Da sacada aos palcos lotados: a trajetória da banda gaúcha que reúne advogado, empresário e engenheiro

A formação da banda também revela um aspecto singular: seus integrantes conciliam carreiras sólidas fora da música com a rotina de shows.

Por Larissa Ierque
9 4 Min

Da sacada aos palcos lotados: a trajetória da banda gaúcha que reúne advogado, empresário e engenheiro
Divulgação/Na Sacada
O que começa como um encontro entre amigos, geralmente, termina ali mesmo: em risadas, música e boas histórias. No caso da banda Na Sacada, foi diferente. O que nasceu de forma despretensiosa, entre churrascos e encontros de final de semana, se transformou em um dos projetos mais queridos do pagode gaúcho na atualidade.

A origem do grupo começa quando o engenheiro mecatrônico,  Gustavo Peña, volta ao Brasil depois de quase 3 anos trabalhando numa empresa alemã. Ao reencontrar amigos e retomar a conexão com a música, Peña reuniu um grupo para tocar em festas informais.


Com o crescimento natural da banda e a profissionalização dos eventos, surgiu também a necessidade de um nome que traduzisse melhor a essência do grupo. A resposta estava no próprio cotidiano dos integrantes: os ensaios aconteciam na sacada do apartamento da família de Peña, em Porto Alegre. Foi ali, entre amigos, instrumentos e churrascos, que nasceu o nome Na Sacada, uma identidade que carrega até hoje a proximidade com o público e o clima de roda de samba entre amigos.

A formação da banda também revela um aspecto singular: seus integrantes conciliam carreiras sólidas fora da música com a rotina de shows. Rafael Almada, advogado corporativo e mestre em Direito, Gustavo Bisol, advogado e empresário do setor imobiliário, e o próprio Peña representam uma geração de músicos que transitam entre o mundo corporativo e os palcos, levando ao público não apenas técnica, mas vivência, repertório e conexão genuína com o pagode.

Antes mesmo da consolidação do Na Sacada, alguns integrantes já tinham experiência na cena musical. Peña, por exemplo, integrou bandas que circularam por casas noturnas do Estado nos anos 1990 e 2000, dividindo palco com grupos relevantes da época. Essa bagagem ajudou a moldar a identidade musical da banda, que hoje aposta em um repertório que mistura clássicos do pagode com releituras contemporâneas.

O ponto de virada veio em 2017, com a criação da Matinê Na Sacada. O evento, que nasceu como uma extensão natural da banda, rapidamente se tornou um fenômeno local: a primeira edição teve ingressos esgotados em apenas 48 horas. Desde então, a Matinê se consolidou como uma das festas mais disputadas do gênero em Porto Alegre, reunindo um público fiel, os chamados "matineiros", e atraindo cada vez mais atenção dentro do cenário cultural da cidade.

Em 2025, a banda deu mais um passo importante na sua trajetória ao gravar seu primeiro DVD, disponível nas plataformas digitais, como Spotify e YouTube. O projeto reforça o momento de maturidade artística do grupo e amplia seu alcance para além do público presencial. Hoje, o Na Sacada se firma como um dos principais nomes do pagode no Rio Grande do Sul, não apenas pela qualidade musical, mas pela capacidade de transformar experiências simples em grandes encontros.

E foi justamente dessa autenticidade, nascida em uma sacada, que surgiu um movimento capaz de lotar casas, criar comunidade e manter vivo o espírito do pagode entre gerações. Entre amigos.


Primeiros ensaios da banda Na Sacada

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Larissa Braga Ierque
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