Guerra no Oriente Médio ameaça preços de combustíveis e pode interromper ciclo de queda dos juros no Brasil
Com o fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e a disparada do barril de petróleo, Charles Mendlowicz alerta para "efeito em cadeia" que pressiona inflação e limita atuação do Banco Central
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A escalada das tensões no Oriente Médio deixou de ser apenas uma preocupação geopolítica para se tornar uma ameaça direta ao bolso do consumidor. Em análise recente, o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, alertou que a continuidade do conflito pode forçar uma mudança de rota na política monetária nacional, colocando em xeque a trajetória de queda da Selic. Embora o cenário global aponte para altas nos preços dos combustíveis (com os Estados Unidos registrando saltos de 45% na gasolina e o diesel subindo 63% na África do Sul), o Brasil apresentou, entre fevereiro e maio, uma alta oficial de 5,9% na gasolina e 17,7% no diesel. O cenário internacional é agravado pelo custo de importação. Na primeira semana de maio, o Preço de Paridade de Importação (PPI) atingiu média de R$ 4,40 por litro no Brasil, uma alta de 72% impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Para conter o repasse imediato, o governo brasileiro instituiu uma Medida Provisória criando subvenções para a gasolina e o diesel. Além disso, a suspensão da tributação de PIS/COFINS sobre o diesel segue em vigor. Para Mendlowicz, no entanto, essas medidas são paliativas diante da magnitude do problema. "O que o governo está fazendo? Tentando uma subvenção para que não subam tanto o preço das coisas. É como se estivessem jogando um copo d'água em uma fogueira. É legal? É. Mas obviamente não vai resolver", explica o Economista Sincero. O impacto no Banco Central e nos juros O maior temor do economista reside na "captura" desses aumentos pela inflação oficial, que em abril atingiu o nível mais alto para o mês em quatro anos (0,67%). O aumento dos combustíveis gera um efeito cascata que encarece alimentos e fertilizantes, impactando a próxima safra. Essa pressão inflacionária retira o espaço de manobra do Banco Central. Mendlowicz alerta que, caso o barril de petróleo se estabilize na faixa de US$ 120 a US$ 150, o ciclo de cortes nos juros pode não apenas parar, como ser revertido. "Como o governo já estava gastando demais, agora com a inflação no maior nível, como é que o Banco Central vai continuar reduzindo o juro em todas as reuniões? A condição para parar de cair e até subir o juro seria o barril na faixa de US$ 120 a US$ 150s. Se a guerra continuar por mais um mês, eu acho que vamos ter problema", acredita Charles Mendlowicz. Incerteza no horizonte O sócio da Ticker Wealth conta que o otimismo recente do mercado financeiro, com a queda do dólar e alta da bolsa, pode estar mascarando um risco estrutural. Com exigências diplomáticas inviáveis por parte do Irã e a utilização de reservas estratégicas mundiais em ritmo recorde, o fim do conflito não parece estar no radar imediato. "Ninguém sabe. O conflito pode acabar este final de semana ou daqui a dois anos. O problema é que, enquanto essa guerra estiver acontecendo, o preço do barril prejudica a inflação no mundo inteiro", conclui Mendlowicz. Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir". Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
GRAYCE MARI RODRIGUES
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