
Essa realidade reflete uma mudança no comportamento dentro das residências. Com imóveis cada vez mais compactos e rotinas mais aceleradas, o design de interiores deixou de ter apenas uma função estética para assumir um papel importante na forma como as pessoas vivem e se relacionam dentro de casa. Mais do que bonito, um ambiente precisa convidar ao uso.
Segundo a designer de interiores Izabella Biancardine, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras, um dos erros mais comuns é desenvolver projetos pensando exclusivamente no impacto visual. "Muitas pessoas desejam reproduzir ambientes vistos na internet ou em revistas, mas esquecem de analisar como a família realmente utiliza aquele espaço. A casa precisa refletir a rotina de quem mora nela, e não apenas uma fotografia bonita", explica.
Entre os problemas mais frequentes estão móveis desproporcionais, excesso de objetos decorativos, circulação comprometida e layouts que dificultam a conversa entre as pessoas. Em vez de favorecer o convívio, esses elementos acabam tornando a permanência no ambiente pouco confortável e pouco prática.
A especialista destaca que o posicionamento dos móveis exerce papel fundamental nesse processo. Sofás voltados apenas para a televisão, poltronas isoladas e mesas de centro que dificultam a circulação podem limitar as interações entre familiares e convidados. "Quando pensamos no layout, precisamos considerar como as pessoas vão conversar, receber visitas, brincar com as crianças ou simplesmente relaxar. O espaço deve estimular esses momentos de convivência", afirma.
Outro aspecto importante é a iluminação. Ambientes excessivamente claros ou frios tendem a transmitir uma sensação menos acolhedora, enquanto um projeto luminotécnico bem planejado cria diferentes cenários para cada ocasião, tornando a sala mais confortável tanto para receber amigos quanto para aproveitar momentos em família.
Além disso, a escolha dos materiais e do mobiliário deve equilibrar estética e praticidade. Tecidos resistentes, móveis confortáveis e soluções compatíveis com a rotina da casa ajudam a reduzir o receio de usar o ambiente no dia a dia. "Não faz sentido criar uma sala onde ninguém senta porque tem medo de estragar o sofá ou desarrumar a decoração. O projeto precisa funcionar para a vida real", ressalta Izabella.
A profissional observa que, cada vez mais, os clientes têm buscado ambientes que proporcionem bem-estar e fortaleçam as relações familiares. Em vez de espaços rígidos e contemplativos, a tendência é criar salas versáteis, acolhedoras e adaptáveis às diferentes necessidades da rotina, desde um momento de descanso até encontros com amigos e familiares.
"Uma casa bem projetada é aquela que convida as pessoas a permanecerem nela. O verdadeiro sucesso de um projeto de interiores não está apenas nas fotos bonitas, mas na forma como ele melhora a experiência de quem vive aquele espaço todos os dias", conclui.
Fonte: Izabella Biancardine, designer de interiores, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras.
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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