Com nova NR-1, pressão por saúde mental cresce e 70% dos profissionais já consideram trocar de emprego

Levantamento mostra que bem-estar se torna fator decisivo na carreira, enquanto nova exigência da NR-1 pressiona empresas a estruturarem políticas de saúde mental

Por Alberto Santos
12 5 Min

Com nova NR-1, pressão por saúde mental cresce e 70% dos profissionais já consideram trocar de emprego
Drazen Zigic/Freepik

O bem-estar no trabalho deixou de ser diferencial e passou a ser critério de escolha profissional. Atualmente, dados apontam que 70% dos trabalhadores afirmam que trocariam de emprego por uma empresa que priorize saúde mental, segundo informações divulgadas pelo mercado. 

 

O movimento ganha força em um cenário de alta rotatividade e novas exigências legais, como a atualização da NR-1, que obriga organizações a incluírem riscos psicossociais na gestão corporativa, pressionando empresas a estruturar políticas efetivas e contínuas de cuidado com seus colaboradores.

Insatisfações levam Brasil a ser líder em rotatividade

 

A preocupação com saúde mental nas empresas não é exatamente nova, mas a forma como ela impacta decisões de carreira atingiu outro patamar. Dados recentes indicam que 7 em cada 10 profissionais brasileiros aceitariam mudar de emprego em busca de ambientes que priorizem o bem-estar.

O dado revela uma mudança estrutural na relação entre profissionais e trabalho. Mais do que salário ou benefícios tradicionais, fatores como equilíbrio emocional, qualidade de vida e reconhecimento ganham protagonismo. 

Não por acaso, o reconhecimento pelo trabalho aparece como o principal fator de engajamento entre trabalhadores brasileiros.

Esse cenário se conecta diretamente com outro indicador relevante: o Brasil lidera o ranking global de rotatividade, com uma taxa de 51,3% ao ano. Em 2025, movimentos de demissão voluntária elevaram a média para 36% em determinados períodos, evidenciando um mercado mais dinâmico e também mais instável.

NR-1 coloca saúde mental no centro da estratégia empresarial

A transformação cultural agora ganha respaldo legal. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a valer integralmente em 26 de maio de 2026, torna obrigatória a inclusão de riscos psicossociais, como estresse, burnout e assédio, no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Na prática, isso significa que empresas precisarão ir além de iniciativas pontuais e passar a estruturar políticas contínuas, com mapeamento, monitoramento e planos de ação documentados.

A discussão sobre como implementar a NR-1 passa, necessariamente, pela integração da saúde mental à estratégia corporativa. Não se trata apenas de criar campanhas internas, mas de desenvolver processos auditáveis, com indicadores claros e gestão ativa dos riscos.

Reta final expõe desafios operacionais

Com o prazo se aproximando, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para sair do discurso e avançar para a prática. A principal barreira está em transformar um tema subjetivo, como saúde mental, em métricas e rotinas estruturadas.

Dados do Panorama Gestão de Pessoas Brasil 2025 mostram que 18% dos líderes de RH apontam o bem-estar como o principal desafio atual à frente, inclusive, de temas tradicionais como treinamento e remuneração.

Isso revela um gap entre a importância do tema e a capacidade de التنفيذ nas organizações.

Multas e riscos jurídicos aumentam pressão

Além do impacto na atração e retenção de talentos, o não cumprimento da norma traz consequências financeiras e jurídicas relevantes.

As multas podem variar entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, podendo ser multiplicadas em casos de reincidência, chegando próximo de R$ 100 mil. Mais do que isso, a formalização da saúde mental como risco ocupacional amplia a exposição a processos trabalhistas.

Empresas que não conseguirem comprovar ações preventivas estruturadas podem enfrentar passivos relacionados ao adoecimento psicológico de colaboradores, além de impactos previdenciários e operacionais.

Diante desse cenário, cresce o uso de tecnologia como aliada na adequação às novas exigências. Plataformas de gestão de pessoas já começam a incorporar funcionalidades voltadas ao PGR, incluindo o mapeamento de riscos psicossociais e organização documental.

A proposta dessas soluções é tornar a gestão mais estruturada e contínua, reduzindo falhas e garantindo conformidade regulatória.

No fim das contas, a exigência da NR-1 apenas formaliza uma tendência que já vinha se consolidando: empresas que não priorizarem saúde mental tendem a perder talentos e agora, também podem enfrentar custos financeiros e legais significativos.


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ALICE BATISTA DE ALMEIDA
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