Clima impulsiona investimentos em automação e controle térmico na indústria vidreira brasileira

por Sven von Borries

Por WILLIAM LARA
1 7 Min

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A indústria vidreira brasileira atravessa uma fase de transição estrutural, na qual fatores climáticos, avanços tecnológicos e a crescente sofisticação das aplicações industriais passam a redefinir os padrões de produção, eficiência e competitividade. Em resposta, o setor acelera investimentos em automação, digitalização e sistemas de controle ambiental, com foco na redução de perdas e no aumento da previsibilidade operacional. 

Esse movimento ocorre em um contexto de crescimento moderado da demanda. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro), o setor acompanhou o desempenho da atividade econômica, registrando expansão gradual ao longo de 2025, sustentada pela diversificação do uso do vidro em segmentos como mobilidade, eletroeletrônicos, energia, arquitetura técnica e aplicações industriais de alta performance. 

Os dados mais recentes reforçam um cenário ainda heterogêneo. De acordo com a entidade, o desempenho do mercado vidreiro no primeiro trimestre de 2026 foi marcado por crescimento moderado e busca por eficiência. Diretamente ligada à construção civil, a cadeia acompanhou a lenta retomada do setor, que projeta expansão entre 1,9% e 2% neste ano. 

O panorama das indústrias e processadoras no início de 2026 também foi marcado por perspectivas positivas em relação a investimentos, adaptação operacional e geração de empregos. Entre os principais indicadores, destacou-se a intenção de contratação de novos talentos por parte de 54% das indústrias brasileiras no primeiro trimestre, representando crescimento significativo em comparação ao mesmo período do ano anterior. 

Além disso, 56% das empresas do setor planejaram realizar investimentos estratégicos, principalmente voltados à melhoria dos processos produtivos, prioridade apontada por 48% das indústrias, além da ampliação da capacidade operacional para atender às demandas do mercado. 

Essa combinação entre estabilidade conjuntural e transformação estrutural vem alterando o perfil da cadeia produtiva. Produtos de maior valor agregado, como vidros laminados e insulados, ampliaram sua participação no mercado. Segundo o relatório Panorama Abravidro, o desempenho dos vidros processados em 2025 registrou taxas menores de expansão em comparação ao salto histórico observado em 2024. Ainda assim, os dados consolidaram o vidro laminado com avanço de 15% no mercado de processados, enquanto o vidro insulado atingiu a marca recorde de 1% de participação, refletindo a busca contínua por conforto termoacústico e segurança. 

No ambiente produtivo, fatores climáticos passaram a ocupar papel central na estrutura de custos e na qualidade industrial. Altas temperaturas e elevados índices de umidade relativa do ar impactam diretamente etapas críticas da fabricação, como a têmpera - processo em que pequenas variações térmicas podem comprometer a distribuição das tensões internas, e, consequentemente, o desempenho mecânico e óptico do produto final. 

O cenário atual da indústria do vidro é marcado por desafios econômicos e técnicos que afetam diretamente a competitividade e a produção nacional. Paralelamente, fatores climáticos e oscilações de temperatura representam riscos importantes para os processos de fabricação e têmpera do vidro, exigindo investimentos em controle ambiental e climatização das plantas industriais para reduzir perdas, garantir a qualidade do produto e manter a eficiência operacional. 

A umidade, por sua vez, tornou-se uma variável crítica. O vidro apresenta comportamento higroreativo, ou seja, sensível à umidade e pode interagir com o vapor d’água em ambientes excessivamente úmidos, resultando em defeitos como manchas, irisação e delaminação. Na prática, esses efeitos se traduzem em aumento do retrabalho, elevação das taxas de refugo e perda de produtividade, com impacto direto nos custos industriais. 

Esse cenário reposiciona o controle ambiental como elemento estratégico da operação industrial. Mais do que uma função de suporte, ele passa a integrar decisões estruturais de investimento, ao lado de automação, digitalização e eficiência energética. O movimento acompanha o avanço da Indústria 4.0, marcado pela maior integração de dados, monitoramento em tempo real e busca contínua por estabilidade operacional. 

Nesse contexto, fornecedores especializados ganham relevância. Empresas que desenvolvem soluções para controle de umidade relativa do ar e temperatura em ambientes industriais críticos, com equipamentos capazes de operar em condições extremas e manter estabilidade mesmo em regiões de alta umidade, vêm conquistando espaço à medida que aumenta a complexidade dos processos produtivos. 

Além das mudanças no ambiente fabril, a demanda também reflete transformações estruturais no consumo industrial. A busca por eficiência energética tem impulsionado a adoção de vidros de controle solar, baixa emissividade e sistemas insulados, capazes de reduzir a carga térmica e o consumo energético em diferentes aplicações. Essas soluções contribuem para maior controle de variáveis críticas, ampliam a rastreabilidade dos processos e facilitam a adequação às normas técnicas. 

Em paralelo, a cadeia produtiva avança em sustentabilidade. Dados setoriais consolidados pela Abravidro apontam que a indústria superou a marca de 221 mil toneladas de embalagens de vidro redirecionadas à cadeia produtiva em 2024, com mais de 30% de reaproveitamento registrado ao longo de 2025. A perspectiva para 2026 é de ampliação contínua no uso de matéria-prima reciclada, alinhando a fabricação industrial à meta de atingir 40% de vidro reciclado até 2032. 

A convergência entre pressão climática, evolução tecnológica e sofisticação das aplicações industriais aponta para uma mudança estrutural na indústria vidreira. Mais do que crescimento em volume, o setor caminha para um modelo baseado em eficiência operacional, especialização e maior valor agregado, no qual o controle ambiental e da umidade relativa se consolidam como variáveis estratégicas de competitividade. 

Sven von Borries é CEO da Thermomatic, uma empresa orgulhosamente brasileira que atua globalmente no controle de umidade com linhas residenciais, comerciais e industriais há mais de 40 anos. 


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