Crônicas trazem reflexões sobre desafios para envelhecer em paz na sociedade

Em novo livro, psicóloga e pesquisadora da UERJ Heloísa Ferreira fala sobre envelhecimento, menopausa, medo da morte e desafios emocionais da maturidade

Por PAULO QUEIROZ
5 4 Min

Crônicas trazem reflexões sobre desafios para envelhecer em paz na sociedade
Felipe Hutter
“Envelhecer ainda é permeado de desafios para muitas pessoas.” É a partir dessa provocação que a psicóloga, pesquisadora e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Heloísa Ferreira lança "Me deixem envelhecer em paz!”, pela editora Appris. A obra reúne 30 crônicas inéditas da autora sobre envelhecimento, idadismo, saúde mental, menopausa, finitude e os desafios emocionais enfrentados ao longo da vida adulta.

Com experiências pessoais, humor, reflexões acadêmicas e observações do cotidiano, Heloísa constrói uma narrativa sensível e acolhedora sobre um tema que ainda provoca desconforto em grande parte da sociedade. Ela conta que o livro nasceu justamente às vésperas dos seus 40 anos, momento em que passou a olhar para o próprio envelhecimento de forma mais concreta. “Estudar o envelhecimento é muito diferente de refletir sobre o próprio envelhecimento. Eu quis me permitir fazer as duas coisas”, afirma a autora, que é professora do Instituto de Psicologia da UERJ  e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Envelhecimento (GEPE) da mesma universidade.


Heloísa utiliza o formato das crônicas para aproximar o debate da vida cotidiana e levar para além da universidade reflexões que considera urgentes.  Ao longo da obra, a autora questiona crenças idadistas profundamente enraizadas, especialmente aquelas direcionadas às mulheres. Temas como cabelos brancos, mudanças corporais, menopausa e pressão estética aparecem associados ao impacto emocional provocado pelo culto à juventude e pelas expectativas sociais em torno do envelhecimento feminino. “Além disso, muitas mulheres envelhecem sob a sobrecarga histórica de cuidado com os outros, o que também impacta sua saúde física e emocional. No livro, procuro denunciar essas formas de idadismo e de injustiça”, destaca a autora.

“O preconceito contra a palavra ‘pessoa idosa’ revela o desconforto social que ainda existe em relação ao envelhecimento”, diz Heloísa. Além do idadismo, o livro aborda a negligência em relação à saúde mental das pessoas idosas. A professora observa que, muitas vezes, sintomas de depressão, solidão ou isolamento social são vistos como “normais da idade”, quando, na verdade, demandam atenção, cuidado e intervenção. A dificuldade coletiva de falar sobre morte também é tema do livro. Para Heloísa, evitar discussões sobre esse assunto torna o envelhecimento ainda mais difícil. “O medo da morte é legítimo. O problema é simplesmente não considerar que a vida é finita. Quando olhamos para essa questão com mais honestidade, conseguimos viver com mais clareza sobre o que realmente importa”, diz.

A autora chama atenção para a falta de preparo do Brasil diante do envelhecimento acelerado da população. “O país ainda enfrenta muita desigualdade social, pobreza e falta de acesso a serviços básicos de saúde, mas também há muitas atitudes, crenças e comportamentos negativos em relação à velhice, à pessoa idosa e ao processo de envelhecimento”, diz ela. Para Heloísa, é importante gerar reflexões capazes de desafiar o idadismo estrutural. “Além disso, quando pensamos na preparação para o envelhecimento populacional, não estamos falando apenas de saúde. Trata-se também de mobilidade urbana, moradia, acessibilidade, segurança, inclusão digital, previdência e oportunidades de participação social”, conclui.

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PAULO ROBERTO QUEIROZ GUIMARÃES JÚNIOR
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FONTE: Auracom Assessoria
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