Como a cor transforma a sala de estar: cinco projetos para se inspirar

Do acolhimento das cores claras à intensidade dos tons mais marcantes, Suvinil mostra como a cor pode mudar a atmosfera da sala de estar e a forma como esse espaço é vivido

Por FERNANDA SáTIRO
10 9 Min

Divulgação Suvinil

São Paulo, maio de 2026 – A sala de estar concentra boa parte da vida doméstica. É onde encontros acontecem, conversas se prolongam e a casa se apresenta. Nesse cenário, a escolha cromática deixa de ser apenas um acabamento e passa a estruturar o projeto: define atmosferas, orienta o olhar e influencia a forma como esse lugar é percebido no dia a dia.
Mais do que escolher tons isolados, o resultado depende de como eles se articulam. Combinações claras tendem a ampliar a leitura e favorecer a luz natural, enquanto cores mais densas criam contrastes, marcam planos e estabelecem hierarquias visuais. É nessa construção que a cor revela seu potencial de transformação.
Esse olhar aparece na seleção de projetos reunidos pela Suvinil, marca referência em tintas decorativas no Brasil, guiada pelo conceito Cor Muda Tudo, que investiga o papel da cor no cotidiano brasileiro. A partir de diferentes combinações, os projetos mostram como a escolha cromática pode transformar a percepção da sala de estar, seja ao destacar a arquitetura, seja ao alterar a escala ou a luminosidade.
“A cor tem um papel determinante na sala de estar. É ela que constrói a atmosfera, orienta a percepção e define como esse espaço é vivido no dia a dia. Quando bem pensada, transforma completamente a leitura do ambiente e revela a identidade de quem mora ali — porque, no fim, cor muda tudo”, diz Sylvia Gracia, gerente de Marketing, Cor e Conteúdo da Suvinil.
Equilíbrio na Paleta 619b1a_DSCF5370.png Com Cipó da Amazônia e Tempestade, o ambiente equilibra profundidade e luminosidade, destacando móveis, plantas e objetos | Projeto: Daniel Virgnio| Fotos: Derek Fernandes Unindo Cipó da Amazônia e Tempestade (Cores do Ano Suvinil Co(r)existir 2026), a sala explora a convivência entre os dois tons de forma equilibrada. O verde, mais profundo, cria um fundo que traz presença ao espaço, enquanto o tom mais claro entra para suavizar e ajudar na distribuição da luz natural.
Essa relação cria uma leitura dinâmica. Tons mais densos aproximam o olhar e dão peso à composição, enquanto superfícies claras ampliam e distribuem melhor a luz. Com isso, os elementos ganham destaque sem competir entre si, apoiados por uma base cromática que organiza o conjunto.
5dbb11_DSCF5201.jpg Com Cipó da Amazônia e Tempestade, o ambiente equilibra profundidade e luminosidade, destacando móveis, plantas e objetos | Projeto: Daniel Virgnio| Fotos: Derek Fernandes
67071b_DSCF5171.png Com Cipó da Amazônia e Tempestade, o ambiente equilibra profundidade e luminosidade, destacando móveis, plantas e objetos | Projeto: Daniel Virgnio| Fotos: Derek Fernandes
“A cor pode ser o ponto de partida de um projeto porque ela conta histórias. Ela ajuda a definir o tom, a atmosfera e a sensação que aquele espaço vai provocar. Aí entram os mobiliários, objetos e texturas, funcionando como coadjuvantes que reforçam essa narrativa e ajudam a construir, em camadas, a história desse ambiente”, explica Bruna Galliano, diretora criativa e pesquisadora de tendências & cores.
Intensidade que Envolve
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A escolha do azul Calça Jeans em todas as paredes aposta na intensidade para criar um ambiente envolvente e cheio de presença | Projeto: Cafofo do Dani | Fotos: Derek Fernandes
Em outra proposta, a escolha vai na contramão da ideia de que ambientes menores pedem apenas tons claros. Aqui, o azul Calça Jeans ocupa todas as paredes e cria um efeito quase monobloco, apostando na continuidade para construir unidade. A intensidade do tom envolve o olhar, reduz a fragmentação visual e transforma o fundo em um elemento ativo da composição.
Essa escolha amplia a liberdade na composição, já que quadros, objetos e texturas convivem sem competir entre si. Elementos em madeira, fibras naturais e tons mais claros entram como contraponto, equilibrando a intensidade e trazendo conforto visual.
650d64_DSCF7960.jpg Projeto aposta na intensidade do azul para construir um marcante | Projeto: Cafofo do Dani | Fotos: Derek Fernandes
650d64_DSCF7970.jpg Projeto aposta na intensidade do azul para construir um marcante | Projeto: Cafofo do Dani | Fotos: Derek Fernandes
“Existe uma ideia de que cores mais cromáticas podem cansar com mais facilidade, mas isso nem sempre se confirma no projeto. Quando bem aplicadas, elas podem envolver, dar unidade e trazer uma presença muito marcante ao ambiente, independentemente da metragem. É uma escolha confiante, que imprime personalidade”, diz Bruna.
O Efeito Caixa
59d502_5G1A9189-Enhanced-NR-Edit%20copiar.png Com Alocasia Preta nas paredes e no teto, a cor cria um efeito de caixa que envolve a área de estar | Projeto: Vanessa Ribeiro | Fotos: Re Freitas
802a8f_5G1A9212-Enhanced-NR.png Com Alocasia Preta nas paredes e no teto, a cor cria um efeito de caixa que envolve a área de estar | Projeto: Vanessa Ribeiro | Fotos: Re Freitas
Neste projeto, a Cor Alocasia Preta sobe pelas paredes e ocupa o teto, criando um efeito de caixa que envolve a área de estar. Essa continuidade elimina a quebra entre os planos e faz com que o olhar permaneça concentrado nesse volume, que passa a ser percebido como um bloco único. Ao escurecer o plano superior, a proposta traz o teto para mais perto e define melhor esse trecho da casa. A cor passa a atuar como um limite claro, que organiza a composição sem precisar de outros recursos. É uma escolha que mostra como a aplicação contínua do tom pode, por si só, dar forma e presença ao espaço.
“Quando a cor percorre paredes e teto, ela cria uma sensação de caixa que envolve o espaço. Esse recurso faz com que o ambiente seja percebido como um volume único, mais acolhedor e com uma presença mais definida”, comenta Bruna.
Amplitude e Luz
bc9532_37959b30-dscf3526-hd.jpg Com Lua de Cristal, Cerrado e Pau de Canoa, a paleta de tons terrosos claros ajuda a alongar a sala e valoriza a entrada de luz natural | Projeto: Cafofo do Dani | Fotos: Derek Fernandes
Já a paleta formada por Lua de Cristal, Cerrado e Pau de Canoa aposta em tons próximos para construir continuidade. Sem contrastes acentuados, as superfícies se conectam e alongam a leitura, favorecendo especialmente plantas mais estreitas.
9211b7_c7e2dfe4-dscf3490-hd.jpg Com Lua de Cristal, Cerrado e Pau de Canoa, a paleta de tons terrosos claros ajuda a alongar a sala e deixar o ambiente mais iluminado | Projeto: Cafofo do Dani | Fotos: Derek Fernandes
4fc785_071df7eb-dscf3564-hd.jpg Com Lua de Cristal, Cerrado e Pau de Canoa, a paleta de tons terrosos claros ajuda a alongar a sala e deixar o ambiente mais iluminado | Projeto: Cafofo do Dani | Fotos: Derek Fernandes
A luz natural percorre o ambiente com mais fluidez, reforçando a sensação de amplitude. O resultado é leve, mas mantém o aconchego, mostrando como nuances próximas podem alterar proporções sem recorrer a intervenções estruturais.
“Tons claros podem ser muito expressivos quando trabalhados em conjunto. As variações sutis criam continuidade, ampliam a percepção do espaço e, ao mesmo tempo, constroem uma atmosfera acolhedora”, explica Galliano.
Divisões Invisíveis

