Virada do ciclo pecuário em 2026 eleva pressão por gestão e pode redefinir margens no gado de corte

Após um 2025 de transição, o mercado entra em uma fase em que a valorização do boi gordo deve ser acompanhada por uma compressão importante nas margens de recriadores e terminadores, pressionados pelo custo de entrada mais elevado

Por MARCELO MOREIRA
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Arquivo/ Esteio/ Banco de imagens Canva Pro

A entrada mais consistente da pecuária brasileira na fase de alta do ciclo em 2026 deve sustentar a valorização da arroba ao longo do ano, especialmente no segundo semestre, em um ambiente marcado por retenção de fêmeas, menor oferta de animais para abate e reposição mais cara. O cenário, já apontado por entidades do setor e consultorias, tende a favorecer produtores com maior disciplina de custos e leitura precisa dos indicadores dentro da porteira.

Depois de um 2025 de transição, quando a arroba oscilou sem reação consistente, apesar do bom ritmo das exportações, o mercado entra em uma fase em que a valorização do boi gordo deve ser acompanhada por uma compressão importante nas margens de recriadores e terminadores, pressionados pelo custo de entrada mais elevado. A menor disponibilidade de bezerros, reflexo direto do abate expressivo de fêmeas nos últimos ciclos, reforça esse movimento.

Na avaliação de Gabriel Lopes, zootecnista da Esteio Gestão Agropecuária, o novo momento do ciclo exigirá menos aposta em preço e mais capacidade de decisão. Segundo ele, o pecuarista que pretende capturar a valorização precisa conhecer com precisão o custo por arroba, o ponto de equilíbrio, a margem por lote e o retorno por hectare.

“Em ciclo de alta, o mercado melhora, mas isso não garante lucro por si só. O diferencial está em saber onde a margem está sendo construída ou perdida, seja no custo alimentar, no ganho médio diário ou no tempo de permanência do animal no sistema”, afirma.

A leitura ganha peso sobretudo nos sistemas de recria, engorda e confinamento, em que a combinação entre boi gordo valorizado e reposição pressionada reduz o espaço para erro. Indicadores como ganho médio diário, taxa de lotação, giro do estoque, arrobas produzidas por hectare e custo operacional efetivo passam a orientar decisões sobre retenção, intensificação da terminação ou escalonamento de compras.

Para Lopes, a virada do ciclo altera a lógica da gestão. “O produtor deixa de olhar apenas faturamento e passa a buscar previsibilidade de margem. Em um mercado firme, decisões tomadas alguns dias antes ou depois podem mudar completamente o resultado financeiro do lote.”

O avanço das ferramentas digitais na pecuária tem ampliado a capacidade de leitura desses cenários em tempo real. O uso de plataformas integradas de gestão permite consolidar dados produtivos, financeiros e zootécnicos, além de simular cenários de venda, retenção de animais e investimento em reposição, reduzindo a dependência de decisões baseadas apenas na percepção de mercado.

A expectativa predominante no setor é de que 2026 consolide um ambiente de preços mais sustentados, mas também de maior seletividade competitiva. Em outras palavras, o ciclo deve beneficiar todos, porém em intensidades diferentes.


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