No Dia das Mães, “Benjamin” propõe olhar sensível sobre os primeiros vínculos entre mãe e filho

Livro de Denise Fleury aborda a separação na infância como parte do amor e do desenvolvimento, usando poesia e metáforas para acolher mães e crianças

Por ANA FERRARI DA COM.TATO
13 5 Min

No Dia das Mães, “Benjamin” propõe olhar sensível sobre os primeiros vínculos entre mãe e filho
Divulgação
 

O vínculo entre mãe e filho, marcado tanto pela proximidade quanto pelas primeiras separações, é o centro de Benjamin (SemiBreve, 48 págs.), livro da psicóloga, pedagoga e psicanalista Denise Fleury. Em sintonia com reflexões mobilizadas pelo Dia das Mães, a obra propõe um olhar sensível sobre os laços afetivos na primeira infância e os desafios emocionais que acompanham o crescimento.

Com ilustrações de Yasmin Hassegawa, o livro constrói sua narrativa por meio de sons, ritmo e movimento. Onomatopeias como “PLUFT”, “rolou rolou” e “dooon” acompanham o nascimento e os gestos de contato entre mãe e filho, em uma linguagem sintética que privilegia a experiência sensorial e simbólica.

A proposta dialoga diretamente com a compreensão da autora sobre o papel da literatura na infância. “A literatura infantil ajuda as crianças a nomear sentimentos, elaborar experiências e lidar com a separação, oferecendo caminhos simbólicos para o amadurecimento emocional” . Para Denise, histórias funcionam como mediadoras entre aquilo que a criança sente e o que ainda não consegue expressar.

No contexto da maternidade, essa dimensão ganha ainda mais força. A ansiedade de separação, comum nos primeiros anos de vida, envolve não apenas a criança, mas também os adultos que participam desse vínculo. A autora define essa experiência como “o medo do abandono ou a sensação de perda causada pela separação entre a criança e o outro primordial” .

Em Benjamin, esse processo aparece de forma poética. A história utiliza a metáfora de dois elefantes cujas trombas se entrelaçam, representando o laço afetivo que permanece mesmo diante da distância. A separação, nesse sentido, não surge como ruptura, mas como parte do desenvolvimento. “O vínculo afetivo permanece e a separação é temporária, um passo essencial no amadurecimento emocional” .

A obra também se apoia na fantasia e no lúdico como caminhos para elaboração emocional. A metáfora, segundo a autora, funciona como um “faz-de-conta” que permite à criança experimentar e compreender sentimentos complexos . Ao se reconhecer na narrativa, a criança encontra formas de lidar com experiências como ausência, mudança e crescimento.

Para mães e cuidadores, o livro se insere como ferramenta de escuta e acolhimento. Em vez de eliminar o medo ou a angústia, Denise propõe sustentar essas emoções e ajudar a criança a nomeá-las. “Quando a criança consegue nomear seus afetos, já conquista recursos simbólicos importantes para não ficar refém de seus próprios medos” .

No Dia das Mães, Benjamin convida a olhar para a maternidade para além do cuidado imediato, reconhecendo também os momentos de afastamento como parte fundamental do vínculo. Entre presença e ausência, o livro sugere que crescer, para mães e filhos, também é aprender a se separar.

Sobre o livro Benjamin

Ilustrado por Yasmin Hassegawa, Benjamin, de Denise Fleury, é um livro infantil que aborda a relação de afeto entre mãe e filho e a ansiedade da separação. Criado por uma pedagoga a partir de sua experiência clínica, a obra funciona como uma ferramenta lúdica para pais e educadores lidarem com essa fase do desenvolvimento. A história usa a metáfora de dois elefantes cujas trombas se entrelaçam, simbolizando o cordão umbilical e o afeto. A autora, mestra em educação, destaca a importância de tratar o tema pelo simbólico e pela brincadeira com sons e onomatopeias. 

Sobre a autora

Denise Fleury é psicóloga, psicanalista, pedagoga e mestre em educação, natural de Goiânia (GO). Sua trajetória une a clínica psicológica à literatura, com foco na subjetividade humana e nas relações afetivas. É autora de Senhora M e outros contos (Editora Caravana, 2024), Quem conhece os gatos do vovô? (SemiBreve, 2022) e Benjamin (SemiBreve, 2025), com Giralda & Geraldo no prelo. Sua crônica “O cortejo” recebeu menção honrosa no Concurso Adélia Prado (2019), e, em 2025, foi reconhecida com o Prêmio Buritis na categoria Livro, Leitura e Literatura. Também realiza rodas de conversa em escolas e Centros de Atendimento Socioeducativo de Goiás.

O livro pode ser adquirido diretamente com a autora: https://linktr.ee/denise.fleury 


 

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ANA LAURA FERRARI DE AZEVEDO
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