Empreendimento paulista se consolida como modelo de aplicação de ESG em habitação

Reserva Raposo integra infraestrutura ambiental, inclusão social e governança público-privada em escala inédita no país

Por ENZO M. T. ZILIO
7 7 Min

Crédito: Ricardo Carvalheiro

O debate sobre o avanço das práticas ESG (Environmental, Social and Governance, traduzido para o português como ASG: Ambiental, Social e Governança) no setor imobiliário tem levado incorporadoras a rever modelos tradicionais de desenvolvimento urbano.  Na Zona Oeste de São Paulo, o empreendimento Reserva Raposo vem se consolidando como um dos exemplos mais abrangentes de aplicação prática desses princípios em habitação de interesse social no Brasil. Desenvolvido pela RZK Empreendimentos, o projeto integra infraestrutura urbana, equipamentos públicos e gestão comunitária em um modelo de bairro planejado. O bairro foi projetado para ser uma referência entre as moradias populares, incorporando princípios urbanísticos como Cidades Inteligentes e Cidade de 15 minutos que dialogam com o conceito de ESG (Environmental, Social and Governance, traduzida para o português como ASG: Ambiental, Social e Governança). O modelo urbanístico do Reserva Raposo vem chamando atenção também fora do Brasil. O empreendimento foi finalista do MIPIM Awards 2026 – Best New Mega Development, uma das mais importantes premiações do mercado imobiliário global, realizada anualmente em Cannes, na França. Localizado no km 18,5 da Rodovia Raposo Tavares, o projeto ocupa um terreno de 450 mil m² e prevê cerca de 1 milhão de m² de área construída até 2030, com 22 mil moradias distribuídas em 150 torres e estimativa de 80 mil moradores, equivalente à população de cidades médias brasileiras. Concebido como bairro de uso misto, o empreendimento foi planejado para integrar moradia, serviços, comércio, educação, saúde, lazer e mobilidade em um mesmo território, reduzindo deslocamentos e a pressão por infraestrutura urbana no entorno. Segundo Verena Balas, diretora da RZK Empreendimentos, o diferencial está na integração entre moradia e gestão contínua do território. “A habitação de interesse social precisa estar acompanhada de serviços, políticas públicas e presença institucional. Quando moradia, educação, saúde e trabalho estão próximos, o bairro passa a gerar pertencimento e mobilidade social”, afirma. Para José Ricardo Lemos Rezek, presidente do Grupo RZK, o empreendimento demonstra que é possível estruturar habitação social como parte da cidade formal. “Habitação de interesse social pode e deve ser planejada como cidade completa, com infraestrutura, serviços e visão de longo prazo”, afirma. O projeto também incorpora soluções de mobilidade sustentável, com terminal de ônibus, linhas regulares de transporte público e ciclovias, reduzindo o tempo de deslocamento dos moradores e ampliando o acesso ao sistema de transporte da capital. Com investimentos superiores a US$ 1 bilhão, o Reserva Raposo consolida um modelo de desenvolvimento urbano que integra critérios ambientais, sociais e de governança desde a concepção do projeto até sua operação, inserindo São Paulo no debate internacional sobre novas formas de urbanização inclusiva.  E – Ambiental: infraestrutura verde e urbanismo climático Na frente ambiental, o projeto incorpora mais de 85 mil m² de áreas verdes preservadas, incluindo dois parques públicos integrados ao bairro. As quadras mantêm 30% de área permeável, reduzindo o escoamento superficial e contribuindo para a drenagem urbana. O modelo adota infraestrutura chamada verde-azul, uma abordagem de planejamento urbano sustentável que integra elementos naturais e recursos hídricos para gerenciar o ciclo da água, com jardins de chuva, avenidas arborizadas e estratégias para mitigação de ilhas de calor. A rede elétrica é subterrânea, com aterramento de fios e cabos, reduzindo impactos visuais e riscos operacionais.  O empreendimento também implementou gestão distrital de resíduos e utiliza sistemas construtivos de longa vida útil, voltados à redução de desperdícios e à facilitação da manutenção ao longo do tempo. A implantação de cerca de 10 quilômetros de coletores de esgoto, quatro quilômetros de novas adutoras e a construção de um reservatório elevado ampliaram o acesso à água tratada e reforçaram a infraestrutura de saneamento não apenas do bairro, mas também do entorno. S – Social: habitação com serviços e equipamentos públicos O Reserva Raposo é considerado o maior bairro de habitação social de uso misto da América Latina. O projeto foi estruturado para garantir acesso efetivo a serviços essenciais, com a entrega de equipamentos públicos completos, como duas Unidades Básicas de Saúde, seis Centros de Educação Infantil, um CEMEI, biblioteca, auditório, centro para idosos, centro ecumênico e arena esportiva.  Já foram entregues 4.490 unidades habitacionais, onde vivem cerca de 25 mil pessoas. Outros 7.332 apartamentos estão em construção. Além da infraestrutura física, a gestão social é conduzida por meio da Associação de Moradores (AMO), que oferece cursos gratuitos de capacitação profissional, Educação de Jovens e Adultos (EJA), atividades culturais e esportivas. Programas como o Mães Atípicas, Cidadão Positivo e Tarde do Cinema reforçam vínculos comunitários e promovem inclusão social. G – Governança: parceria público-privada e gestão integrada O modelo adotado no Reserva Raposo é baseado em parceria público-privada com os governos municipal e estadual, com planejamento de longo prazo e metas estabelecidas até 2030. A governança envolve gestão integrada do território, com presença contínua do poder público e da incorporadora na operação e manutenção dos espaços. A estratégia de segurança combina desenho urbano, iluminação pública qualificada, ruas ativas, monitoramento por câmeras e governança comunitária. A transparência na ocupação, manutenção e operação das áreas públicas e privadas integra o modelo de gestão. Ao integrar infraestrutura urbana, políticas sociais e planejamento ambiental em escala de bairro, o Reserva Raposo se consolida como um laboratório urbano para novos modelos de habitação social no Brasil, demonstrando que projetos populares podem combinar escala, qualidade urbana e critérios avançados de sustentabilidade — e posicionando São Paulo no debate internacional sobre urbanização inclusiva.

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