Liderança compartilhada: por que dividir responsabilidades pode fortalecer empresas

Em vez de disputar espaço, mãe e filha escolheram compartilhar decisões e conduzir juntas uma empresa que completa 35 anos

Por ALINE BATAGLIA
4 4 Min

Liderança compartilhada: por que dividir responsabilidades pode fortalecer empresas
Divulgação

Durante muito tempo, o empoderamento feminino foi associado à conquista individual: ser a única mulher em determinado espaço, ser a primeira, liderar sozinha. Mas e se empoderar também significar construir liderança juntas? 

A discussão ganha relevância em um momento em que o empreendedorismo feminino cresce no Brasil. Hoje, o país já soma mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios, segundo levantamento do Sebrae com base em dados do IBGE. Mesmo assim, elas ainda representam cerca de 34% dos proprietários de empresas, o que mostra que a presença feminina no comando das empresas ainda está em expansão.  

Nesse cenário, histórias de mulheres que constroem empresas em parceria começam a ganhar cada vez mais espaço. 

É o caso da trajetória da Mami&Co, empresa do setor infantil que completa 35 anos. 

A companhia nasceu do olhar empreendedor de Carlos Zein, que identificou oportunidades no mercado infantil e iniciou um negócio com visão de longo prazo. Ao seu lado sempre esteve Nádia Zein, esposa que participava ativamente da construção da marca. 

Quando ele faleceu, além do impacto emocional, surgiu uma pergunta inevitável: como seguir em frente com a empresa construída ao longo de tantos anos? 

Nádia já fazia parte da trajetória do negócio e conhecia profundamente a operação. Ainda assim, assumir a linha de frente exigiu coragem. Foi nesse momento que a filha, Carol Zein, que cresceu acompanhando a empresa da família, passou a dividir oficialmente as responsabilidades. 

Não houve exatamente uma passagem de bastão. O que se formou foi uma construção conjunta de gestão. 

Mãe e filha tornaram-se sócias, com participação ativa nas decisões estratégicas e na condução da empresa. Na prática, isso significou lidar com um desafio pouco discutido: equilibrar os papéis familiares com as responsabilidades executivas. 

Separar os momentos de mãe e filha dos momentos de sócias, aprender a discordar sem transformar divergências em conflitos pessoais e encontrar pontos de equilíbrio entre experiência e inovação fizeram parte do processo. 

Nem sempre foi simples. 

Ao longo do tempo, surgiram conversas difíceis, visões diferentes sobre caminhos estratégicos e decisões importantes para o futuro da empresa. O negócio também precisou acompanhar as transformações do mercado infantil, modernizar processos, estruturar governança e fortalecer marcas do grupo, como Mamita, Safira e FlyColors. 

Para que a parceria funcionasse, foi necessário estabelecer papéis claros e profissionalizar ainda mais a gestão. A relação familiar continuou presente, mas a condução da empresa passou a se apoiar em uma estrutura sólida de decisões e responsabilidades bem definidas. 

Essa dinâmica acabou criando uma complementaridade natural: de um lado, a experiência acumulada ao longo da trajetória da empresa; de outro, um olhar mais contemporâneo sobre gestão, posicionamento e mercado. 

Aos 35 anos, a Mami&Co celebra sua longevidade e a maturidade de uma parceria construída entre duas gerações. 

Em um ambiente corporativo onde muitas mulheres ainda sentem a pressão de provar competência individualmente, histórias como essa mostram que liderança também pode ser construída em colaboração. 

Empoderamento não é apenas chegar ao topo sozinha.  Às vezes, é sentar-se ao lado de outra mulher e decidir juntas o próximo passo. 


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Aline Bataglia
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