Ação Civil Pública pede bloqueio de bens e rastreamento de ativos ligados à Club Trade; prejuízo dos investidores chega a R$ 5 milhões

A ação requer que a Justiça determine uma série de medidas cautelares destinadas à localização e preservação de ativos financeiros supostamente vinculados à operação

Por FERREIRA ANTUNES
7 5 Min

Ação Civil Pública pede bloqueio de bens e rastreamento de ativos ligados à Club Trade; prejuízo dos
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Uma Ação Civil Pública ajuizada na Vara Cível da Comarca de Cosmópolis (SP) busca a adoção de medidas urgentes para preservar o patrimônio de investidores que alegam prejuízos decorrentes de aportes realizados junto à Club Trade Investment Fundo Ltda. A ação requer que a Justiça determine uma série de medidas cautelares destinadas à localização e preservação de ativos financeiros supostamente vinculados à operação, incluindo bloqueio de contas bancárias, rastreamento patrimonial, pesquisa de bens, identificação de eventuais criptoativos e suspensão de atividades de captação de recursos que ainda possam estar em andamento. O prejuízo dos investidores chega a R$ 5 milhões. A iniciativa foi proposta pelo Instituto Social de Proteção e Garantia do Equilíbrio nas Relações de Consumo (IPGE), com patrocínio do escritório Calazans & Vieira Dias Advogados.

Segundo a ação, a empresa teria captado recursos de investidores mediante promessa de rentabilidade fixa mensal, apresentando a atividade como relacionada ao mercado de investimentos. O processo sustenta que a operação teria ocorrido sem autorização dos órgãos reguladores competentes, especialmente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e aponta indícios de incompatibilidade entre a atividade efetivamente desenvolvida e os registros formais da empresa.

O IPGE afirma que dezenas de processos judiciais relacionados ao caso já tramitam em diferentes estados brasileiros, além de investigações em andamento. De acordo com os documentos apresentados à Justiça, o volume estimado dos prejuízos pode ultrapassar R$ 5 milhões.

Outro aspecto destacado na ação é a alegação de que parte dos recursos aportados pelos investidores teria sido direcionada para contas bancárias de pessoas físicas ligadas à operação. A circunstância motivou pedidos de aprofundamento da investigação patrimonial e de rastreamento dos valores movimentados. Conforme narrado nos autos, após um período inicial de funcionamento, os pagamentos prometidos aos investidores teriam sido interrompidos, provocando aumento de reclamações, ações judiciais e pedidos de restituição. O histórico, segundo os autores da ação, reforça a necessidade de adoção de medidas cautelares para evitar eventual dissipação patrimonial.

Para o advogado Jorge Calazans, especialista na defesa de vítimas de fraudes financeiras e responsável pela condução da ação, a preservação de ativos é uma etapa importante em processos dessa natureza. "Em situações como essa, a rapidez na adoção de medidas de preservação patrimonial pode fazer diferença no andamento do caso. O objetivo é permitir que os fatos sejam investigados com profundidade e que os ativos eventualmente identificados permaneçam disponíveis para análise do Poder Judiciário", afirma.

A ação busca o reconhecimento da nulidade dos contratos firmados com investidores, a restituição dos valores aportados, acrescidos de correção monetária e juros, além da responsabilização dos envolvidos na medida de sua participação, caso as alegações sejam confirmadas ao longo do processo.

Jorge Calazans observa que ações coletivas têm sido cada vez mais utilizadas em casos envolvendo supostas fraudes financeiras e operações de investimento contestadas judicialmente. O instrumento permite que um conjunto de investidores que compartilha a mesma origem de prejuízo tenha suas demandas analisadas de forma centralizada. "Quando muitos investidores são afetados por uma mesma situação, a atuação coletiva permite uma análise mais organizada dos fatos e dos pedidos apresentados à Justiça. Isso contribui para que o caso seja examinado de forma mais ampla e eficiente, sempre respeitando as particularidades de cada situação", destaca.

O processo encontra-se em fase inicial e aguarda análise dos pedidos de tutela de urgência formulados pelo IPGE. As medidas solicitadas ainda dependem de apreciação judicial. O desfecho da ação poderá influenciar os rumos das demais demandas relacionadas ao caso que tramitam no país. "Enquanto isso, investidores que mantiveram relação contratual com a empresa acompanham a evolução do processo na expectativa de eventual recuperação de valores, caso as alegações apresentadas sejam acolhidas pelo Poder Judiciário", conclui o advogado.

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CAIO FERREIRA PRATES
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