Pacto Global da ONU – Rede Brasil lança Reflorestar o Corporativo, ação inédita de empregabilidade indígena no país

Em parceria com a BND Digital, iniciativa propõe sensibilizar empresas para a inclusão de pessoas indígenas, o desenvolvimento de lideranças e a implementação prática do ODS 18 no setor privado

Por JACKSON VIAPIANA/ MáQUINA
4 4 Min

Pacto Global da ONU – Rede Brasil lança Reflorestar o Corporativo, ação inédita de empregabilidade indígena
Pexels
O Pacto Global da ONU – Rede Brasil, representação local da maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, lança o Reflorestar o Corporativo, ação inédita de sensibilização corporativa voltada à empregabilidade indígena no país. A iniciativa busca apoiar empresas na construção de práticas mais inclusivas, sustentáveis e alinhadas ao ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial, objetivo brasileiro voltado à aceleração da igualdade étnico-racial em todas as esferas da sociedade.

Fruto da parceria entre os Movimentos Raça é Prioridade e Impacto Biomas, o projeto conta com a parceria técnica da BND Digital, empresa 100% indígena responsável pelo suporte especializado da iniciativa. A proposta é estruturar caminhos para que organizações brasileiras promovam um “reflorestamento” de conceitos e práticas institucionais, ampliando a presença indígena no setor privado.


Sub-representação no mercado
O Reflorestar o Corporativo nasce como resposta a um cenário de sub-representação indígena no mercado de trabalho. Nas maiores empresas do país, a participação indígena segue abaixo de 1% nas categorias analisadas, segundo levantamento do Instituto Ethos. A desigualdade se aprofunda nos cargos de alta liderança: homens indígenas representam apenas 0,1% desses postos, enquanto mulheres indígenas aparecem com 0% de participação, de acordo com pesquisa conduzida pelo mesmo instituto.

Entre as mulheres indígenas, o cenário é ainda mais crítico. De acordo com dados coletados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do primeiro trimestre de 2024, a taxa de desemprego chega a 12,5%, e cerca de 50% das mulheres indígenas ocupadas estão na informalidade. Os números evidenciam que a exclusão não está apenas no acesso ao trabalho, mas também na permanência, na ascensão profissional e na presença indígena nos espaços de decisão.

Sensibilização e práticas corporativas inclusivas
Para dar início a essa jornada de transformação, o projeto prevê duas atividades de sensibilização, a primeira em formato 100% digital e a segunda em formato híbrido. Os encontros irão abordar inclusão de pessoas indígenas, ambientes de trabalho sustentáveis, trajetórias de carreira, formação de lideranças antirracistas e políticas corporativas comprometidas com a equidade.

A pauta de empregabilidade será central, orientando empresas sobre como transformar compromissos institucionais, agendas ESG e marcos de direitos humanos em ações concretas de atração, contratação, desenvolvimento e permanência de talentos indígenas.

Para Verônica Vassalo, Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, ao fomentar esse debate junto às organizações, o projeto contribui diretamente para a implementação prática do ODS 18 no setor privado. “A iniciativa visa qualificar as métricas de diversidade corporativa, conectando profissionais e empreendedores indígenas, e estimulando transformações estruturais de longo prazo no mercado de trabalho, além de contribuir para o alcance da meta do Movimento Raça é Prioridade de ter 50% dos cargos de liderança ocupados por pessoas negras e indígenas até 2030”, enfatiza. “É mais uma ação catalizadora para o avanço da pauta de DEI, que já se consolidou como vetor estratégico para um negócio crescer de forma sustentável”, conclui.

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
JACKSON VIAPIANA
[email protected]


Notícias Relacionadas »