O medo de errar é um sentimento comum, mas com o tempo pode se tornar um problema grande, especialmente entre crianças e adolescentes. Nessa fase da vida, o desenvolvimento de aptidões exige tentativas e, consequentemente, falhas. Os mais jovens enfrentam um obstáculo extra durante esse processo: o medo de errar diante dos outros.
Uma das razões ocorre porque a população jovem já cresce inserida em uma sociedade hiperconectada, marcada pela busca constante pela aprovação do outro. Esse cenário pode gerar sofrimento ao fomentar a comparação com vidas consideradas perfeitas expostas nas redes sociais. “As redes sociais tendem a focar no sucesso e não na tentativa; são versões editadas que não mostram a vulnerabilidade. O erro raramente aparece e, quando aparece, muitas vezes vira motivo de ridicularização”, explica Tania Terpins, Coordenadora do Student Well Being Center na Beacon School.
Diante desse cenário, o ato de errar, parte fundamental do aprendizado humano, passa a ser encarado como uma ameaça. Para Maria Laura Sanchez Toca, Coordenadora do Student Well Being Center na Beacon School, esse modo de pensar é um fator prejudicial no desenvolvimento de crianças e adolescentes, visto que aprender implica arriscar, ajustar e tentar novamente. “Quando uma criança percebe que algo não funcionou e tenta de novo, ela desenvolve flexibilidade cognitiva, resolução de problemas, tolerância à frustração e persistência; competências fundamentais tanto para a vida acadêmica quanto emocional.”
O impacto da aversão à falha ganha força durante a fase de formação do indivíduo e pode ser percebido em diferentes comportamentos, como procrastinação, perfeccionismo, ansiedade intensa, esquiva a desafios, medo de exposição, desconforto diante da frustração, além da perda de encanto pelo aprendizado.
Para driblar essa problemática é necessária uma mudança de perspectiva: compreender o erro como uma oportunidade de crescimento e não como um fracasso. Nesse processo, a escola exerce um papel fundamental ao proporcionar um espaço seguro, onde o jovem pode experimentar, aprender e se desenvolver sem se sentir constantemente observado ou julgado.
Mais do que um espaço de desempenho, o ambiente escolar deve oferecer acolhimento e estabilidade, contribuindo para a formação de sujeitos autônomos, críticos e flexíveis. O mais importante é que crianças e adolescentes cresçam entendendo que falhar não define quem elas são. “Eu não sou meu erro, mas posso errar. Somos, de certa forma, ‘errantes’: seres em constante construção”, conclui Maria Laura, da Beacon School.
Sobre a Beacon School: Inaugurada em 2010, a Beacon School é referência em formação internacional por meio do currículo da International Baccalaureate (IB) - certificado de ensino internacional com validade no mundo todo. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, a instituição de ensino é marcada pelo rigor acadêmico e formação baseada em princípios. A formação dos alunos é baseada no estímulo à curiosidade e ao pensamento crítico. Mais informações no https://www.beaconschool.com.br/.
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VITÓRIA JOÃO LUZ
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