Se a arte tem o poder de encurtar distâncias e costurar histórias, duas experiências culturais recentes serviram como verdadeiros portais para os adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Fundação CASA, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania, em São Bernardo do Campo. Em uma janela de poucos dias, a capital paulista transformou-se em cenário para que esses jovens pudessem rir, se emocionar e, acima de tudo, refletir sobre suas próprias jornadas por meio do teatro e da música.
A primeira ação ocorreu no dia 22 de maio, quando quatro adolescentes do CASA São Bernardo I visitaram o Itaú Cultural, na Avenida Paulista. O grupo assistiu ao espetáculo "Foi o Rio Quem Disse", uma peça que mistura teatro, dança e música ao vivo para narrar a trajetória de Chica e Maria. Vindas de Alagoas e de Minas Gerais, as personagens enfrentam os choques, os desafios e as belezas da adaptação na metrópole de São Paulo. Para os jovens, a narrativa lúdica sobre migração acabou funcionando como um espelho sobre diversidade e a eterna busca por pertencimento.
No dia 24 de maio, outros dois adolescentes da unidade viveram uma noite descrita pela equipe técnica como inesquecível. Eles ocuparam as poltronas do BTG Pactual Hall, para uma apresentação especial de “Viva – A Vida é Uma Festa In Concert: Uma Experiência Além da Tela” , a célebre animação da Pixar-Disney, mas com um diferencial que arrepiou o público: a projeção do filme foi acompanhada por uma orquestra sinfônica ao vivo, com músicos e bailarinos traduzindo a trilha sonora em tempo real.
As duas saídas foram articuladas pela coordenação pedagógica da unidade com o apoio fundamental da Gerência de Arte e Cultura (GAC) da Fundação CASA, setor que mapeia e garante o acesso dos jovens a grandes circuitos artísticos do estado.
"A ação trouxe uma nova perspectiva para os adolescentes, pois transformou a visão que eles possuem sobre o teatro. A arte exerce um papel de extrema importância na socioeducação, atuando diretamente como um instrumento de mudança", apontou o coordenador pedagógico do centro, Luís Carlos Benigno.
Para o presidente interino da Fundação CASA, Oswaldo Caetano Junior, proporcionar essa agenda cultural externa é parte essencial da reconstrução de cidadania que a instituição defende. "Levar os jovens para dentro desses espaços abre caminhos de sensibilidade e novas possibilidades de futuro. Quando um adolescente se emociona com uma história sobre família e superação no teatro, ele também começa a se ver em um lugar que talvez nunca tenha imaginado ocupar", concluiu.
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IGOR NAVARRO RIOS JORDÃO
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