Fórum Urbano Mundial: Multilateralismo e Moradia para o Mundo
Revisão global do ODS 11, voltado a cidades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis
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Tive a oportunidade de participar do Fórum Urbano Mundial (WUF13), promovido pelo ONU-Habitat, em Baku, no Azerbaijão, hoje o principal espaço internacional de debate sobre desenvolvimento urbano sustentável. A edição de 2026 é especialmente relevante por anteceder a revisão global do ODS 11, voltado a cidades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. Representar São Paulo nesse debate é uma oportunidade de mostrar como grandes metrópoles podem unir desenvolvimento urbano, inclusão social, preservação ambiental e inovação pública.
Por outro lado, reafirma-se algo que temos presente no papel da atuação pública: as cidades precisam voltar a ocupar o centro das grandes decisões globais. É nos territórios urbanos que os desafios contemporâneos se manifestam de forma mais concreta, da habitação às mudanças climáticas, da desigualdade social à segurança urbana, e é também nas cidades que surgem as soluções mais inovadoras, humanas e eficazes, justamente por estarem voltadas às pessoas.
Como secretária de Relações Internacionais, também entendo que projetar São Paulo internacionalmente significa construir pontes permanentes entre a nossa cidade e o mundo, ampliando oportunidades de cooperação, atração de investimentos, troca de experiências e fortalecimento institucional. Participar de fóruns multilaterais como o WUF13 reforça o papel estratégico da diplomacia das cidades e posiciona São Paulo como uma metrópole global comprometida com soluções e com suas responsabilidades de contribuir e, ao mesmo tempo, aprender continuamente.
Nesse sentido, São Paulo chega ao Fórum apresentando experiências concretas que refletem a complexidade e a capacidade de transformação da nossa cidade. Entre elas, destacam-se os projetos de urbanização de Paraisópolis, que integram reassentamento de famílias em áreas de risco, canalização de córregos, implantação de equipamentos públicos e participação comunitária no planejamento urbano. Trata-se de uma política que alia engenharia urbana e integração social, promovendo segurança, dignidade e pertencimento.
Levamos também ao debate internacional o programa “Pode Entrar”, que incorpora acessibilidade universal, locação social, requalificação de imóveis e atenção prioritária a populações vulneráveis, demonstrando que a política habitacional é prioridade para o desenvolvimento humano. Trata-se de uma das maiores iniciativas habitacionais do município, voltada à ampliação do acesso à moradia digna para famílias de baixa renda em áreas já dotadas de infraestrutura urbana.
Outro exemplo relevante é o Requalifica Centro, iniciativa que incentiva o retrofit e a recuperação de edifícios antigos na região central da cidade. Ao estimular a reocupação de áreas consolidadas, São Paulo promove um desenvolvimento urbano mais sustentável, reduz deslocamentos e fortalece a vitalidade econômica e social do centro histórico.
Na área ambiental, os projetos do Programa Mananciais apresentados em Baku demonstram como habitação e preservação ambiental podem caminhar juntas. Experiências como Alto da Alegria, Jardim da União, Boulevard da Paz e Jardim do Éden mostram que é possível urbanizar territórios vulneráveis sem romper os vínculos comunitários, promovendo saneamento, recuperação ambiental, drenagem sustentável, infraestrutura verde e espaços públicos de convivência.
Outro momento importante da agenda em Baku foi a reunião bilateral com a Metropolis, rede internacional de grandes cidades da qual São Paulo ocupa atualmente o Escritório Regional para a América Latina e o Caribe. O encontro reforçou o papel da capital paulista como liderança regional na agenda de governança metropolitana, sustentabilidade urbana e cooperação internacional.
A relação entre São Paulo e a Metropolis vem se aprofundando nos últimos anos por meio da troca de experiências em temas como mobilidade limpa, igualdade de gênero, políticas de cuidado e inovação urbana. Nesse contexto, é motivo de orgulho ver iniciativas paulistanas, como os Pontos de Afeto, receberem reconhecimento internacional como referência em políticas públicas voltadas ao cuidado.
Ainda pudemos apresentar, na Assembleia Geral, o Programa Vila Reencontro, política pública da Prefeitura de São Paulo voltada à superação da situação de rua por meio da oferta de moradia temporária, acompanhamento social e oportunidades de reinserção social e profissional. O programa promove acolhimento com dignidade e reconstrução de vínculos, integrando também a população imigrante que vive na cidade.
Um dos momentos mais significativos desta missão internacional foi a reunião com Anacláudia Rossbach, diretora-executiva do ONU-Habitat e uma das maiores referências globais em políticas urbanas e habitação. Na ocasião, tivemos a oportunidade de entregar a publicação “Cena Aberta de Uso de Drogas: Como Chegamos Até Aqui”, desenvolvida pela Secretaria Executiva de Projetos Estratégicos da Prefeitura de São Paulo. O material apresenta a atuação integrada das áreas de saúde, assistência social e segurança pública, que contribuiu para superar uma das situações mais complexas da cidade: a antiga Cracolândia.
Em um cenário global cada vez mais desafiador, acreditamos que as cidades devem assumir um papel de destaque na construção de soluções com impacto social, ambiental e, principalmente, humano. Na Assembleia Mundial de Governos Locais e Regionais, coordenada pela UCLG (Cidades e Governos Locais Unidos), a cidade reafirmou sua defesa do multilateralismo como instrumento essencial de cooperação e paz em um contexto geopolítico complexo. Ao mesmo tempo, mostramos uma gestão comprometida com a qualidade de vida das pessoas, com a ampliação de oportunidades e com a promoção da dignidade, começando pelo acesso à moradia.
De fato, o centro de debates do Fórum Mundial mostrou-se decisivo para o atual momento geopolítico: destacar a importância do multilateralismo e unir as cidades em torno de um problema comum: a moradia, agravado não apenas pelas mudanças climáticas, mas também por regimes que não respeitam os direitos humanos.
Dessa forma, compartilhamos nossas experiências em busca de soluções eficazes e eficientes para, juntos, conseguirmos “house the world”, motivo que nos levou a Baku.
Angela Vidal Gandra da Silva Martins, secretária Municipal de Relações Internacionais de São Paulo, professora de Filosofia do Direito da Universidade Mackenzie, é sócia da Gandra Martins Law, foi gerente Jurídica da Faesp, presidente do Instituto Ives Gandra de Direito, Filosofia e Economia, exerceu o cargo de secretária nacional da Família do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos de 2019 a 2022.
Informações para a imprensa e entrevistas com a Dra. Angela Gandra: Gabriela Romão (11)97530-0029
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FONTE: RV Comunicação