O inverno de 2026 começa sob influência direta do El Niño, fenômeno climático que acaba de se consolidar no Pacífico Equatorial e já provoca mudanças importantes nas projeções de temperatura e precipitação para o Brasil nos próximos meses. De acordo com análises da AtmosMarine, os dados mais recentes do Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA confirmam o estabelecimento definitivo do fenômeno, impulsionado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico e pelo enfraquecimento dos ventos alísios.
As projeções mais recentes indicam uma mudança significativa no cenário previsto até o início do ano que vem. Atualmente, os modelos apontam 63% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria de intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, o que o colocaria entre os eventos mais expressivos registrados desde o início da série histórica moderna.
“O que chama atenção nesta atualização é a velocidade com que os modelos aumentaram a probabilidade de um evento muito forte. Ainda existe incerteza sobre a magnitude final, mas o sinal de intensificação ficou muito mais consistente nas últimas rodadas de previsão”, explica Gabryele de Carvalho, meteorologista da AtmosMarine.
As análises indicam que o inverno deve apresentar temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional. No regime de chuvas, a tendência é de precipitações acima da climatologia nas regiões Norte e Sul, enquanto áreas do Nordeste e Sudeste podem registrar volumes abaixo da média.
Segundo a especialista, embora o El Niño exerça influência importante sobre o clima global, seus impactos no Brasil dependem da interação com outros sistemas atmosféricos e oceânicos. “Cada evento possui características próprias. Além do Pacífico Equatorial, fatores como o comportamento do Atlântico Sul e outros modos de variabilidade climática também influenciam a distribuição das chuvas e das temperaturas sobre o país”, afirma.
Além dos reflexos sobre a agricultura, o cenário exige atenção de setores como energia, logística, infraestrutura e gestão de ativos, que podem ser impactados por extremos climáticos, períodos de estiagem mais prolongados e aumento do risco de queimadas em algumas regiões. "Diante desse contexto, o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas torna-se uma ferramenta estratégica para antecipar riscos e apoiar a tomada de decisões em atividades diretamente dependentes do clima”, finaliza Gabryele.
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ERIC REALE FINGER
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