Sem cidadania não há trabalho digno

Por GISLENE ROSA
2 4 Min

Sem cidadania não há trabalho digno
Divulgação
Por Enilson Simões (Alemão)

Quando falamos sobre trabalho digno, muita gente pensa apenas em salário ou emprego. Mas a realidade mostra que a qualidade de vida de quem trabalha depende de muito mais do que isso.

Quem mora nos bairros da nossa cidade conhece bem essa realidade. O trabalhador acorda cedo, enfrenta horas no transporte público, muitas vezes encontra dificuldades para conseguir atendimento no posto de saúde, precisa de vagas em creches para os filhos e convive diariamente com problemas de segurança e infraestrutura. Tudo isso faz parte da cidadania.

O recente debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 trouxe uma reflexão importante: trabalhar não pode significar abrir mão da convivência com a família, do descanso ou do direito de viver com dignidade.

Ao longo da história, muitas das conquistas dos trabalhadores nasceram da organização coletiva. Férias remuneradas, licença-maternidade, previdência social e valorização do salário mínimo são exemplos de direitos que hoje fazem parte da vida dos brasileiros, mas que só foram conquistados graças à mobilização da sociedade.

No entanto, garantir qualidade de vida vai além do ambiente de trabalho. Um bairro com transporte eficiente, escolas de qualidade, unidades de saúde funcionando, áreas de lazer e segurança também faz parte das condições necessárias para que o trabalhador tenha uma vida digna.

Quando faltam políticas públicas, quem mais sente é justamente quem depende dos serviços públicos todos os dias. É a mãe que precisa de atendimento para o filho, o idoso que aguarda uma consulta, o trabalhador que perde horas no trânsito ou o jovem que busca uma oportunidade para estudar e construir seu futuro.

Por isso, defender cidadania é defender melhores condições de vida para toda a comunidade. Não se trata apenas de discutir direitos trabalhistas, mas de pensar em cidades mais humanas, onde as pessoas possam viver com dignidade dentro e fora do ambiente de trabalho.

O movimento sindical continua tendo um papel importante nesse debate, mas a construção de uma sociedade mais justa depende também da participação da população, do fortalecimento das políticas públicas e do compromisso permanente com a redução das desigualdades.

No fim das contas, o desenvolvimento de uma cidade não pode ser medido apenas pelos números da economia. Ele precisa ser percebido na vida das pessoas: no tempo que elas passam com suas famílias, na qualidade dos serviços públicos que utilizam e nas oportunidades que encontram para viver melhor.

Porque trabalho digno não existe sem cidadania. E cidadania começa no bairro onde cada pessoa vive, trabalha, cria seus filhos e constrói sua história.

Enilson Simões (Alemão) é dirigente sindical, presidente do Sindbast e vice-presidente da UGT. Atua na defesa da valorização do trabalho, da cidadania e de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.

 

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GISLENE ROSA DA SILVA
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