O valor da autonomia: 3 empresas que escalaram a operação com recursos próprios

Para startups como CloQ, Hera.Build e Aurex, o modelo auxilia a manter o controle total sobre a estratégia e o fluxo de caixa

Por BEATRIZ BRITO
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Startups que optam por crescer sem investimento externo estão ganhando espaço em meio a um cenário mais cauteloso de aportes. Com investidores mais seletivos e foco maior em rentabilidade, os fundadores têm priorizado modelos que sustentam a operação desde o início, com estruturas enxutas e crescimento mais controlado. 

 

Segundo levantamento da Abstartups, 65,2% das startups brasileiras nunca receberam aportes, reforçando que o crescimento autofinanciado vem se consolidando como uma alternativa viável dentro do ecossistema. Nesse contexto, depender exclusivamente de rodadas de investimento deixa de ser o único caminho para escalar.

 

Nesse contexto, diversas empresas de diferentes nichos têm provado que é possível alcançar escala e relevância no mercado sem abrir mão da independência societária.

 

1 - CloQ, fintech brasileira que criou score de crédito comportamental para acesso a crédito e que auxilia brasileiros a construírem um histórico de crédito positivo

 

A CloQ é um desses exemplos. A startup que atua por meio do nano-crédito, vem mostrando na prática como é possível escalar a operação com recursos próprios ao combinar tecnologia, eficiência e foco em um público historicamente excluído pelo sistema financeiro. Com uma operação 100% digital e modelo baseado em nano-crédito, a empresa já ultrapassa 12 mil clientes ativos e concedeu mais de 30 mil empréstimos, com valores entre R$100 e R$500, movimentando mais de R$7 milhões.

 

Segundo Rafaela Cavalcanti, CEO da CloQ, crescer com uma operação financeiramente sustentável desde o início também permitiu que a empresa mantivesse maior controle sobre a estratégia e o ritmo de expansão. “Nosso foco foi construir um modelo sustentável, com crescimento alinhado à realidade da operação e às necessidades dos clientes. Isso nos permitiu evoluir com mais consistência e previsibilidade”, afirma.

 

2 - Hera.Build,  startup focada em oferecer soluções de customer intelligence

 

A Hera.Build também apostou no crescimento com recursos próprios nos primeiros anos da operação. Fundada em 2024, a companhia atua para resolver um dos principais desafios corporativos relacionados à gestão de dados e relacionamento com clientes, oferecendo soluções que conectam diferentes áreas da empresa em tempo real. 

 

Segundo Bárbara Vallim, CEO e fundadora da Hera.Build, iniciar a operação com capital próprio permitiu que a empresa mantivesse maior agilidade na evolução do produto e nas tomadas de decisão estratégicas. “No nosso mercado, tudo muda muito rápido. Ter autonomia no começo foi importante para conseguirmos adaptar a tecnologia, testar caminhos e responder às demandas dos clientes com mais velocidade”, comenta. 

 

3. Aurex, fintech AI-first especializada em câmbio corporativo

 

A Aurex é mais um exemplo de empresa que vem escalando sua operação com recursos próprios. Em menos de um ano de atuação, a companhia já movimentou centenas de milhões e, de quebra, alcançou o breakeven. Somente em 2025, a empresa transacionou mais de R$100milhões, atendendo clientes ativos no Brasil, México, Europa e Estados Unidos. Fundada em 2025 por Felipe Sabino, Lisandra Pereira e Henrique Saavedra, empreendedores com vasta experiência na construção e operação de mesas de câmbio de alto volume em bancos brasileiros, a Aurex nasceu com o objetivo de modernizar a infraestrutura de câmbio tradicional, ainda dependente de redes como SWIFT e de processos manuais fragmentados e burocráticos.

 

De acordo com Felipe Sabino, cofundador e CEO da companhia, desde o início, o foco foi construir uma operação sustentável, priorizando eficiência e crescimento consistente. “Alcançar o breakeven em menos de um ano, enquanto expandimos nossa atuação para diferentes mercados, mostra que é possível escalar o negócio de forma estratégica e saudável”, destaca.

 

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