Bibliotecas da Grande Florianópolis recebem eventos com jogos africanos adaptados para pessoas com deficiência visual

Por MARISTELA BRITTES
3 6 Min

Bibliotecas da Grande Florianópolis recebem eventos com jogos africanos adaptados para pessoas com
Foto impérioteca
 
Bibliotecas da Grande Florianópolis recebem eventos com jogos africanos adaptados para pessoas com deficiência visual

Oficinas gratuitas do Encontros Brincantes passam por Florianópolis, Antônio Carlos e Tijucas e promovem acessibilidade, convivência e aprendizagem por meio do brincar
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Foto: @imperioteca
 
As bibliotecas municipais de Florianópolis, Antônio Carlos e Tijucas recebem, a partir de 2 de julho, o projeto Encontros Brincantes, uma iniciativa que coloca a inclusão no centro da experiência cultural. A proposta leva oficinas gratuitas com jogos de origem africana adaptados para pessoas com deficiência visual, criando espaços de aprendizagem, convivência e acessibilidade por meio do brincar.
 
Durante as atividades, os participantes terão contato com jogos como Achi, Yoté, Gulugufe, Shisima e Tsoro Yematatu, práticas tradicionais de origem africana que estimulam estratégia, concentração, raciocínio lógico, memória, percepção espacial e interação coletiva. Adaptados para diferentes formas de percepção, os jogos podem ser vivenciados pelo toque, pela escuta, pela memória e pela troca entre os participantes.
 
Mais do que ensinar regras, o projeto propõe uma experiência de inclusão. Com a participação de mediadores com e sem deficiência visual, as oficinas mostraram que o brincar também pode ser uma ferramenta de acesso à cultura, ao conhecimento e à convivência entre pessoas com e sem deficiência. Nas oficinas, a acessibilidade não aparece como complemento, mas como parte essencial da atividade.
 
“A acessibilidade precisa estar presente também nos momentos de cultura, lazer e aprendizagem. Nos jogos africanos adaptados, a criança ou o participante com deficiência visual joga usando seus sentidos na troca com o outro. Isso transforma a biblioteca em um espaço realmente inclusivo, onde diferentes pessoas aprendem juntas. Inclusive, a escolha das bibliotecas municipais como espaços de realização reforça o papel desses equipamentos públicos como lugares de encontro, formação e participação comunitária. Ao receber o projeto, as bibliotecas passam a ser também territórios de experimentação, diversidade e inclusão”, destaca a produtora, consultora de acessibilidade, uma das idealizadoras do projeto, Ana Santiago. 
 
Os jogos que integram o Encontros Brincantes, como Achi, Yoté, Gulugufe, Shisima e Tsoro Yematatu, fazem parte de um repertório lúdico ligado a diferentes territórios e tradições africanas, transmitido ao longo do tempo por meio da convivência, da oralidade e da prática coletiva. Muitos desses jogos nasceram em contextos comunitários, jogados no chão, com sementes, pedras, gravetos ou pequenos objetos do cotidiano, revelando uma forma de brincar profundamente conectada à vida social, à ancestralidade e aos modos de organização de cada povo. O Yoté, por exemplo, é associado a países da África Ocidental, especialmente ao Senegal; já o Achi é reconhecido como um jogo de estratégia tradicional de Gana. Ao reunir essas referências em bibliotecas municipais, o projeto aproxima o público de histórias, saberes e formas de pensamento que atravessam gerações, mostrando que o jogo também é memória, cultura e patrimônio vivo.
 
“Quando adaptamos jogos para pessoas com deficiência visual, não estamos apenas tornando uma atividade possível. Estamos dizendo que todos têm o direito de brincar, aprender e participar. A inclusão acontece quando o espaço, o jogo e a experiência são pensados para acolher diferentes formas de perceber o mundo”, afirma a produtora Ana. 
 
Além das oficinas, as bibliotecas participantes receberão, ao final das atividades, kits com dois tabuleiros de cada jogo e um guia com dicas de mediação acessível. A entrega dos materiais busca ampliar o impacto do projeto para além dos encontros, permitindo que as instituições continuem utilizando os jogos em suas programações, ações educativas e atividades de convivência com a comunidade.
 
O projeto terá seis oficinas gratuitas distribuídas entre os três municípios. As atividades são voltadas para todos os públicos e integram uma proposta de democratização do acesso à cultura, valorização da diversidade e fortalecimento de práticas inclusivas em espaços públicos. 
 
O Encontros Brincantes é uma Proposta Cultural selecionada no Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, realizada com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
 
Fotos: @imperioteca
 
Serviço
O quê: Projeto Encontros Brincantes
Atividade: Oficinas gratuitas com jogos africanos adaptados para pessoas com deficiência visual
Onde: Bibliotecas Municipais de Florianópolis, Antônio Carlos e Tijucas
Entrada: Gratuita
 
Programação
Biblioteca Pública Municipal Professor Barreiros Filho
Rua João Evangelista da Costa, nº 1160, Estreito, Florianópolis
Datas: 2 e 9 de julho
Horários: 10h às 11h30 e 16h às 17h30
 
Biblioteca Municipal Edmundo da Luz Pinto
Rua Coronel Büchelle, 01, Centro, Tijucas
Data: 3 de julho
Horários: 10h às 11h30 e 14h às 15h30
 
Biblioteca Municipal Professor Lauro Junkes
Praça Anchieta, 10, Centro, Antônio Carlos
Data: 7 de julho
Horários: 9h às 10h30 e 14h às 15h30
 

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MARISTELA MAGALHAES BRITES
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