1fc5d8_5e8a3ad0-fotos_or_interiores_junho2024_10-hd.jpg A combinação de Trigo, Terracota e Espinafre organiza os usos e mostra como a cor pode substituir divisões físicas | Projeto: Ori Interiores | Fotos: Ori Interiores
Em outro caminho, a cor aparece como ferramenta de organização. Trigo percorre o teto como uma base neutra que conecta o conjunto, enquanto Terracota define a área de estar e Espinafre marca a transição para o jantar. A mudança de função acontece sem barreiras físicas, guiada pela variação cromática. As superfícies mantêm a continuidade, mas indicam usos distintos de forma clara e integrada.
72c165_04e7c55d-fotos_or_interiores_junho2024_3-hd.jpg O desenho aplicado sobre Terracota transforma a parede em um elemento gráfico, explorando a cor além do plano uniforme | Projeto: Ori Interiores | Fotos: Ori Interiores
O desenho aplicado sobre o Terracota amplia essa leitura ao transformar a parede em um elemento gráfico que dialoga com a paleta. Mais do que um detalhe, ele introduz ritmo e reforça a identidade do conjunto, explorando a cor para além do plano uniforme.
“Quando a cor é pensada desde o início, ela pode organizar o espaço sem precisar de divisórias. Aqui, cada tom ajuda a indicar o uso de cada área, enquanto o desenho entra como uma continuidade dessa escolha, trazendo mais identidade ao conjunto”, finaliza a especialista em cores e tendências.
Ao reunir diferentes abordagens, os projetos mostram que a cor vai além da escolha estética e se consolida como uma ferramenta de projeto. Na sala de estar, espaço central da convivência, ela orienta a forma como o ambiente é percebido, vivido e apropriado, revelando, na prática, como pode transformar a experiência do morar.  

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