Da Fundação CASA para o mercado de trabalho: jovem de Jacareí inicia trajetória como aprendiz em CRAS

Parceria entre Fundação CASA, Secretaria de Desenvolvimento Social, Ministério Público e rede de proteção garante a primeira oportunidade profissional de Lucas (nome fictício), 17 anos, e mostra o papel da política de pós-medida na construção de novos projetos de vida

Por ASSESSORIA DE COMUNICAçãO DA FUNDAçãO CASA
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Da Fundação CASA para o mercado de trabalho: jovem de Jacareí inicia trajetória como aprendiz em CRAS
Fundação CASA/Divulgação
O caminho profissional de Lucas (nome fictício), 17 anos, não começou em uma entrevista de emprego, mas em um pátio de centro socioeducativo, entre horários marcados, regras e conversas sobre futuro. Pouco a pouco, a medida cumprida no CASA Jacareí, centro socioeducativo da Fundação CASA, foi deixando de ser apenas uma obrigação para se tornar também uma janela de possibilidades. Foi nesse contexto que veio a notícia que mudou sua rotina: uma vaga no Programa Jovem Aprendiz, com início das atividades em um Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do município. De manhã, ele segue para o 2º ano do ensino médio; à tarde, atravessa a porta do equipamento público com crachá no peito e um novo tipo de responsabilidade nas mãos.

Por trás desse primeiro emprego, há uma rede inteira se movendo. O Programa Jovem Aprendiz de Jacareí é articulado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, em diálogo com o Ministério Público e com os serviços que compõem a proteção social no município. As empresas parceiras oferecem as vagas, mas é a rede que ajuda a escolher o momento certo, a preparar o adolescente, a garantir que o trabalho chegue como possibilidade e não como risco. No caso de Lucas, esse movimento foi acompanhado de perto pela equipe do CASA Jacareí, junto dele e de sua responsável, em um percurso que incluiu entrevistas, exames admissionais e formação teórica pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Cada etapa confirmava que o recomeço não se faz sozinho.


Essa articulação também dialoga com o Programa Depois do Amanhã, iniciativa da Fundação CASA voltada a apoiar adolescentes e jovens após o cumprimento da medida. Por meio do programa, são organizadas ações de acompanhamento, encaminhamento para cursos, articulação com políticas públicas de educação, trabalho e saúde e construção de redes de apoio que permanecem para além dos muros dos centros. O caso de Lucas é um exemplo concreto de como a lógica do Depois do Amanhã funciona na prática: a medida termina, mas o vínculo com oportunidades e com a rede continua.

No dia 18 de junho, quando começou a rotina no CRAS, Lucas também cruzou outro tipo de fronteira. Além de iniciar o trabalho, participou do 4º Fórum Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil em Jacareí, que discutiu formas seguras e legais de inserir adolescentes no mundo laboral. Entre falas técnicas e dados, sua história apareceu como exemplo vivo de que políticas públicas podem, sim, virar destino diferente para quem já conheceu de perto a vulnerabilidade. Em uma das falas, o assistente social Marcos Valdir Silva, integrante do Comitê Gestor do Programa, destacou como a rede de apoio institucional é decisiva para transformar vulnerabilidade em oportunidade e garantir que o trabalho chegue no momento certo, com proteção e acompanhamento.

Dentro do CASA Jacareí, a mudança já é percebida nos detalhes da rotina. Para a diretora da unidade, Jordhana Maria, não se trata apenas de um contrato, mas de um ponto de virada. “O impacto dessa conquista na trajetória do adolescente é significativo; trata-se de um verdadeiro divisor de águas em sua vida. Agora, ele inicia uma rotina estruturada, estudando no período da manhã e cumprindo quatro horas de atividade laborativa no CRAS. Essa cooperação com a Secretaria de Desenvolvimento Social de Jacareí demonstra a eficácia da política de pós-medida, proporcionando ao jovem ferramentas reais para a construção de sua autonomia e cidadania”, afirma.

Do lado da Fundação CASA, o caso de Lucas ganha contornos de símbolo. Ele é um rosto, uma história e, ao mesmo tempo, um lembrete de que o trabalho socioeducativo não termina na porta do centro. “Ver um jovem como Lucas conquistar seu primeiro espaço no mundo do trabalho é ver a medida socioeducativa cumprir seu propósito mais essencial: o de abrir portas. Essa conquista mostra o quanto a articulação com a rede faz diferença – quando escola, assistência social e empresas caminham juntas, o adolescente deixa de ser visto apenas pelo erro e passa a ser enxergado pelo potencial. Cada oportunidade como essa representa um passo concreto na construção de um novo projeto de vida e na possibilidade de um futuro diferente”, reforça o presidente interino da Fundação CASA, Oswaldo Caetano Junior.

Entre o registro em carteira e o uniforme do CRAS, há algo que não aparece nos documentos, mas que se revela no modo como Lucas passa a olhar para frente: a descoberta de que o futuro pode ser desenhado com outras cores. É justamente nesse encontro entre medida socioeducativa e oportunidade de trabalho que a história deixa de ser apenas um caso e passa a ser uma narrativa de recomeço.

Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.

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LAUREEN MELLO NOTTOLINI RUIZ
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