Aldeias Infantis SOS promove debate sobre estratégias de prevenção da separação familiar no Brasil

Diálogo Nacional pela Convivência Familiar e Comunitária, que ocorre no Centro Cultural de Brasília, traz resultado de pesquisa conduzida pela Organização sobre fortalecimento de famílias

Por JACKSON VIAPIANA/ MáQUINA
1 7 Min

Aldeias Infantis SOS promove debate sobre estratégias de prevenção da separação familiar no Brasil
Divulgação Aldeias Infantis SOS
A Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, promove nesta segunda-feira (27), a partir das 14h30, no Centro Cultural de Brasília, o evento Diálogo Nacional pela Convivência Familiar e Comunitária, que vai tratar de estratégias preventivas para evitar a ruptura de vínculos parentais por intervenção judicial.

O tema será debatido à luz dos resultados de um estudo nacional, conduzido pela própria Organização, que aponta para a eficácia de ações de fortalecimento familiar como forma de evitar a separação de crianças e adolescentes de suas famílias.


O Diálogo deve reunir membros da sociedade civil, atores do Sistema de Garantia de Direitos e outras organizações que atuam pela proteção infantil, para debater e contribuir com a implementação e as metas do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária.

Para representar a Aldeias Infantis SOS, estarão presentes Michéle Mansor, psicóloga, especialista em Direitos Humanos e gerente nacional de Desenvolvimento Programático da Organização; e Sérgio Marques, sub-gestor Nacional da Aldeias Infantis SOS e membro titular do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), que acumula experiência como Coordenador Nacional da Convivência Familiar e Comunitária na Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Para enriquecer o debate, o Ministério do Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) também estará representado, com a presença de Juliana Maria Fernandes Pereiral, gerente de Projetos da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS). Psicóloga, formada na USP e com mestrado pela Universidade de Brasília, além de MBA em Gestão de Pessoas pela FGV, Juliana participou, pela SNAS, de diversas agendas relativas ao direito à convivência familiar e comunitária, tendo contribuído para a elaboração de diretrizes, orientações técnicas e planos nacionais voltados à proteção de crianças e adolescentes.

“A realização do Diálogo Nacional pela Convivência Familiar e Comunitária reforça a importância de construirmos, de forma coletiva, caminhos concretos para que nenhuma criança ou adolescente seja afastado de sua família por falta de apoio. Ao reunir diferentes protagonistas do Sistema de Garantia de Direitos, o evento cria uma oportunidade estratégica para transformar evidências em ação e fortalecer políticas públicas que assegurem, na prática, o direito à convivência familiar e comunitária”, destaca Sérgio Marques.

Fortalecimento familiar
O estudo Prevenindo a Separação Familiar: a Experiência da Aldeias Infantis SOS, que será debatido durante o evento, aprofunda os achados da pesquisa Vozes (In)escutadas e Rompimento de Vínculos, lançada pela Organização em 2023, reforçando a necessidade de fortalecer políticas e práticas voltadas à convivência familiar e comunitária.

Realizado entre junho de 2024 e maio de 2025, o novo levantamento analisou a atuação dos Núcleos SOS de Apoio às Famílias, que desenvolvem ações contínuas de fortalecimento familiar, em 14 localidades de 10 estados brasileiros. No período analisado, cerca de 1.350 famílias foram atendidas, impactando aproximadamente 1.700 crianças e adolescentes. Entre os principais resultados, destaca-se que entre 1.000 e 1.200 crianças deixaram de ser separadas de suas famílias graças à atuação direta da Organização em articulação com a rede de proteção social, e menos de 2% dos casos acompanhados registraram ruptura de vínculos após o início do atendimento.

Os dados também demonstram que as estratégias estruturadas de fortalecimento familiar, implementadas especialmente entre 2020 e 2024, têm apresentado resultados consistentes na prevenção da institucionalização, isto é, quando ocorre separação familiar e crianças e adolescentes são acolhidos por instituições de cuidado. O acompanhamento contínuo das famílias, com duração mínima de dois anos, contribui para que as mudanças conquistadas sejam sustentáveis e duradouras.

A pesquisa destaca como diferencial a atuação dos Assistentes de Desenvolvimento Familiar e Comunitário (ADFC), profissionais que acompanham de perto famílias em contextos de múltiplas vulnerabilidades, como mães solo, mulheres em situação de violência, pessoas refugiadas e crianças em risco de evasão escolar ou acolhimento institucional. O trabalho é baseado em escuta qualificada, acompanhamento individualizado e construção de vínculos de confiança, sendo reconhecido pelas próprias famílias como um suporte essencial em momentos críticos.

O estudo também evidencia que o fortalecimento familiar promovido pela Aldeias Infantis SOS se estrutura em quatro dimensões complementares: o cuidado psicossocial, com foco no acolhimento e na reconstrução de vínculos; o cuidado comunitário, que fortalece redes locais de apoio; o cuidado intersetorial, por meio da articulação com políticas públicas; e o cuidado protetivo, voltado à prevenção da ruptura de vínculos familiares.

As ações incluem visitas domiciliares, atendimentos individuais, rodas de conversa, oficinas temáticas e atividades com crianças e adolescentes, abordando temas como direitos, parentalidade, prevenção da violência e inclusão produtiva. Cada família atendida conta com um Plano de Desenvolvimento Familiar, construído de forma participativa e monitorado continuamente pelas equipes técnicas.

O reconhecimento externo da efetividade do trabalho também aparece na pesquisa. Profissionais do sistema de justiça e da rede socioassistencial destacam a relevância da metodologia preventiva.
“Ao sistematizar essas evidências, a Aldeias Infantis SOS busca contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e do Sistema de Garantia de Direitos, reforçando que investir no fortalecimento das famílias é uma das formas mais eficazes de proteger crianças e adolescentes e garantir seu direito fundamental à convivência familiar e comunitária”, observa Michéle Mansor.

Serviço
Diálogo Nacional pela convivência Familiar e Comunitária
Data: 27/04/26
Horário: A partir das 14h30
Local: Centro Cultural de Brasília
Endereço: SGAN 601 Módulo D - Asa Norte, Brasília - DF, 70830-012

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