Mitos e verdades sobre o Mercado Livre de Energia: como funciona o modelo que vem transformando a forma de contratar energia no país

Especialista da Matrix Energia explica, de forma prática, como funciona o modelo de contratação no ambiente livre e esclarece as principais dúvidas que ainda dificultam a migração de empresas

Por FERNANDA COCELLI
4 9 Min

Mitos e verdades sobre o Mercado Livre de Energia: como funciona o modelo que vem transformando a forma de
Imagem de Tom por Pixabay
Com a abertura gradual do setor elétrico brasileiro, o chamado Mercado Livre de Energia tem se consolidado como uma alternativa cada vez mais relevante para empresas que buscam reduzir custos e, principalmente, ganhar previsibilidade na gestão de um dos seus principais insumos. Diferentemente do modelo tradicional, em que a energia é contratada de forma padronizada junto à distribuidora, o ambiente livre permite que o consumidor escolha seu fornecedor e negocie diretamente as condições de compra.

Na prática, isso significa mais autonomia para definir preços, prazos e volumes de contratação, adequando o consumo de energia às necessidades e ao planejamento financeiro do negócio. Ainda assim, dúvidas sobre o funcionamento desse modelo e percepções equivocadas seguem sendo barreiras para muitas empresas.


De acordo com Rodrigo Meurer, gerente de Produto da Matrix Energia, o Mercado Livre representa uma mudança estrutural na forma como a energia é tratada dentro das organizações. “É um modelo que permite planejamento, previsibilidade e inteligência na gestão energética, além da redução de custo, alinhando o consumo às estratégias do negócio”, afirma.

A evolução desse ambiente também é refletida na atuação da Matrix Energia. A companhia se consolidou como uma das principais comercializadoras varejistas independentes do país, atendendo mais de 2 mil unidades consumidoras comerciais e industriais no Mercado Livre,
que tem um amplo potencial de expansão, com 55% das unidades consumidoras elegíveis, ainda fora desse modelo.

Nesse contexto, compreender como o modelo funciona na prática é essencial para uma tomada de decisão mais consciente. Para apoiar esse entendimento, o especialista da Matrix Energia esclarece os principais mitos e verdades sobre o Mercado Livre de Energia.

Mitos e verdades sobre o Mercado Livre de Energia
● Apenas empresas com consumo acima de 500kW podem migrar para o Mercado Livre de Energia: Mito
O acesso ao ambiente livre vem sendo ampliado ao longo dos anos. Embora tenha começado com grandes indústrias e estabelecimentos, com consumo acima de 500kW, hoje empresas atendidas em alta e média tensão (Grupo A), já podem migrar. Além disso, com a Lei nº 15.269/2025, o mercado será totalmente aberto até 2028, permitindo que todos os consumidores escolham seu fornecedor de energia por meio do mercado livre de
energia.

● Empresas que pagam a partir de R$ 10 mil por mês na conta de energia já podem avaliar a migração: Verdade
Qualquer cliente em alta ou média tensão, que pagam a partir de R$ 10 mil por mês pode migrar para mercado livre de energia. Basta a empresa solicitar à comercializadora um estudo de viabilidade para entender a solução se encaixa no seu perfil.

● Migrar para o Mercado Livre significa trocar a distribuidora de energia: Mito
No Mercado Livre, a mudança ocorre na forma de contratação. O consumidor passa a escolher de quem comprar a energia, podendo negociar preço e condições por meio das comercializadoras. O fio que conduz a energia (rede de distribuição) continua sendo da distribuidora, mas o “elétron” pode ser comprado de outro fornecedor. Ou seja, a distribuidora segue responsável por entregar a energia até o local de consumo, enquanto a compra da energia passa a ser feita livremente no mercado.

● Existem riscos sobre o fornecimento de energia ao migrar para o Mercado Livre: Mito
A migração não altera o fornecimento físico de energia, que continua sob responsabilidade da distribuidora. A atuação consultiva da comercializadora para definir a estratégia de contratação no mercado livre é fundamental para estruturar contratos alinhados ao perfil de consumo.

