A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, marcada para começar em 11 de junho nos Estados Unidos, México e Canadá, o varejo brasileiro se prepara para um dos períodos de maior concentração de atenção digital do ano. Mais do que um evento esportivo, a Copa representa um dos ambientes mais competitivos para as marcas, onde oportunidades de venda surgem e desaparecem em questão de minutos.
O que estará em disputa durante o torneio não será apenas a preferência dos torcedores por suas seleções, mas também sua atenção, um dos ativos mais valiosos da economia digital.
Dados reunidos a partir de estudos da Meta, Radar Simplex, Reclame Aqui, IUGU e Olist sobre as edições de 2018 e 2022 mostram que 84% dos brasileiros acompanharam os jogos, enquanto 73% pretendiam realizar compras durante o período e 72% buscavam promoções relacionadas ao evento. Ao mesmo tempo, 88% dos torcedores acessavam redes sociais durante as partidas, criando picos concentrados de atenção digital em momentos específicos do dia.
A mudança é ainda mais evidente quando observada sob a ótica dos dispositivos. Segundo o Radar Simplex, 81% das compras realizadas durante a Copa aconteceram por meio de smartphones, consolidando o celular como principal ambiente de descoberta, comparação e decisão de compra durante o torneio.
Para Marcelo Pugliesi, CEO da Hi Platform, a Copa funciona como uma versão acelerada do comportamento que já domina o varejo digital.
“Grandes eventos como a Copa comprimem meses de jornada de compra em poucas semanas. O consumidor pesquisa, compara e decide em ritmo acelerado, quase sempre pelo celular. A diferença é que, durante o torneio, essa decisão acontece em minutos. Quando a marca demora para responder, alguém ocupa aquele espaço primeiro”, afirma.
A mudança de comportamento cria um novo desafio para as empresas: responder em tempo real a consumidores que alternam constantemente entre entretenimento, redes sociais, pesquisa e compra.
Nesse cenário, velocidade de resposta, personalização e capacidade de adaptação passam a impactar diretamente indicadores de conversão e receita. A atenção do consumidor se desloca rapidamente, e as oportunidades surgem e desaparecem em questão de minutos.
O reflexo pode ser observado em diversas categorias. Durante a Copa de 2022, as vendas de televisores cresceram 96% na semana que antecedeu o início dos jogos. Produtos ligados à experiência de assistir às partidas, como eletrodomésticos, decoração e itens de conveniência, também registraram aumento significativo na demanda.
O mesmo comportamento foi observado em produtos associados à identidade e ao engajamento emocional dos torcedores. Nas últimas edições do torneio, a venda de camisas oficiais acompanhou diretamente o desempenho das seleções, registrando crescimento de até 250% para Portugal, 121% para a Argentina e 76% para o Brasil.
Para as marcas, o desafio não está apenas em comunicar ofertas, mas em interpretar sinais de comportamento e transformar atenção em resultado.
“Durante a Copa, a atenção do consumidor muda o tempo todo. Um gol, uma notícia ou uma publicação viral pode alterar comportamentos instantaneamente. As empresas que conseguem ler esses sinais e agir rápido transformam atenção em venda. As demais apenas assistem ao movimento acontecer”, destaca Pugliesi.
A Copa de 2026 também deve marcar o primeiro grande evento esportivo global em que agentes de inteligência artificial estarão sendo utilizados em escala para analisar comportamentos, personalizar comunicações e apoiar decisões comerciais em tempo real.
O avanço da inteligência artificial e da automação amplia a capacidade das empresas de responder rapidamente a mudanças de comportamento, identificar oportunidades e entregar experiências mais relevantes mesmo em cenários de alta demanda e volatilidade.
Para a Hi Platform, a Copa reforça uma tendência que já vinha transformando o mercado: relacionamento deixou de ser apenas uma atividade de suporte e passou a ocupar papel central na geração de crescimento.
“A Copa deixa evidente que atenção não é mais o recurso escasso. Atenção existe. O desafio é capturá-la antes que ela desapareça. As empresas que conseguem transformar momentos de interesse em relacionamento criam uma vantagem competitiva que continua existindo muito depois do apito final”, conclui o CEO.
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PEDRO GABRIEL SENGER BRAGA
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