Neurofunk? Entenda como a neurociência é usada para te “viciar” em músicas

Todo o processo de escutar uma música e ter vontade de escutá-la o dia inteiro é muito menos ocasional do que se imagina, há muita estratégia neural por trás disso, destaca o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela

Por MF PRESS GLOBAL
8 5 Min

Neurofunk? Entenda como a neurociência é usada para te “viciar” em músicas
© Divulgação/Freepik
Por que algumas músicas ficam repetindo na cabeça durante horas? Por que certas batidas parecem impossíveis de ignorar nas redes sociais? A resposta pode estar menos no acaso e mais na neurociência. Com o crescimento das plataformas digitais, produtores musicais passaram a estudar de forma cada vez mais técnica como o cérebro reage a estímulos sonoros, especialmente em gêneros altamente rítmicos, como funk, piseiro e música eletrônica.

Hoje, fatores como repetição estratégica, intensidade dos graves, tempo de duração das faixas, pausas rítmicas e até o momento ideal de lançamento nas redes sociais são analisados para aumentar retenção, engajamento e memorização. Para o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, o consumo de música hoje em dia está diretamente ligado à forma como o cérebro processa recompensa e atenção.


“É possível traduzir a resposta biológica do córtex pré-motor e do sistema de recompensa em dados práticos para a produção musical. Analisamos como as frequências graves do funk e os momentos de quebra rítmica desencadeiam descargas previsíveis de dopamina, permitindo-nos desenhar um produto sonoro que se alinha perfeitamente com os novos padrões de consumo e foco da juventude atual”, afirma.

O cérebro responde à expectativa musical do Funk
Músicas altamente repetitivas e com batidas marcadas tendem a ativar regiões cerebrais ligadas à antecipação e recompensa, todos esses são elementos fortemente incluídos no funk tradicionalmente e isso faz com que ele tenha um grande potencial de ser “chiclete”, mas esta é apenas a ponta do iceberg das estratégias neurais usadas no funk. Isso acontece porque o cérebro humano gosta de prever padrões, quando a música cria tensão, pausa e entrega sonora no momento esperado, ocorre uma resposta prazerosa associada à liberação de dopamina.

“As músicas virais normalmente trabalham muito bem a previsibilidade combinada com surpresa. O cérebro cria expectativa sobre o próximo som e recebe uma recompensa quando essa expectativa é satisfeita ou quebrada de forma estimulante”, explica Dr. Fabiano.

“O funk trabalha com graves intensos, repetição curta, refrões altamente memorizáveis e mudanças rápidas de estímulo. Isso conversa muito com a dinâmica de atenção acelerada das plataformas digitais”, comenta.

Música e algoritmo trabalham  juntos
Além da construção sonora, a distribuição digital também se tornou parte importante do sucesso musical. Vídeos curtos, trends, desafios, cortes rápidos e loops passaram a influenciar até a forma como as músicas são produzidas. Para Jeff Nuno, CEO da LUJO NETWORK e especialista em distribuição digital, hoje não basta apenas lançar uma música.

“A distribuição digital precisa entender comportamento de consumo. Existem horários, formatos, tendências e dinâmicas específicas das plataformas que influenciam diretamente o alcance de uma faixa. Quando o lançamento é estratégico, as chances de viralização e retenção aumentam muito”, afirma.

“O público digital toma decisões muito rápidas sobre continuar ouvindo ou não um conteúdo. Por isso, muitos artistas e produtores passaram a pensar a música também para o ambiente das plataformas curtas”, explica.

A ciência da atenção na indústria musical
Com a profissionalização do mercado digital, a indústria passou a incorporar estudos sobre comportamento humano, atenção e retenção de audiência. De acordo com o Dr. Fabiano de Abreu, isso criou uma nova lógica dentro da produção musical contemporânea.

“Na nossa plataforma, deixámos de olhar para o funk apenas como um fenômeno de visualizações para o compreender como uma ciência da atenção. Ao cruzar a intuição dos nossos produtores com a precisão da neurociência, conseguimos decodificar a estrutura exata do ritmo que o cérebro jovem procura, transformando cada batida e cada lançamento numa experiência digital impossível de ignorar”, afirma.

“A música sempre teve impacto emocional e neurológico. A diferença é que hoje conseguimos medir melhor esses padrões de resposta e compreender como determinados estímulos geram maior engajamento e conexão emocional”, conclui.


 

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FABIANO DE ABREU RODRIGUES
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