Efeito inverno: por que os meses frios aumentam a procura por cirurgia plástica?

Conforto no pós-operatório, menor exposição ao sol e proteção das cicatrizes ajudam a explicar crescimento sazonal da demanda, segundo especialistas

Por NADJA CORTES
1 5 Min

Efeito inverno: por que os meses frios aumentam a procura por cirurgia plástica?
Imagem: Freepik

Com a chegada das temperaturas mais baixas no Rio Grande do Sul, cresce também a procura por cirurgias plásticas. No Hospital Regina, da Rede Santa Catarina, em Novo Hamburgo, os meses de inverno costumam marcar um aumento na busca por procedimentos estéticos, especialmente cirurgias de mama e abdômen.

O fenômeno, já conhecido entre os cirurgiões plásticos como “efeito inverno”, está diretamente relacionado ao conforto durante a fase de recuperação e também ao planejamento dos pacientes que desejam chegar ao verão com resultados estabilizados e cicatrização mais avançada.

“O inverno oferece condições mais confortáveis para o pós-operatório. Há menos calor, menos suor e melhor adaptação às malhas e cintas compressivas, que fazem parte da recuperação de muitas cirurgias. Mas os cuidados médicos seguem os mesmos”, explica o cirurgião plástico do Hospital Regina (HR), Dr. Vinicius Oliveira.

Entre os procedimentos mais procurados nesta época estão abdominoplastia, lipoaspiração, mastopexia, mamoplastia redutora e implantes mamários. Segundo os especialistas, além da busca estética, muitas pacientes procuram as cirurgias após gestação, amamentação, grandes perdas de peso ou mudanças relacionadas ao envelhecimento.

A procura por cirurgias de mama e contorno corporal no Brasil envolve questões culturais. “Mama e abdômen são áreas valorizadas no perfil da mulher brasileira. São procedimentos ligados à autoestima, à percepção corporal e ao desejo de recuperar contornos após a gestação ou emagrecimento”, afirma o cirurgião plástico do HR, Dr. Maurício Castro Pilger.

Menos sol impacta a recuperação
Outro fator importante para o aumento da procura no inverno é a menor exposição solar. Durante o processo de cicatrização, o contato precoce com o sol pode provocar manchas e comprometer a qualidade da cicatriz.

“A exposição solar precoce pode favorecer manchas e piora da qualidade da cicatriz. Já a redução favorece os cuidados com a pele e com as cicatrizes, o que também contribui para que muitos pacientes escolham operar nesta época do ano”, destaca o Dr. Vinicius.

Planejamento antes do verão
Além das vantagens do clima frio, o planejamento também pesa na decisão. Muitos pacientes escolhem operar entre maio e agosto para ter mais tempo de recuperação até o verão, período em que há maior exposição do corpo.

Apesar do aumento da procura, os especialistas alertam que a estação do ano, sozinha, não determina o sucesso da cirurgia. Segurança, consulta prévia, avaliação individualizada e acompanhamento adequado continuam sendo os fatores mais importantes.

Erros comuns podem prejudicar
Entre os erros mais comuns no pós-operatório estão abandono precoce das cintas compressivas, esforço físico antes da liberação médica, automedicação e negligência nos retornos clínicos.

Outro alerta importante envolve a escolha do profissional e da estrutura onde o procedimento será realizado. Ter um hospital de qualidade, um médico cirurgião plástico especialista vinculado às sociedades de cirurgia plástica e equipe capacitada, realizar as consultas de revisão e ter o suporte continuado são cuidados indispensáveis.

“Um erro do paciente é procurar diminuir os processos do pós-operatório na busca de procedimentos mais acessíveis, como a não contratação de fisioterapeutas, o não investimento em malhas e medicamentos adequados ou mesmo em hospitais que não tenham condições de fazer sua cirurgia”, explica o especialista.

A consulta é o pontapé inicial para alinhar expectativas, orientar o paciente e planejar todo o processo cirúrgico e de recuperação. “A consulta é o primeiro passo e precisa ser criteriosa. Além disso, mais importante do que escolher o inverno é escolher uma equipe qualificada e uma estrutura hospitalar segura”, reforça Dr. Maurício.

Cirurgia plástica em alta no Brasil
O crescimento da procura acompanha uma tendência nacional. Segundo levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o Brasil realizou cerca de 2,35 milhões de cirurgias plásticas em 2024, mantendo-se entre os países líderes mundiais em procedimentos estéticos.


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