Celular na madrugada: o cansaço que afeta alunos nas escolas de BH

A educadora Rose Gomes faz um alerta sobre os prejuízos cognitivos de crianças que passam a noite conectadas escondidas dos pais, resultando em exaustão física e falta de foco durante as aulas no dia seguinte.

Por Bendita Letra
1 4 Min

Celular na madrugada: o cansaço que afeta alunos nas escolas de BH
Rose Gomes
 

Sonolência constante, dificuldade de concentração, irritabilidade e queda no rendimento escolar. Esses são alguns dos sinais que têm chamado a atenção de professores em salas de aula de Belo Horizonte e de outras cidades do país. Por trás desse comportamento, um hábito cada vez mais comum preocupa educadores e especialistas: o uso do celular durante a madrugada por crianças e adolescentes.

O problema vai além do excesso de tempo de tela. Muitos estudantes permanecem conectados durante a noite, navegando em redes sociais, assistindo vídeos, jogando ou trocando mensagens escondidos dos pais, comprometendo horas essenciais de sono e chegando à escola já exaustos.

O impacto desse comportamento tem sido observado também em pesquisas. Um estudo recente apontou que mais da metade dos adolescentes utiliza o celular por uma hora ou mais durante a noite em dias de aula, e que muitos continuam usando o aparelho até mesmo entre meia-noite e quatro da manhã, período fundamental para o descanso e a recuperação cerebral.

Para Rose Gomes, professora de Língua Portuguesa, Redação e Literatura, fundadora do Teatro Educativo e da Ensino em Cena, a privação de sono tem reflexos diretos no aprendizado. Segundo ela, o problema aparece diariamente na rotina escolar.

"Temos encontrado alunos extremamente cansados logo nas primeiras aulas. Muitos demonstram dificuldade para prestar atenção, participar das atividades e até compreender conteúdos que normalmente assimilariam com facilidade. Em diversos casos, o motivo está relacionado ao uso do celular durante a madrugada", explica.

A educadora destaca que o sono é um dos principais aliados do processo de aprendizagem. É durante esse período que o cérebro consolida informações, organiza memórias e recupera funções cognitivas importantes para o desempenho acadêmico.

Além das dificuldades de atenção, a falta de descanso adequado pode gerar irritabilidade, oscilações de humor e menor capacidade de resolver problemas. Estudos também associam o uso noturno de telas à pior qualidade do sono e ao aumento da fadiga durante o dia.

Segundo Rose, o desafio envolve não apenas os estudantes, mas também as famílias. "Muitos pais acreditam que os filhos estão dormindo, quando na verdade continuam conectados por horas. O celular no quarto acaba se tornando uma grande tentação, principalmente durante a adolescência", afirma.

Para ela, estabelecer limites claros para o uso dos dispositivos, criar horários sem telas e incentivar atividades presenciais são medidas que podem contribuir para uma rotina mais saudável. O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas garantir que ela não comprometa necessidades básicas do desenvolvimento infantil.

"Aprender exige atenção, disposição e presença. Quando uma criança chega à escola cansada porque passou a madrugada no celular, ela perde muito mais do que horas de sono. Ela perde oportunidades de aprendizado, convivência e desenvolvimento", conclui.

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Fonte: Rose Gomes | Professora de Língua Portuguesa, Redação e Literatura | Fundadora do Teatro Educativo e da Ensino em Cena.




 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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