● Não há previsibilidade de custos no Mercado Livre de Energia: Mito
No Mercado Livre, é possível negociar contratos de longo prazo com preço definido, garantindo mais estabilidade e previsibilidade nos custos. Além disso, não há impacto das bandeiras tarifárias - que são o sistema criado pela ANEEL para indicar, mensalmente, se a conta de energia está mais barata ou mais cara em função das condições de geração da energia -, o que reduz oscilações na conta de energia.

● Migrar para o Mercado Livre é um processo complexo e difícil de implementar: Mito
O processo é estruturado e conduzido com apoio das comercializadoras, como a Matrix Energia, que acompanha todo o diagnóstico à operação. Na prática, a Matrix conduz uma jornada clara e organizada, que começa com a análise do consumo, definição da melhor solução, estruturação dos contratos, migração e gestão contínua. O processo envolve o consumidor, a distribuidora e a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), garantindo segurança em cada etapa.

● O Mercado Livre transforma a energia em um ativo estratégico para o negócio: Verdade
Mais do que economia, o modelo permite planejamento, controle e gestão ativa do consumo, contribuindo diretamente para a competitividade das empresas, que podem realocar seus recursos economizados em investimentos.

● Para entrar no Mercado Livre é preciso instalar placas solares: Mito
Não é necessário instalar placas solares ou gerar a própria energia. No Mercado Livre, o consumidor pode comprar energia de diferentes fontes, incluindo renováveis, como solar, eólica, hídrica ou biomassa, diretamente de fornecedores. A escolha da fonte de energia faz parte da negociação, sem necessidade de obras ou adaptações na estrutura do local.

● É preciso fazer investimento para migrar para o Mercado Livre: Mito
A migração não exige investimento. O processo envolve principalmente ajustes contratuais e regulatórios, conduzidos com apoio da comercializadora, como a Matrix. Apenas em alguns casos, a distribuidora pode solicitar adequações no sistema de medição e/ou na subestação, conforme normas técnicas e vistoria da unidade consumidora. Trata-se de um procedimento padrão, necessário para que o sistema atenda aos requisitos exigidos para a migração ao Mercado Livre de Energia.

Energia como estratégia de negócio
Para a Matrix Energia, o avanço do Mercado Livre evidencia a evolução do setor elétrico e reposiciona a energia no centro das decisões empresariais, deixando de ser apenas um custo e passando a ser um elemento de eficiência, previsibilidade e competitividade. “A previsibilidade é um dos principais diferenciais. Estruturamos contratos que permitem às empresas planejarem seus custos energéticos no longo prazo, reduzirem a exposição a oscilações e ganharem eficiência na gestão”, destaca Rodrigo Meurer.

Em um cenário de maior pressão por eficiência e controle de despesas, esse modelo se torna cada vez mais relevante. Ao migrar para o Mercado Livre de Energia, as empresas passam a ter maior autonomia sobre seus custos e mais clareza sobre seu consumo, ampliando o papel da energia dentro do negócio.

Sobre a Matrix Energia
Fundada em 2014, a Matrix Energia é a maior plataforma digital e integrada de soluções energéticas do Brasil, dedicada a gerar economia, eficiência e sustentabilidade no consumo de energia para consumidores de alta, média e baixa tensão. Com atuação em todo o Brasil, a companhia conecta
seus clientes a soluções que incluem comercialização e fornecimento de energia no Mercado Livre de Energia, geração renovável, geração distribuída, armazenamento de energia em baterias (BESS), soluções sob medida de infraestrutura energética e comercialização de gás natural. Reconhecida como uma das maiores comercializadoras de energia elétrica do país pelo ranking da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a empresa atende cerca de 30 mil clientes, consolidando-se como a maior comercializadora varejista independente do Brasil em volume
consumido e número de unidades consumidoras. Entre seus avanços recentes estão a entrada em operação do complexo solar de geração centralizada Grande Sertão II, em Minas Gerais, com 103 MWp de capacidade instalada, projetos pioneiros em BESS, no modelo de negócio Energy as a Service, e a realização da primeira importação de gás natural argentino para o Brasil via gasoduto boliviano (Gasbol). A Matrix conta em sua base acionária com a Duferco Group, grupo global com atuação em energia, siderurgia, transporte marítimo e inovação, operando em mais de 20 países, e a Prisma Capital, gestora de investimentos alternativos com mais de R$ 21 bilhões em ativos sob gestão.

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FERNANDA COCELLI DOS SANTOS
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